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GENTE DA NOSSA GENTE: Determinado, jaicoense Jonas Reis se torna policial rodoviário federal, um dos cargos mais cobiçados do Brasil

Por: Roberto - 24/01/2020

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“Determinação, coragem e autoconfiança são fatores decisivos para o sucesso”, afirmou o sábio Dalai Lama. Essas são algumas das maiores virtudes dos vencedores. Ninguém alcança o sucesso por mera obra do acaso, tudo é fruto de um esforço empenhado na obtenção dos seus objetivos. Isso talvez resuma a história do jovem jaicoense Jonas Chrystian Reis Borges, 26, que se tornou policial rodoviário federal da PRF. O concurso para o cargo é um dos mais concorridos do Brasil, com quase 130 mil inscritos no certame de 2019, para um total de 500 vagas espalhadas pelo Brasil.

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) é uma instituição de policiamento ostensivo, responsável por garantir a segurança com cidadania em rodovias federais e áreas de interesse da União. Combate variadas formas de crime, que incluem crimes contra a vida, furtos e roubos, contrabando, trabalho escravo e tráfico de drogas. O órgão trabalha na prevenção de acidentes, no atendimento a acidentes e salvamento de vítimas. É uma polícia cidadã. Sua atuação vai muito além multas de trânsito, já bem conhecidas.

O filho de Everton Cardoso Borges Filho e Clemer Maria dos Reis Borges (in memoriam) nasceu e viveu toda a sua infância em Jaicós-PI. Jonas perdeu a mãe quando tinha apenas 4 anos de idade. Uma perda imensurável, um começo difícil, principalmente para uma criança.

Ao concluir o Ensino Fundamental, Jonas mudou-se para Teresina. Foi lá que concluiu seu Ensino Médio e fez mais um ano de cursinho para conseguir passar no curso de Engenharia Civil na Universidade Estadual do Maranhão (UEMA). Passou então a residir em São Luís, onde cursou o ensino superior.

Jonas conta que começou a estudar para o concurso da PRF quando ainda estava cursando Engenharia Civil. No início, apenas fazia leitura sobre conteúdos de Direito, no pouco tempo que tinha, não possuía tempo suficiente para ter muito foco. Aproveitava intervalos para ler e logo foi acrescentando algumas outras disciplinas, como Português. Era ainda um estudo feito aos poucos, pois a Universidade tomava-lhe muito tempo e demandava muito esforço.

No final de 2017, concluiu o curso de Engenharia Civil e decidiu retornar a Jaicós, depois de longos 10 anos morando distante, entre Teresina e São Luís. Estava determinado a estudar para o concurso da PRF. Não era fácil decidir por focar apenas nos estudos, permanecendo sem trabalhar, mesmo sendo formado e, muitas vezes, recebendo críticas. Jonas preparou todo um plano de estudo, em média 6 horas diárias, aliado aos treinos para o Teste de Aptidão Física (TAF). Assim foi todo o ano de 2018, com foco total. A prova foi realizada em janeiro de 2019, tendo sido aprovado. Uma grande conquista para um jovem de 26 anos que acabara de realizar o seu maior sonho.

“Eu não estava me vendo muito na iniciativa privada, aí comecei a pensar em carreira pública. Eu queria algo que não fosse rotina. Eu queria, por exemplo, sair para trabalhar e não saber o que fazer. Foi aí que decidi ir pra área de segurança pública. Tem um leque muito grande dentro da segurança pública. Eu comecei a ler, ver depoimentos de quem trabalhava em cada uma delas e optei pela PRF” – afirma Jonas.

A primeira parte do concurso é a prova objetiva e discursiva (redação). Conseguindo a aprovação, o candidato passará pelo teste de capacidade física e pela avaliação de saúde e psicológica, todos com caráter eliminatório. Até a nomeação, o candidato passará por investigação social, inclusive na etapa seguinte, a de formação. O curso de formação dura em média três meses, e só a partir dele o aluno se tornará policial rodoviário federal. Jonas se formou em dezembro de 2019 e em janeiro iniciou os trabalhos. Hoje reside e atua em Floriano-PI.

“A última etapa do concurso é finalizada com o curso de formação profissional, realizada na Universidade corporativa da Polícia Rodoviária Federal, localizada no norte da ilha de Florianópolis. Lá o aluno vai receber a formação que abrange desde matérias teóricas quanto práticas, como por exemplo técnicas de defesa policial, armamento, munição, e tiro, todas elas ministradas por policiais rodoviários federais. O diferencial diz respeito aos Direitos Humanos, que é uma disciplina desenvolvida durante a formação. Durante o curso, o aluno, antes paisano, desenvolverá atividades com trabalho em equipe, companheirismo e sobretudo o respeito aos valores da instituição, como profissionalismo, transparência, respeito e outros. O aluno é submetido a provas onde no final será considerado apto ou inapto, que em caso positivo será empossado como policial rodoviário federal” – completa.

O que mais te motivou a escolher o cargo de policial rodoviário federal?

