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Saúde

Pílula do dia seguinte pode comprometer a saúde da mulher

Pílula do dia seguinte só deve ser comprada com prescrição médica

Por: Roberto Carvalho - 24/09/2010

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A pílula do dia seguinte, tão lembrada em polêmicas sobre o aborto, pode não funcionar. Foi o que aconteceu com a estudante Marcine de Sousa. Ela usou o medicamento 14 horas depois da relação sexual e não funcionou. “Eu engravidei. E tenho certeza, pelas contas que fiz, que engravidei nesse dia, antes de tomar a pílula do dia seguinte, até porque eu não estava tendo relações com muita frequência. Então, a pílula falhou. Eu não confio mais. Uso outros métodos, tomo comprimidos, mas pílula do dia seguinte, já sei que é balela.”, diz ela.O método da pílula do dia seguinte tem uma margem de falhas muito grande: a eficácia é de, no máximo, 80%. É o que diz a ginecologista Marta Rosal: “As mulheres tomam a pílula do dia seguinte e acham que estão totalmente seguras. Quando vem um sangramento então, elas pensam que estão livres de uma gravidez. Mas não é bem assim. A pílula provoca irregularidade menstrual, e o sangramento muitas vezes é provocado pela própria composição da pílula”, explica a médica.Para ter total segurança de que a pílula funcionou e não ter surpresas, só mesmo fazendo o exame de gravidez beta HCG 15 dias depois da relação sexual. Outra questão também é que só o procedimento só tem chances de funcionar se a pílula for tomada até 72 horas depois da relação sexual. Quanto mais precoce for o seu consumo, maior a sua eficácia.A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) veio a público recentemente dar esclarecimentos à população. É que os medicamentos Femina, Postinor Uno e Postinor 2 tiveram sua importação suspensa, mas, de acordo com a Anvisa, não oferecem riscos para a saúde das usuárias. Foi meramente uma questão burocrática, e tão logo as correções sejam feitas, a importação das pílulas será normalizada.A importação dos medicamentos foi suspensa, mas sua comercialização, não. Já que não oferecem perigo, nas farmácias, a venda dessas três marcas não foi interrompida, podendo-se encontrar facilmente qualquer um dos três medicamentos. Mas, o uso da pílula do dia seguinte deve ser sempre orientado por um profissional médico ou farmacêutico.“O grande problema é que as mulheres não procuram um profissional. Vão direto às farmácias e compram a pílula do dia seguinte sem prescrição nenhuma. O vendedor, na drogaria, não tem autoridade para dar orientações”, diz o ginecologista José Araújo Brito.Segundo informações da Anvisa, as inspeções em drogarias e farmácias são constantes, e a Anvisa está atenta a irregularidades, tirando de circulação medicamentos que ofereçam risco à saúde.A pílula do dia seguinte é um método contraceptivo de emergência e só deve ser utilizada em último caso. “A pílula do dia seguinte não pode ser usada como método de rotina. Tem mulheres que usam 5, 6 vezes. Não pode. Essas pílulas têm uma composição hormonal que, tomada repetidas vezes, pode provocar doenças, como alterações nas mamas e no útero. Então, a mulher só pode tomar a pílula do dia seguinte uma ou, no máximo, duas vezes”, enfatiza a ginecologista Marta Rosal.
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