Geral
Crédito para habitação atinge
R$ 125 bi, diz Banco Central
Por: Roberto Carvalho - 06/12/2010
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Brasília - O crédito habita-cional no Brasil atingiu em setembro a marca histórica de R$ 125,2 bilhões. O avanço de 3,8% do volume contratado sobre agosto foi puxado pelos bancos públicos, com a CEF à frente. O total foi 51,4% maior do que o identificado no mesmo período do ano passado, que somou R$ 82,7 bilhões, segundo divulgou o BC à época. As instituições públicas continuam tendo especial peso no crédito habitacional, com participação de 75,5% sobre o total emprestado em setembro. Os bancos privados ficaram com 14,19% e os estrangeiros, 10,26%. Apenas em agosto, os bancos públicos emprestaram R$ 94,57 bilhões, enquanto os privados destinaram R$ 17,77 bilhões ao crédito habitacional e os estrangeiros, R$ 12,86 bilhões. Em paralelo ao esforço do financiamento público, um reforço extra ao crédito foi dado em setembro pelo Conselho Curador do FGTS, que aprovou duas alterações na lei que regula o uso dos depósitos para quitação extraordinária do consórcio imobiliário. Antes, o investidor que financiava algum imóvel pelo SFH, tendo quitado ou não ficava impedido de usar o FGTS para pagar parte do saldo devedor de sua cota de consórcio. Pelas novas regras, o fundo passou a ser liberado para o mutuário que já tiver seu financiamento pelo SFH quitado ou que tenha alienado ou transferido o imóvel. MUDANÇAS - Antes, a lei também impedia o uso das contas caso o titular do consórcio tivesse imóvel no mesmo município ou cidades vizinhas de seu local de trabalho ou residência. Isso mudou, desde que o dono do imóvel comprove alienação ou transferência do referido imóvel. O número de participantes no consórcio imobiliário cresceu 7,8% em setembro, na comparação com o mesmo mês de 2009, atingindo 568 mil pessoas. Segundo dados da Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios (Abac), nos nove primeiros meses do ano, as contemplações aumentaram 4,2%, na comparação com o mesmo período de 2009, chegando a 50 mil. De janeiro a setembro, a venda de novas cotas atingiu a marca de 170 mil, o que representa alta de 10,6%, em relação a igual período do ano passado. Segundo a Abac, de março a outubro de 2010, 2.659 participantes usaram o FGTS para quitação ou amortização de parcelas de consórcio, num total de R$ 45,2 milhões. Um dos fatores que explicam os números crescentes é o apetite da chamada classe C. Pesquisa recente do Instituto Ibope mostra que quase 40% desse grupo manifesta desejo de comprar imóvel nos próximos meses. Ao todo, são 37 milhões de pessoas, entre os quase 100 milhões de indivíduos que fazem parte da nova classe média. Nas classes inferiores, a percepção do déficit habitacional é ainda maior. Em setembro, o IBGE mostrou que o percentual de famílias que vive em apartamentos é menor na população de baixa renda. A pesquisa mostrou que 96,6% da população de menor rendimento vive em casas, ante aos 87,5% da população geral.