Quando eu era criança, sempre via as viaturas passando pela BR, aquilo também me despertava um certo interesse, só que era um sonho bem distante, não era algo que eu dizia “Ah, é possível eu chegar lá”. A carreira é única, não tem tanta hierarquia lá dentro, esse é um dos motivos. E também é conhecida com uma polícia cidadã, onde tem uma pauta de direito humanos muito forte. Eu optei mais por essa questão, pelo perfil operacional da polícia em si. Lá dentro você pode trabalhar em diversas áreas. Pode dar palestras, fiscalização de trânsito, comunicação social ou ficar na área operacional. É uma polícia onde há um respeito e união muito grande entre todos.

Você já tinha feito algum concurso antes?

Sim, dois concursos. Um em 2017, para assistente administrativo da UFMA. Eu pretendia usar esse concurso para ganhar uma estabilidade, e continuar estudando pra um dia passar na PRF. Durante esse tempo, abriu edital da Polícia Militar do Maranhão, com a banca Cespe, a mesma que faz concursos da PRF. Eu pensei, nunca tinha feito concurso da Cespe, resolvi fazer porque era a mesma banca. Fiquei muito surpreso em ter conseguido aprovação nesse concurso. Como eu estava só estudando para concurso, sem me preparar para a avaliação física, não fui aprovado no teste de aptidão física da PM-MA. Mas eu fiquei muito contente porque sabia que estava no caminho certo. Tive uma aprovação com uma pontuação boa numa prova da banca Cespe. Um gás a mais para continuar estudando. Eu tinha certeza que uma hora ou outra eu seria aprovado.

Como foi a sua rotina de estudos?

Eu estava mais ou menos na metade do curso superior quando comecei a estudar pra concurso. Comecei a buscar vídeos na internet com depoimentos de aprovados, depois comecei a estudar algumas disciplinas de Direito. Só que fazendo o curso superior, não dava pra me dedicar exclusivamente ao concurso. Até então, a faculdade exigia muito. Aproveitava finais de semana, quando tinha folga. Por aproximadamente 1 ano eu não foquei muito, só conhecendo alguns métodos de estudos, lendo alguns assuntos de Direito. Era pouco tempo. Meia hora, uma hora, no máximo duas. Avançava aos poucos. Fui colocando outras disciplinas, como Português. No final, eu tava com o edital completo. Eu já fazia os mapas mentais, pra revisar depois. Eu não voltava mais no material, eu lia os resumos. Eu não deixava de revisar, é a peça chave para a aprovação. Eu fiz uma assinatura de um site só de questões. Eu tirava basicamente a noite pra estudar, era a hora que eu mais conseguia me concentrar. Eu pegava meus mapas mentais, selecionava um determinado conteúdo e ía responder questões. Depois que me formei, eu tava estudando umas 6 horas líquidas. Quando eu já tinha batido todos os pontos do edital, eu foquei em responder questões. Foi aí que comecei a fazer a preparação física para o TAF. Comecei correndo na pista, depois procurei um personal treiner, que é policial rodoviário federal, para me orientar por whatsapp. Depois comecei a academia.

O que você pensa sobre seu futuro na PRF?

Fazer um bom trabalho. Aproveitar para fazer operações fora, em outros estados, sempre que tiver oportunidade. Quero me tornar um profissional completo, conhecer todas as áreas. Pretendo também fazer cursos dentro da instituição. Sempre me aperfeiçoar.

Durante esse período de estudos, o que te deu mais forças?

Bom, primeiramente agradecer à família. Com certeza foi muito importante. Me deu apoio financeiro para eu conseguir me manter estudando. Sem isso, nada seria possível. Para me manter motivado eu recorria a grupos de estudos. Quando eu estava desanimado, recorria até mesmo a vídeos de operações da polícia, aquilo me dava um gás para continuar estudando.

Qual conselho você daria a alguém que pretende seguir estudos para ser aprovado em um concurso público?

Primeiro acreditar. Acreditar no sonho. A vida do concurseiro é, digamos assim, instável emocionalmente. Querendo ou não, vem sempre aquele vizinho dizendo “Ah, mas ele não tá trabalhando”. Eu queria dizer para ter foco, acreditar e se manter motivado. Passar em concurso não é coisa de gênio, basta ter dedicação. Eu mesmo sou a prova disso, não sou um cara especial, sempre fui um aluno mediano. Claro, sempre fui muito esforçado e isso contou muito. Se aquele for realmente um sonho, esquecer o lado financeiro. Porque se pensar só no dinheiro, chega um momento que você desiste, abandona o projeto. Acredite no seu potencial, que no final dá certo.

Por Daniel Gomes

Bacharelando em Administração pela Universidade Federal do Vale do São Francisco (UNIVASF), funcionário público. Entusiasta de questões ambientais, participa de projetos do Núcleo de Economia Circular, Inovação e Sustentabilidade (NECIS) em Petrolina-PE.

Fonte: Portalnoticiei

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