Por: Roberto - 19/05/2017
63
– Quantia pode ser maior, visto que essa cifra diz respeito somente à segunda parte das auditorias…
– Nos valores está contabilizado a quantia não paga à Caxé, uma das empreiteiras, no valor de R$ 707.624,03. Embora tenha sido liberado o valor a mais, nesse caso em específico, não chegou a ser pago. A Caxé tem outras obras sob suspeita…
– Para onde foi esse dinheiro?
– Até agora não há ninguém preso; investigações ocorrem no âmbito do Tribunal de Contas do Estado, após denúncia da imprensa…
– Há estradas que sequer existiram, mas os pagamentos foram autorizados… Por Rômulo Rocha
_______ A FARRA NUM ANO ELEITORAL… Um prévio levantamento feito pelo Blog Bastidores, do 180, evidencia que na segunda parte das tomadas de contas especiais realizadas nas obras do Instituto de Desenvolvimento do Piauí (IDEPI) há um possível desvio de exatos R$ 13.277.976,97.
Isso incluída a quantia de R$ 707.624,03 aprovada para ser repassada à Caxé, uma das dez empreiteiras acusadas de lesar os cofres públicos no ano de 2014, quando estava à frente do instituto Elizeu Aguiar. O ano era um eleitoral, em que Wilson Martins se afastou do posto de governador para Zé Filho assumir o Palácio de Karnak e concorrer à reeleição.
Ao todo foram feitas 27 auditorias em estradas vicinais na segunda parte dos trabalhos realizados pela III Divisão Técnica da Diretoria de Fiscalização de Obras e Serviços de Engenharia (DFENG), órgão do Tribunal de Contas do Estado (TCE).
Há ainda outras 9 obras em estradas vicinais que não integram esse valor, mas que existem auditorias prontas. Portanto, o rombo pode ser maior ainda.
A cifra, de todo modo, já é assustadora, visto que tais desvios ocorreram em um ano eleitoral, com um vigoroso e suspeito aumento nos gastos com estradas vicinais no IDEPI.
_O ex-gestor mor do IDEPI, Elizeu Aguiar. Esta semana ele anunciou que deixaria a presidência do River em outubro, alegando que iria se dedicar à sua família e aos seus negócios. Onde foram parar esses R$ 13 milhões do IDEPI, presidente?

Além da Caxé, figura no rol das dez empreiteiras suspeitas a Construplan, Garantia, MAQTERR, Moderna, Planos, Rede Construção e Perfuração de Poços, Engebrás, F & L Construtora, R. Rocha Construções e Projetos e Sertões Construções e Locação. É quase uma lava-jatinho piauiense em se confirmando as já gravíssimas constatações.
Há a sugestão por parte dos auditores de que todas as dez empresas sejam impedidas de contratar com o poder público e declaradas inidôneas, assim como há a sugestão de responsabilização do ex-gestor Elizeu Aguiar em todos os 27 casos analisados – sendo que um deles, o objetivo da licitação, inacreditavelmente, era o mesmo, e com valores discrepantes. Nem nisso combinaram.
Nesta semana, Elizeu Aguiar anunciou que deixaria a presidência do River em outubro para cuidar “da família e dos seus negócios”. Não deveria deixar de incluir em suas preocupações esse ano de 2014, que ainda deve render bastante, principalmente, se e ele for parar na mira de uma investigação em âmbito criminal.
_Zé Filho, um dos governadores do Piauí no ano de 2014…

UM CASO ÍMPAR DE “MÁ FÉ” Chama atenção em meio a esse enrosco nada republicano com o dinheiro público por parte desse grupo de empreiteiras um caso envolvendo a Engebrás Construções e Transporte.
Diz trecho de um dos relatórios de auditoria da DFENG: “comprovou-se que foram medidos e atestados a execução de serviços no valor de R$ 1.349.881,79 (62,4% do valor contratado), quando nenhum serviço de recuperação de estrada vicinal foi executado, tendo isso autorizado o correspondente pagamento”.
Mas, “além do exposto ficou constada a solicitação de pagamento do contrato, na sua totalidade, pela empresa Engebrás Construções e Transporte Ltda, caracterizando-se má fé, uma vez que os serviços objeto do contrato não foram realizados”.
É realmente de estarrecer.
_Trecho do relatório sobre a ma fé da empreiteira e outros detalhes…

Fonte: 180 graus