Saúde
Pacientes renais sofrem sem receber a medicação em dia
As ampolas com a substância Alfaepoetina estão em falta nas clínicas de hemodiálise do Piauí
Por: Roberto Carvalho - 20/10/2010
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As ampolas com a substância Alfaepoetina estão em falta nas clínicas de hemodiálise do Piauí. A medicação é de uso contínuo e necessário para os pacientes renais crônicos e tem por função recuperar as perdas sanguíneas do tratamento através da criação das plaquetas vermelhas no organismo. De acordo com o presidente da Associação dos Pacientes Renais Crônicos e Transplantados, Osias Lima, a medicação está em falta há 45 dias e cerca de duas mil pessoas no estado precisam dela para manter sua qualidade de vida. Ele diz que nada explica o não repasse das ampolas pela Farmácia de Medicamentos Excepcionais da Secretaria Estadual de Saúde – Sesapi. Os pacientes renais crônicos recebem a medicação nas próprias clínicas onde fazem tratamento. Por mês, o Ministério da Saúde envia para o Piauí R$ 8 milhões, destes R$ 2 milhões são destinadas para a compra dos remédios para os pacientes com esta patologia, mas existe a contra partida do governo do Estado, que gira em torno de 20% a 30%. “O dinheiro chega na conta única do Estado todo o fim de mês. Assim que o paciente não recebe a dosagem necessária logo, todo nós da associação, ficamos sabendo. Nada justifica esta situação porque o dinheiro que vem do governo federal não atrasa”, disse o Osias Lima. “A medicação não se encontra, é comprada de distribuidores e é de uso controlado. O caso é tão sério que é acompanhado pela OMS (Organização Mundial de Saúde)”, completa. Além das ampolas de Alfaepoetina também está em falta os frascos do remédio Renagel, contendo 180 comprimidos. Osias explica que seu consumo mantém o paciente em pé, sem precisar de cadeira de rodas para se locomover. Ele toma por dia nove cápsulas dessa medicação. A Sesapi nega a falta da ampola Alfaepoetina, pois na última sexta-feira (15) foi realizada uma vistoria nas clínicas de hemodiálise e não foi constatada a ausência da medicação. A secretaria diz que no cadastro do paciente é especificada a dosagem exata para o tratamento e que às vezes essa quantia pode ser aumentada pelo médico. Assim, a clínica não pode repassar a nova especificação sem a atualização do cadastro.