Saúde
Aborto supera câncer de mama em internações na rede pública
É CADA vez maior o número de mulheres que optam pelo aborto no país
Por: Roberto Carvalho - 13/10/2010
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A interrupção da gravidez provocada - sem ser a espontânea ou por motivos médicos - é um dos procedimentos que mais ocupa leitos dos serviços públicos e privados na área de saúde da mulher. Nos seis meses primeiros meses de 2010 foram 54.339 internações por este tipo de ocorrência, uma média de 12 casos por hora.Os números registrados entre janeiro e julho são 41% su-periores à soma de internações por câncer de mama e câncer de colo do útero (38.532), duas doenças consideradas pelos governos federais, estaduais e municipais como grandes desafios de assistência ao sexo feminino.O assunto saiu do anonimato diário de muitas mulheres para virar tema político. Neste segundo turno das eleição presidencial, José Serra (PSDB) e Dilma Roussef (PT) pautaram suas agendas para falar sobre - ou evitar - o tema.CUSTOS - O levantamento, feito pelo Delas no banco virtual do Ministério da Saúde, mostra ainda os custos do aborto provocado considerado crime pela legislação brasileira. No período analisado, foram gastos R$ 12,9 milhões para internar mulheres com hemorragias, infecções ou perfurações desen-cadeadas após o procedimento realizado em clínicas clandestinas. Para chegar ao dado, a re-portagem excluiu do mapea-mento o total de internações por "aborto espontâneo" (66.903 registros em seis meses) e "aborto por razões médicas" (905). Só foi considerada a categoria "outras gravidezes que terminam em aborto"."São dados que mostram como a criminalização e a manutenção do aborto na clandestinidade são ineficazes do ponto de vista da saúde", afirma o médico Thomaz Gollop, diretor da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência e coordenador do Grupo de Estudo sobre o Aborto (GEA), que reúne médicos, psicólogos e juristas."Ainda que a legislação faça com que estas mulheres não possam ser atendidas incial-mente nos hospitais (para a realização do aborto) elas chegam depois, machucadas e em estado grave de saúde. Em Pernambuco, o aborto é a principal causa de morte", diz Gollop, ao explicar porque considera a legislação atual um contrassenso.