Por: - 12/04/2012
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Menos de 2% dos municípios que aderiram ao Seguro Safra em 2011 conseguiram receber o benefício. Foram 126 municípios inscritos, num total de 68.316 famílias. Porém, o seguro só foi liberado para as cidades de Itaueira e Caridade do Piauí que, juntas, tiveram cerca de mil famílias contempladas. Nos outros municípios as perdas na safra ficaram abaixo de 50%, percentual exigido pelo Ministério de Desenvolvimento Agrário. Para esse ano, espera-se que o número de benefícios liberados seja bem maior, visto que essa é apontada como uma das piores estiagens dos últimos anos.
Até o momento, 159 municípios já aderiram ao seguro, num total de 89.870 famílias. Vale lembrar que a cota estabelecida para o Piauí contempla 90 mil famílias. "Nós estamos orientando os agricultores a procurarem as prefeituras dos seus municípios, para se certificarem se o prefeito está cumprindo com os prazos e se eles já pagaram a contrapartida. Se alguns dos passos não forem cumpridos, os agricultores podem ser prejudicados", alertou o secretário de Políticas Agrícolas da Fetag (Federação dos Trabalhadores em Agricultura) no Piauí, Paulo Carvalho.
De acordo com os dados da Federação, somente 7,72% dos municípios que aderiram ao seguro já efetuaram o pagamento da contrapartida. Esse pagamento deve ser feito até o dia 31 de maio. "Já estamos com 70 municípios que decretaram estado de emergência. Só na região do Semiárido, são 152 municípios que enfrentam problemas de estiagem. São 250 mil famílias com dificuldades, 200 mil concentradas só nessa região", completou. Paulo acredita que se todos os prazos forem cumpridos, o número de famílias beneficiadas nesse ano será bem maior, pois seguramente a perda da safra não ficará abaixo dos 80%.
Ele explica que após a adesão dos municípios, acontece uma vistoria - geralmente realizada por um técnico da Emater - para elaboração do laudo que comprove se mais da metade da safra foi perdida, como atesta os agricultores. O primeiro passo para a liberação do Seguro Safra é a adesão dos prefeitos. Em seguida, os agricultores fazem a adesão, quando pagam a taxa de R$ 6,80. As prefeituras têm até o dia 31 de maio para mandar o comunicado de perda da safra. A contrapartida do município fica em 6%, para o Estado é 20% e o restante é pago pela União, através do MDA.
O valor do seguro é de R$ 680, pago em cinco parcelas de R$ 136. O secretário de Políticas Agrícolas diz que a situação é pior para as culturas de mandioca e caju. "O tempo do plantio já passou e os agricultores não conseguiram plantar. O impacto será sentido só no próximo ano, quando esses produtos podem faltar no mercado e provocar um aumento nos preços", destaca. Paulo diz que a situação é tão grave no Estado que já há agricultores utilizando carros-pipas para amenizar os prejuízos.
O Seguro Safra é a garantia de sobrevivência para os agricultores que perderam a safra. Sem o benefício, a maioria deles não encontra outra alternativa senão deixar o Piauí para trabalhar em outros Estados. "No Semiárido, os agricultores estão vendendo seus animais por conta da falta d'água", conclui.