Por: Roberto - 25/10/2019
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Teresina e cidades do interior do Piauí vem sendo atingidas por temporais desde setembro, mês que começou o período mais quente do ano, denominado B.R.O Bró, corresponde aos meses de setembro a dezembro, onde as temperaturas chegam facilmente a 40°.
O Portal Douglas Cordeiro conversou com o professor e climatologista Werton Costa, que explicou o que está acontecendo no estado, já que o esperado é de apenas muito sol e calor.
"De fato foram registradas tempestades isoladas, que aconteceram também em outubro, que causaram muitos transtornos para os teresinenses. Mas temos um fenômeno totalmente novo, que são as tempestades generalizadas, nós temos tempestades agora e em pontos mais distantes, principalmente no extremo sul, na faixa cerradeira e faixa sertaneja. A causa desses temporais é totalmente diferente dos anteriores, e ela está conectada a um fenômeno maior, que é a umidade amazônica e os temporais que ocorrem no chamado cerrado central, sobretudo na área produtiva que conhecemos como Matopiba", disse o climatologista.
O climatologista falou sobre a tempestade que atingiu Teresina no dia 22 de outubro, que causou muitos estados na cidade. Segundo Werton, foi uma tempestade surpreendente, que atingiu também o interior do Piauí e o fenômeno pode voltar a se repetir.
"No dia 22 tivemos núcleos espraiados, quando digo núcleos, são nuvens de tempestades que formaram um alinhamento surpreendente e eu ainda não tinha visto tal fenômeno em outubro nos últimos cinco anos em que estou na Uespi coordenando o trabalho da climatologia, e o alinhamento que ele se espraiava de Esperantina até a microrregião Valenciana, nuvens alinhadas e tempestades que ocorreram de forma isolada próximas a Bom Jesus, Uruçuí, Floriano e tivemos toda a parte do semiárido como Paulistana, Queimada Nova, Aroazes, Valença, Angical e outras cidades do Médio Parnaíba ao sertão receberam a formação desses núcleos temporais. Exceptuando Uruçuí, cujo volume de chuva foi seis vezes o previsto para o mês, as demais precipitações foram mais pontuais. Tratava -se de um fenômeno de chuva rápida, aquela chuva de poucos milímetros, de 5 a 10 milímetros, o que não deixa de ser expressivo pra outro, já que outubro é um mês seco, e a nossa pré-estação começa mesmo em novembro. Então, nós tivemos uma área de baixa pressão, porque essa umidade não é nossa, ela é amazônica, essa área de baixa pressão estava posicionada ao centro do Brasil, posicionando no estado de Goiás para Minas Gerais e ela começou a atrair a umidade amazônica, sobretudo vinda do Pará. Boa parte dessa umidade chegou ao Piauí pelo Maranhão e formou esses núcleos de temporais. Tanto que nós não tivemos essas chuvas na costa leste, ou seja, do Rio Grande do Norte até a parte norte da Bahia não ocorreram esses temporais e mais da metade do Ceará não teve manifestação desses temporais, foi um fenômeno mais concentrado no nordeste ocidental: Piauí, Maranhão, um pedaço da divisa do Ceará com Piauí e oeste baiano, disse.
Existe a preocupação com moradores dessas regiões que estão na mira de fortes temporais para os próximos dias. Tem o risco de alagamento e destruição. Mas existe um risco real, as descargas elétricas.
"O que nos vimos de mais pontuais nesses temporais é que nós estamos tratando de nuvens de crescimento rápido, o maior risco hoje são as descargas elétricas. Infelizmente tivemos um acidente recente com um piauiense vítima de descarga elétrica, e essas áreas em que esses núcleos estão se formando são áreas do agronegócio, da agricultura familiar, onde tem muita gente preparando a roça, está em área descampada e essas áreas são vulneráveis as chamadas descargas nuvens solos, que são as mais comuns. Então, no primeiro indício de formação de temporal essas pessoas devem procurar um abrigo seguro, porque esse período do ano o calor é combustível para raio, nós temos um nuvem de temporal e a condição térmica está elevada os raios tendem a ser formar. Então, evite ter contado com árvores, evite áreas livres, dentro de casa não fique próximo a janelas, varandas, não fique conectado na rede elétrica, se ficar no carro não esteja em contato com partes metálicas. Essas recomendações são fundamentais, porque esses temporais, além das rajadas, porque tem quantidade de calor e umidade que pode pode proporcionar isso, tem as descargas que representam o maior risco", orientou o climatologista Werton Costa.
Climatologista Werton Costa / Foto: Portal GP1
Fonte; portaldouglascordeiro