Por: Roberto - 25/12/2017
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O que é o Natal? O que significa este nome e esta data? Por que comemorá-lo? Como celebrar esse dia? Existem inúmeras respostas para essas perguntas, que diferem de acordo com as afinidades subjetivas e culturais de cada pessoa.
A tradição natalina geralmente está associada à decoração iluminada, ceia de natal, troca de presentes, reunião com familiares, entre outros elementos absorvidos da cultura europeia. O feriado trata-se também de uma importante data comercial que movimenta grande volume de vendas de diversos produtos e serviços.
Nem todas as religões e igrejas cristãs aceitam a decoração de Natal.Mas de fato, o Natal é uma data do calendário cristão que celebra o nascimento de Jesus Cristo, o filho de Deus que foi concebido pela Virgem Maria há mais de dois mil anos, em Belém da Judeia, e que morreu crucificado, mas ressuscitou e retornará no futuro.
Assim, a data denota grande valor religioso que não se deve ser relegado a segundo plano. Por isso o modo como cada um observa a data com seu credo é essencial para entender o que significa essa data.
A celebração de Jesus cristo
Padre Gerson, da Paróquia Joana d'Arc.Sendo uma das datas mais importantes este segmento da religião cristã, juntamente com a Semana Santa e o Corpus Christis. Mais do que celebrar o nascimento filho de Deus, o natal comemorado no Piauí foi fundamentado pela Igreja Católica Apostólica Romana. Segundo o Padre Gerson, da Paróquia Santa Joana d’Arc, o natal é uma celebração de Jesus Cristo e todo o seu significado na vida de seus fiéis.
“A Igreja Católica vê o natal como a intervenção de Deus na história da humanidade. O Natal não é somente para nós festejar o nascimento de Jesus, mas também Deus assumindo nossa história”, relata Gerson.
O padre ainda fala que a data, relacionada ao Solstício de Inverno, foi escolhida de forma simbólica para representar a iluminação de Jesus cristo sobre os cristãos. “A igreja viu que o grande Sol que conduz a humanidade é o próprio Cristo. Então se adotou o 25 de dezembro para que fosse proclamado a intervenção e Deus na humanidade”, esclarece.
Outro ponto ressaltado sobre o Natal foi o consumismo, que distancia muitas pessoas da ideia original do Natal, ao tirar o foco do dia destinado a celebração do Filho de Deus e suas lições, para o consumo e a troca de presentes. “Muitas pessoas perderam o foco maior. Ao invés de falar Jesus, só se fala no Papai Noel. Ao invés de se alegrar com a família, só se alegra com o presente”, ressalta o Padre Gerson, citando também que a mídia contribui para a associação do Natal ao consumismo.
O primeiro aniversário
A ótica da Igreja Batista difere da Católica. Para quem participa da denominação, é comemorado apenas o primeiro Natal, ou seja, apenas o nascimento de Cristo, mas não celebra de fato a data 25 dezembro anualmente.
Segundo o pastor Avelar, da Igreja Batista Manancial, as celebrações religiosas em relação a Jesus Cristo são realizadas pelos fiéis de forma restrita ao que está determinado na Bíblia Sagrada. “De fato Jesus Cristo Nasceu a mais de dois milênios atrás. Então trabalhamos o conceito do primeiro, que foi a vinda de jesus ao mundo para salvar a humanidade", disse.
“Nós aproveitamos a dada, mas não celebremos o natal de fato. Até porque não há nenhum mandamento bíblico para celebrar o nascimento de Jesus. O que há no livro sagrado é que Jesus mandou que nós relembrássemos a morte e a ressurreição dele”, esclarece o pastor Avelar.
O Pastor também relata que o Natal está centrado no nascimento de Cristo e como esse fato influi na vida dos cristãos. A celebração da Igreja não incorporara elementos sem respaldo bíblico para evitar o distanciamento do foco do símbolo do Natal.
“Contamos a história do Natal, levando as famílias a perpetuarem esse ensinamento. Não celebrando como elementos que as pessoas sutilizam hoje em dia, como a gente costuma ver elementos que não fazem parte da narrativa bíblica, como o Papai Noel, que é uma lenda que desvirtua o sentido do Natal, colocando essa fantasia em evidência, em detrimento de Jesus”, esclarece Avelar.
Um período de Reflexão
José Lucimar Oliveira, presidente da FepiA Doutrina Espírita reconhece que o natal como uma festa da cristandade e como o aniversário mais importante do mês de dezembro. José Lucimar Oliveira, presidente da Federação Espírita do Piauí, afirma que data também é uma oportunidade para celebrar o nascimento de Jesus de Nazaré, a figura mais para os adeptos.
“Nós nos reunimos para festejar o aniversariante mais importante do mês, Jesus Cristo, que para nós, é nosso guia modelo. Assim, o que nós queremos é todos possam seguir os ensinos de Jesus”, informa José Lucimar.
O Espiritismo aponta a data como um a reflexão sobre Jesus Cristo e sua influência nas vidas dos seguidores. “Então, nesse Natal, é necessário que realizamos uma análise do nosso comportamento. Será se estamos cumprindo os ensinos de Jesus? Tomemos isso como lição”, reforça José Lucimar Oliveira, afirmando também que essa reflexão deve ser realizada todo dia.
Quanto as tradições natalinas praticadas de forma tradicional, como a decoração, José Lucimar Oliveira cita que não faz parte da doutrina. “As nossas ornamentações não fazem partes das nossas práticas. Cada um festeja Jesus como bem lhe prover”, pontua.
Mas um dia de caridade
Se para os cristãos e espíritas, Jesus está no centro da religião, na tradição umbandista, não há isso. O presidente da Federação Umbandista do Brasil Itamar Andrade diz que filho do Deus cristão é sincretizado em Oxalá, o orixá responsável pela linha religiosa. Por isso, tem importância igual a dos outros orixás da religião. “Para nós o Jesus Cristo é sincretizado como Oxalá, que nós veneremos como um dos sete orixás”, ressalta.
Muitos centros de umbanda comemoram o 25 dezembro como dia de Oxalá, mas tal celebração varia de acordo com o tipo de templo que comemora, uma vez que as práticas umbandistas diferem entre as regiões.
“Não há um registro comprovado a data como a verdadeira data de nascimento de Jesus. Não temos registro do exato dia de Oxalá. Para nós, os sete orixás passam pelo dia. Cada hora do dia é um Orixá diferente que dirige”, esclarece Itamar Andrade.
O presidente também cita que embora a data não seja celebrada como no cristianismo, os umbandistas aproveitam a data para intensificar seus trabalhos de caridade e ajuda ao próximo.
“O natal é um evento do calendário da religião cristã. Não evento nosso, por isso, para nós 25 de dezembro é um dia como qualquer outro, mas respeitamos as tradições cristã. Respeitamos o nascimento de Cristo. Nos recolhemos nesta data para intensificar nossa assistência a quem precisa”, afirma Itamar Andrade.