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Geral

Seca reduz produção agrícola em 60% no Piauí

Por: - 27/05/2012

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Segundo a presidente Dilma Rousseff, a seca que está atingindo o Brasil este ano pode ser a maior dos últimos 30 anos, chegando a atingir mais de 1.000 municípios. Pensando nisso, o Governo Federal já programou investimentos da ordem de R$ 2,7 bilhões para combater os efeitos da estiagem, assim como estão sendo antecipadas as metas do programa Água para Todos. A partir destes recursos, a expectativa é de que sejam instaladas 32 mil cisternas de consumo, 2,4 mil sistemas simplificados de abastecimento, 1,2 mil barreiros e recuperar 2,4 mil poços. Serão destinados também R$ 164 milhões à Operação Carro Pipa, para a distribuição de água potável. O Governo Federal também estará distribuindo aos agricultores familiares afetados R$ 680,00, em cinco parcelas, através do Garantia Safra ou R$ 400,00, no âmbito do Bolsa Estiagem e criando uma linha de crédito para os produtores rurais e agroindustriais dos municípios em situação de emergência.Para os pequenos produtores, o limite de crédito varia de R$ 2,5 mil a R$ 12 mil, com juros de 1% ao ano. Para os médios e grandes produtores e agroindustriais, o limite de crédito é de R$ 100 mil com juros de 3,5% ao ano. O Ministério da Integração Nacional também está realizando obras estruturantes nas regiões atingidas, com recursos da ordem dos R$ 16 bilhões, desde 2007 e que devem seguir até 2015, de forma a garantir água de forma mais acessível.

 

Ações que estão sendo desenvolvidas no PiauíSegundo o diretor geral do Emater, Romualdo Militão, hoje as principais ações de convivência com a seca que tem sido desenvolvidas no Piauí são os sistemas de barraginhas e cisternas. Ele explica que 1.200 barraginhas já estão prontas para serem entregues pelo governador Wilson Martins ainda este mês, e vão beneficiar 1.200 comunidades. Também já estão aprovadas onze mil cisternas para o estado."Além dessas, estamos concorrendo com o MDS para receber mais sete mil cisternas. Mas para suprir a necessidade do Estado, hoje seriam necessárias 35.000 cisternas", explica. Lúcia Araújo, diretora de Convivência com o Semiárido do Emater, explica que as ações desenvolvidas são voltadas para atender às características de região."É preciso aprender a conviver com esses períodos de seca, mesmo em suas variações mais graves, como está acontecendo agora. É de fundamental importância um estudo da realidade que precisa ser aprofundado, em especial juntamente com quem mora na região para que possam enfrentar a situação", afirma.Hoje uma ação que vem dando certo é a política de captação de água, que já é bastante difundida. Ela explica que todos os anos a população sentia essa dificuldade e aprendeu com isso, hoje a captação é feitada forma correta. "Através de uma tecnologia ideal para a região, que são as cisternas, o produtor tem o armazenamento perto de casa e evitando a evaporação e a contaminação", afirma. Ela explica que esse mesmo processo também está sendo repassado para os agricultores. "É preciso fazer uso de planejamento inovador como as cisternas de calçada, que são destinadas, à acumulação de água nas proximidades das plantações para irrigação. Também é importante conhecer as características de cada região para ser feito o plantio e a criação de animais ideais para a região, como por exemplo, a produção de abelhas e caprinos. A natureza tem sua realidade e temos que ter ações para conviver com ela. Tem que haver uma adaptação", explica. Lúcia diz que as ações de políticas públicas atuais ainda são muito novas, mas as famílias estão tendo que incorporá-las à sua realidade, e tem tido um resultado significativo, mas ainda falta um engajamento maior, com um envolvimento maior da convivência pessoal dos produtores.

Projeto Barraginhas minimiza efeitos da estiagemO Projeto Acesso a Água para a produção de alimentos para consumo por meio do sistema de barraginhas apresenta-se como mais uma alternativa para o enfrentamento das adversidades da seca no Estado, uma vez que tem a proposta de política social apropriada à população das áreas assistidas. As ações, portanto, se justificam amplamente por desencadear processo de mobilização social e difusão de tecnologia com foco na produção de alimentos para o autoconsumo e, consequentemente, convivência com o semiárido nos municípios contemplados.O Sistema Barraginhas eleva o nível de água no solo, o que é percebido visualmente pela elevação do nível das cisternas, umedecimento das baixadas e até o surgimento de minadouros. Na prática, isso tem uma importância muito grande, porque ameniza estiagens, propiciando plantios de safrinhas após o enceramento do ciclo chuvoso. Ao perenizar também alguns mini-açudes de baixadas, oferece as condições necessárias para a instalação de criatórios de peixe, bem como para irrigação suplementar na produção de frutíferas e hortaliças. Esse projeto atende atualmente, com sistema de barraginhas e produção de alimentos, a mil famílias rurais em vinte municípios piauienses.

