Por: Roberto Carvalho - 23/06/2011
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Fotos: CCom/PI

Ele deu como exemplo um levantamento recente feito no hospital de São João do Piauí. Dos 3 mil pacientes atendidos, 2,4 mil poderiam procurado um posto de atenção básica, deixando o hospital para ser usado justamente para seu fim, que é a urgência e emergência (casos mais graves, como cirurgias ortopédicas, hemorragias, etc).Para Lílian Martins, uma das falhas do PSF é que o programa não tem carreira médica, o que dificulta a permanência do profissional nos municípios menores, mesmo com as prefeituras pagando salários maiores. "Quando um médico atende pelo PSF, ele não cumpre a carga horária contratada, porque também trabalha em outros locais. Aí, quando ele não está, o município fica sem médico. O que resta à população? Procurar as unidades maiores, no caso, os hospitais da rede estadual", contou a secretária. Hoje, o Piauí tem 17 hospitais no interior do Estado.

Lílian Martins apresentou um diagnóstico geral da saúde no estado. A gestora falou que tem consciência das dificuldades enfrentadas pelo SUS e que o sistema não é tão bom como se propõe. "34% dos brasileiros acham que o SUS é bom, mesmo com as dificuldades. Todos nós brasileiros, em algum momento, utiliza o SUS, mesmo que tenha muito dinheiro. Quando a gente vacina nosso filho em um posto de saúde usa o SUS", afirma. A secretária foi enfática em dizer que seu objetivo a frente da Sesapi é garantir o acesso à saúde. "Estamos fazendo pausas, curvas, mas o objetivo está sendo perseguido. Se eu não conseguir ampliar o acesso não terei conseguido nada. Uma das ações foi profissionalizar a gestão", declarou. "Já tive necessidade de fazer três modificações e farei quantas forem preciso. Todas foram por conta de ajustes", acrescentou.Lilian Martins falou dos leitos de UTI no Piauí e aproveitou a oportunidade para informar que a cidade de Piripiri ganhará sua unidade no final de julho. No total, o estado possui 166 leitos de UTI entre privado e público.A gestora falou do orçamento destinado à saúde em 2011, que gira em torno de R$ 650 milhões. Abordou ainda a aprovação da PPI (Programação Pactuada Integrada) entre municípios do estado, da municipalização de hospitais, este último, por sinal, um desafio para a gestora. "Foram 78 municipalizados. Alguns deram certo e outros não deram certo por vários problemas. Ações políticas de dizer que vai trancar o hospital não é correto. Quem quer resolver o problema de saúde não precisa fazer espetáculo. Já negociamos com 14 cidades", explicou.A secretária encerrou sua apresentação na Alepi falando da realização de um concurso público para diversas áreas, que deve acontecer em agosto. Firmino sugere mudar a lei que regula gastos com saúde no EstadoVários deputados fizeram apartes a secretária. Nunes (PSDB) disse que a gestora sempre será bem-vinda na Casa. "Quero louvar pela coragem de si dispor em gerenciar a saúde pública do estado", afirmou. O deputado Firmino Filho (PSDB) parabenizou a secretária por ter a iniciativa de ir até à Alepi.Firmino informou que apresentará oficialmente projeto para que o governo do Piauí modifique a lei estadual que estabelece os custos que são computados como gastos de saúde, para completar o percentual de 12% que devem ser investidos no setor, conforme estabelece a lei."Vamos sugerir que e lei estadual seja modificada para que se adapte ao que estabelece o Conselho Nacional de Saúde e portaria do Ministério da Saúde. A lei estadual modificou esses critérios, considerando como gastos em saúde algumas despesas que não se enquadram como tal. Isso vai permitir um aumento nos recursos destinados ao setor", explicou Firmino Filho.Durante a explanação da secretária, o deputado tucano também sugeriu que o Hospital da Polícia Militar seja gerido por uma organização social, como ocorre atualmente com a Ceir, como forma de melhorar o gerenciamento daquela unidade de saúde, que o parlamentar considera de fundamental importância par atuar na retaguarda de atendimento aos pacientes oriundos do HUT.A secretária de Saúde agradeceu a sugestão do parlamentar de oposição e disse não ter nada contra a idéia e admitiu que pode vir a adotá-la. "Sou a favor. É uma das saídas, uma das tentativas para melhorar a questão do gerenciamento e do fluxo", afirmou Lilian Martins após a proposta de Firmino Filho, ressaltando os avanços já conseguidos naquela unidade de saúde.