Por: Roberto Carvalho - 23/07/2010
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Piauí só possui uma clínica que atende pelo SUS habilitada para fazer a cirurgia, que surpreendentemente, não registra nenhum caso desde 2008.
Segundo dados do Ministério da Saúde, o número de vasectomias realizadas no Brasil cresceu em 80% nos anos de 2003 a 2009, contabilizando apenas as cirurgias de esterilização masculina realizadas com recursos do Sistema Único de Saúde.
Contraditoriamente à elevação do índice, o estado do Piauí só possui uma clínica que atende pelo SUS habilitada para fazer a cirurgia, que surpreendentemente, não registra nenhum caso desde 2008.
Os dados são dados fornecidos pela Sesapi. Segundo a Diretoria de Controle e Avaliação do SUS da Secretaria Estadual da Saúde do Piauí, apenas a Santa Casa de Misericórdia, do município de Parnaíba, realiza a cirurgia por meio do SUS no estado.
O médico urologista Emmanuel Fontes contradiz as estatísticas e afirma que a cirurgia tem bastante procura no Piauí, mas em clínicas particulares. Ele diz que é errado que não haja em Teresina sequer um hospital que atenda pelo SUS com estrutura apropriada para realizar a cirurgia. A esterilização masculina se dá quando os canais deferentes (tubos por onde passa o esperma) são cortados e amarrados, ou fechados com grampos, impedindo que o espermatozoide produzido no testículo chegue ao sêmen.
Emmanuel Fontes afirma que é um contra-senso não oferecer a cirurgia de maneira gratuita. Já que é um dos métodos mais auxiliam no controle do planejamento familiar. Segundo o médico, o procedimento cirúrgico que pode ser classificado como simples em uma escala de complexidade, implica muitas outras questões. “Tem que haver uma triagem, um preparo psicológico e um acompanhamento, e a falta dessa estrutura pode ser a causa da ausência de centros públicos que realizem a cirurgia aqui”.
O urologista ainda lembra que há pré-requisitos para quem quer passar pela esterilização. “Não é qualquer pessoa. Apenas homens com mais de 25 anos e com, pelo menos, dois filhos vivos podem ser esterilizados.” Ele apoia o que o Conselho Federal de Medicina defende: “Toda vasectomia deve ser encarada como definitiva. Para isso, deve haver um processo de orientação para os candidatos à cirurgia”.