Seca prejudica produção agrícola em todo o Nordeste

A falta de chuvas está prejudicando a safra agrícola e agropecuária do Nordeste. Em Pernambuco, houve uma queda de 50% na produção de leite. Sem pasto e água, mais 9 mil animais já saíram do estado, por medo dos produtores de que os animais morressem. No Rio Grande do Norte o maior prejuízo foi na produção do caju, que consequentemente prejudicou a produção de castanha. O estado que é um dos maiores produtores de castanha do Brasil com uma produção e aproximadamente 50 mil toneladas por ano, em 2012 será de menos de 10 mil toneladas, com mais de 80% de perda da produção. No Piauí, os prejuízos já alcançaram as culturas de feijão, milho, mandioca e arroz. Segundo estimativas do Emater-PI, existe uma perda acima de 60% da produção agrícola do estado. "Não tem perigo de faltar qualquer desse alimentos na mesa do consumidor piauiense, mas a situação é bem precária em alguns municípios. Em algumas regiões os agricultores não conseguiram nem realizar o plantio, deixando de produzir 100% do que era esperado", afirma o diretor geral do Emater Romualdo Militão.Outra produção atingida pela falta de chuvas foi a de mel. Segundo a Central de Cooperativas Apícolas do Semiárido Brasileiro (Casa Apis), a estimativa é de perdas em torno de 50% em todo o Estado. A produção de mel da Região Sul vai de janeiro a junho, e somente entre os meses de janeiro a março as perdas nos municípios de Picos e Simplício Mendes chegaram a 70%. Para manter as abelhas nas 36 comunidades da região está sendo realizado um trabalho artificialmente com suplemento à base de água e açúcar.

Operação Pipa, do Exército, se repete há 14 anos nos Estados do Nordeste

Além das obras que estão sendo feitas para a convivência com a seca, ainda é desenvolvida em todo o Nordeste a Operação Pipa, realizada pelo Exército brasileiro através de recursos do Ministério da Defesa e Ministério da Integração. Apesar de ser em caráter emergencial, essa operação já é realizada há 14 anos nos estados nordestinos. Segundo o tenente coronel Silva Marques, comandante do 25º Batalhão de Caçadores de Teresina, todo o processo de fornecimento de água através de carros pipa tem início no próprio município, que precisa decretar situação de emergência. "Quando o município faz isso, a Defesa Civil do Estado comunica à Defesa Civil Nacional. Somente aí vem a resposta para que o 25º BC faça a verificação para os locais de coleta e fornecimento de água", explica.

Após receber o crédito do Ministério da Integração, o Exército realiza a distribuição do ticket/crédito pelos municípios conforme a necessidade verificada pelos militares que foram ao terreno em conjunto com os representantes das Comissões de Defesa Civil municipais - Comdecs. Os Comdecs é que são responsáveis por fazer o levantamento de cada região, além de designar um guia que levará a equipe às comunidades que serão visitadas.Além de ficar responsável pela verificação dos pontos de coleta de água, o Exército brasileiro também é o responsável pela contratação dos "pipeiros", que são orientados a coletar água somente nos mananciais apontados. O "pipeiro" recebe pelo trecho percorrido entre a coleta e a distribuição da água e de acordo com as condições da estrada.O exército brasileiro também é responsável pela fiscalização dos "pipeiros" para verificar se cada um está fazendo a coleta nos locais corretos, se está transportando a quantidade certa e realizando a troca correta dos tickets de água. "Não abrimos mão da fiscalização e de cobrar dos 'pipeiros' o cumprimento correto do contrato, principalmente com relação à qualidade da água entregue. Todos os nossos carros pipa são adesivados com o número do Disk Denúnica e as pessoas que se sentirem prejudicadas podem entrar em contato para comunicar as irregularidades", afirma o tenente coronel Silva Marques.Em 2012, a demanda por carros pipa aumentou consideravelmente. Em 2011, foram atendidas 48 cidades do Piauí, com 201 carrospipa. Este ano já são 67 municípios atendidos, com 326 carros pipa e ainda há um indicativo que mais 15 cidades serão inseridas no fornecimento de água.

Ações conjuntas com agricultores podem trazer bons resultados Apesar dos esforços divulgados para atender às vítimas da estiagem, algumas entidades acreditamque o trabalho que está sendo desenvolvido está atrasado. O sociólogo Carlos Humberto Campos, da Cáritas Brasileira, explica que as entidades que participam do Comitê Estadual de Ação de Convivência com o Semiárido já propuseram ao Governo Federal que fosse criada uma frente para se reunir com freqüência e elaborar projetos, buscar recursos, e alternativas de convivência com a seca. "Seria uma grande frente para construir essas propostas junto com os agricultores. Hoje existe um distanciamento desse conhecimento dos agricultores com o que é trabalhado pelo Governo. É importante lembrar que a seca já existia e esses agricultores permaneceram e é importante entender como eles conseguiram se manter. É com esse conhecimento que vamos aprender a elaborar propostas para a convivência com a estiagem", afirma.Ele explica que o problema é que a articulação é muito demorada. Segundo ele, já foram marcadas duas audiências com o governador Wilson Martins para se discutir o assunto e elas foram desmarcadas. "Cerca de 50 dos municípios já estão em situação de emergência, com perdas de 80 a 85 % da produção e em muitas regiões essas famílias estão sem água. E até agora, concretamente, não vemos nenhuma ação junto às famílias do semi-árido", afirma. Segundo o sociólogo, entre as ações que têm dado certo está o incentivo a construção de cisternas. Em contrapartida, a entidade não apoia a utilização do sistema de carros pipa. "Infelizmente, o carro pipa ainda é  necessário devido à falta de outros instrumentos, é um mal necessário porque é uma solução imediata.Os agricultores dessas regiões tem cisternas, mas muitas já estão secas. Não concordamos com a política de carro pipa porque é um reflexo da ineficiência do Estado em não dotar essa região de infraestrutura adequada para alcançar água de qualidade", ressalta Carlos Humberto Campos.

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