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O que o amor constrói, o Orkut destrói... será?

Jovens acreditam que a internet melhora na vida afetiva

Por: Roberto Carvalho - 26/05/2010

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Com o avanço da tecnologia é mais do que perceptível a migração dos jovens do mundo real para o mundo virtual. Eles fazem tudo via web. Estudam, jogam, se divertem e agora também namoram. É inegável que muita gente construiu seu conto de fadas pela rede mas, como nem tudo são flores, a internet tem sido usada cada vez mais como artifício dos casais para romperem seus relacionamentos.

Basta sentar em uma roda de estudantes para ouvir deles a unanimidade. A internet ajuda, e muito nos relacionamentos afetivos. Seja para começar uma vida a dois ou para o fim dela. 

É o que confirma o estudante universitário Diego Barbosa, 19 anos. “A internet ajuda as pessoas quando falamos de relacionamento, inclusive a primeira namorada que consegui foi por um relacionamento pela internet”. Mas ele também lamenta e acrescenta que “por mais que tenha melhorado, as pessoas estão deixando de lado o contato físico”.

A verdade é que os olhos do outro são hoje o monitor do computador. A face do outro a nada se resume do que uma foto no perfil das páginas de compartilhamento ou uma simples transmissão de imagem via webcam. A também estudante Lísia Alexandre garante que “a internet aproxima tanto quem está longe como quem já está perto”.  

Larissa Rodrigues, 22 anos relata. “A minha vizinha é um exemplo de que o relacionamento pela internet pode dar certo. Ela conheceu o atual marido pela web. O casal tem dois filhos e vivem muito felizes”, garante a estudante.

E quando estamos quase nos convencendo que a internet pode ser mãe de casais apaixonados e felizes, nos deparamos com a seguinte declaração da jovem Anna Thays, 18 anos. “Eu também já vi muita gente terminar pelo Twitter, MSN (Messenger), Facebook ou até por depoimentos no Orkut”.

“Verdade, hoje em dia as pessoas acham bem mais fácil terminar assim, mas pessoalmente eu acho uma covardia”, afirma Larissa. A jovem logo é interrompida por Michele Rodrigues, 17 anos. “Eu também prefiro terminar pessoalmente, mas as pessoas se ancoram na internet por não ter de encarar as reações do outro", afirma. 

E elas não fazem a estimativa à toa. Uma pesquisa publicada recentemente pelo site de presentes LoveHearts aponta que 20% dos jovens entre 22 e 30 anos terminam seus relacionamentos amorosos pela internet, em sites como o Facebook e o Twitter. O número aumenta entre aqueles que têm menos de 21 anos: 48% publicaram o fim do relacionamento na rede. 

Os números foram obtidos depois de 12 meses de enquete na página do próprio site. A pesquisa aponta ainda que quase todos os entrevistados (95%) admitiram usar o Facebook e o MySpace para pesquisar sobre novos parceiros amorosos.  

Apesar de afirmar que é mais fácil terminar pelas redes sociais todos confirmam que preferem uma conversa na hora de por um fim no relacionamento. Para eles, dói menos uma conversa olho no olho além de ser muito mais elegante. Por isso fica o conselho, se você está afim de terminar com a pessoa, deixe um recado  marcando um jantar, um passeio e juntos, lado a lado, conversem. E a estudante Larissa garante, “quando os dois conversam pessoalmente até as chances de retorno aumentam”. 

Além disso, as garotas se queixam do ciúme de muitas namoradas, principalmente no Orkut. “Tem umas meninas que são desesperadas, se deixamos um recado mais carinhoso no Orkut do rapaz elas já acham que estamos ‘dando em cima’ deles. Umas chegam a nos bloquear na página de relacionamentos”, afirma Anna Thays.

“É verdade, mas também tem umas meninas que gostam de atrapalhar a felicidade alheia. Elas acabam deixando depoimentos e recados abusivos, somente na intenção de provocar as namoradas, isso já é abuso” acrescenta a universitária.

Este é outro obstáculo dos casais que mantêm um relacionamento exposto pelas redes. Muitos também acabam sucumbindo a estas provocações, já que a vida privada foi colocada ao conhecimento de todos através do status definido nas redes sociais. Mas é preciso abrir o olho. Diego Barbosa não põe em cheque sua amizade por um relacionamento. “Eu costumo priorizar as pessoas que já conheço a muito tempo, namoradas são um estado passageiro e os amigos são para sempre".

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