Justiça
Deputados do Piauí são intimados pela Polícia Federal
Por: Roberto Carvalho - 22/06/2011
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Dezenove deputados, ex-deputados e servidores da Assembleia Legislativa do Piauí deverão prestar depoimentos ainda esta semana na Polícia Federal. Eles foram intimados para se manifestarem acerca de um processo que corre em segredo de Justiça e que tem como relator o desembargador Haroldo Oliveira Rehem.Procurado para comentar o caso, o desembargador se esquivou de prestar maiores esclarecimentos. "O processo corre em segredo de Justiça e não posso me manifestar publicamente sobre sob pena de ser responsabilizado civil e criminalmente", esclareceu.O mesmo argumento foi utilizado pelo advogado dos parlamentares, William Guimarães. Entretanto, segundo o advogado, esse será o primeiro depoimento a ser prestado pelos envolvidos. "Nenhum deles prestou esclarecimentos até agora. O que posso dizer é que estamos tomando todas as medidas judiciais cabíveis na defesa do caso", completou.Nos bastidores, os comentários são de que a assessoria jurídica dos parlamentares tentou que os mesmos fossem ouvidos pela Justiça Estadual. No entanto, o desembargador Haroldo Rehem teria decidido que os mesmos seriam ouvidos pelo delegado federal Janderlyer Gomes, que é o responsável pelas investigações de combate ao crime organizado.A existência de uma investigação contra parlamentares estaduais por parte da Polícia Federal foi revelada pelos próprios deputados. No entanto, por conta do segredo de Justiça, não há confirmação sobre o teor das investigações. Inicialmente, se especulou que o alvo da investigação seria a existência de um consórcio realizado entre os deputados, a partir do qual, mensalmente, um parlamentar seria contemplado com um montante de R$100 mil, correspondente aos valores arrecadados dos salários dos parlamentares em cotas mensais.O assunto movimentou ontem (22) os corredores da Assembleia e gerou protestos de deputados. Alguns deputados chegaram a questionar a competência da Polícia Federal para realizar as investigações, já que a Assembleia Legislativa só recebe recursos oriundos dos cofres públicos estaduais, e a Polícia Federal atua, normalmente, no combate à corrupção e desvio de recursos públicos federais.