Por: Roberto Carvalho - 29/08/2010
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Os doentes renais crônicos possuem uma vida de limitações. A maioria depende das sessões de hemodiálise - uma terapia de substituição renal - e de vários tipos de medicamentos, os chamados medicamentos de uso contínuo. Como o próprio nome diz, deixar de tomar algum desses remédios pode implicar numa série de consequências, que afetam, por exemplo, os ossos e as articulações. No Piauí, a distribuição dos remédios é feita através da Farmácia de Medicamentos Excepcionais. Mas, de acordo com o presidente da Associação de Doentes Renais Crônicos, Osias Lima, faltam medicamentos com freqüência, prejudicando a saúde de quem depende disso para sobreviver. Segundo ele, muitos pacientes, inclusive ele, necessitam constantemente de ampolas de cálcio, mas o Estado não adquire um número suficiente para atender à demanda. Há 11 anos em tratamento, Osias possui pés e mãos deformadas pela falta de cálcio. "Se eu recebesse a medicação com freqüência não teria ficado assim", diz. A situação se estende ainda a outros pacientes. Nessa semana, foi denunciado o caso de Maria dos Reis, de 34 anos, que necessitava de 36 ampolas de cálcio. "São 36 ampolas por mês. Ela está morrendo aos poucos sem a medicação, que está em falta", completou. Há onze anos Osias entrou para o grupo de doentes renais crônicos. Esse também é o tempo que ele dependeu da máquina de hemodiálise. Há um ano ele se submete ao tratamento peritonial, feito em casa a cada seis horas, mas não menos arriscado e doloroso. "Tenho que morar sozinho, por conta dos riscos de infecção". Todos os meses ele se submete a uma bateria de exames e a partir deles são definidas as dosagens de algumas medicações, como é caso das ampolas de cálcio. "Nesse mês o médico me receitou oito ampolas", conta. Além do cálcio sintético, Osias toma diariamente pelo menos mais três tipos de remédios, que ajudam a repor o que o organismo perdeu durante o tratamento. Um dos medicamentos é o Nurupurum, para reposição de cálcio. Junto com as ampolas toma-se ainda o Renagel (para ajudar a levar o cálcio aos ossos). "Ainda preciso de hemá-cias para repor as plaquetas", disse. Se não bastassem esses medicamentos, Osias diz que 90% dos pacientes ainda possuem doenças agregadas, principalmente diabetes e hipertensão e dependem de outros medicamentos. De acordo com ele, mais de 1.600 pessoas estão em tratamento no Estado.
Audiência pública não teve resultado concreto Situada próximo ao ginásio Verdão, na zona Norte de Teresina, a Casa dos Doentes Renais Crônicos abriga no momento 13 pessoas, sendo sete pacientes e seis acompanhantes. A maioria é pessoas que vem de outra cidade em busca de tratamento na capital e não tem condições de pagar para ficar em outro local. A casa vive de doações e constantemente necessita de alimentos e materiais de limpeza. Marilena Pereira, de 37 anos, mora há três anos no local. Ela veio da cidade maranhense de Balsas e vive na casa com o marido que, assim como ela, se submete a sessões de hemodiálise três vezes na semana. Há 22 anos ela se submete à hemodiálise e sobrevive com o auxílio-doença, no valor de um salário mínimo. Com o corpo debilitado, Marilena diz que não há como trabalhar fora e, além disso, "dificilmente alguma empresa quer contratar quem tem alguma doença". Ela depende ainda de três medicamentos, fora as vitaminas. "Não posso fazer o transplante porque tenho uma fratura no fêmur e tinha que fazer uma cirurgia antes", conta. Francisco Solimar Marques, de 48 anos, também faz sessões de hemodiálise três vezes na semana. Todas as semanas é a mesma rotina: ele deixa o município de Porto, a 183 km da capital, com a esposa rumo a Teresina. Eles ficam na Casa do Doente Renal de segunda a sexta-feira e no final de semana voltam para o interior. "Não há o tratamento na região e temos que vir para Teresina", conta Domingas Carvalho Souza, a esposa de Francisco, que dedica a vida para acompanhar o esposo em tratamento. Francisco está à espera de um rim há oito anos e enquanto o doador compatível não aparece é preciso fazer a hemodiálise. Os medicamentos que ele necessita são entregues na clínica onde acontecem as sessões. Francisco está fisicamente melhor que outros pacientes que se submetem ao tratamento. Já Marilena, possui alguns problemas nas articulações. É ela quem define em poucas palavras o dia a dia de um paciente renal: "Nossa vida depende de uma máquina", conclui.
Casa do Doente Renal depende de doações Situada próximo ao ginásio Verdão, na zona Norte de Teresina, a Casa dos Doentes Renais Crônicos abriga no momento 13 pessoas, sendo sete pacientes e seis acompanhantes. A maioria é pessoas que vem de outra cidade em busca de tratamento na capital e não tem condições de pagar para ficar em outro local. A casa vive de doações e constantemente necessita de alimentos e materiais de limpeza. Marilena Pereira, de 37 anos, mora há três anos no local. Ela veio da cidade maranhense de Balsas e vive na casa com o marido que, assim como ela, se submete a sessões de hemodiálise três vezes na semana. Há 22 anos ela se submete à hemodiálise e sobrevive com o auxílio-doença, no valor de um salário mínimo. Com o corpo debilitado, Marilena diz que não há como trabalhar fora e, além disso, "dificilmente alguma empresa quer contratar quem tem alguma doença". Ela depende ainda de três medicamentos, fora as vitaminas. "Não posso fazer o transplante porque tenho uma fratura no fêmur e tinha que fazer uma cirurgia antes", conta. Francisco Solimar Marques, de 48 anos, também faz sessões de hemodiálise três vezes na semana. Todas as semanas é a mesma rotina: ele deixa o município de Porto, a 183 km da capital, com a esposa rumo a Teresina. Eles ficam na Casa do Doente Renal de segunda a sexta-feira e no final de semana voltam para o interior. "Não há o tratamento na região e temos que vir para Teresina", conta Domingas Carvalho Souza, a esposa de Francisco, que dedica a vida para acompanhar o esposo em tratamento. Francisco está à espera de um rim há oito anos e enquanto o doador compatível não aparece é preciso fazer a hemodiálise. Os medicamentos que ele necessita são entregues na clínica onde acontecem as sessões. Francisco está fisicamente melhor que outros pacientes que se submetem ao tratamento. Já Marilena, possui alguns problemas nas articulações. É ela quem define em poucas palavras o dia a dia de um paciente renal: "Nossa vida depende de uma máquina", conclui.