Por: - 20/06/2012
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A realidade encontra nas comunidades pelo Bispo Diocesano foi o esvaziamento da presença masculina, a fragilização das famílias e o êxodo para outros estados em busca de trabalho, abrindo as portas para inúmeras realidades, como citam os Bispos do Piauí em carta destinada aos governantes e à população sobre a seca que atinge o estado.
O documento cita as consequências decorrentes da seca, como a “desarticulação e desintegração da família, provocando uma migração forçada de pais que, desesperados, abandonam esposas e filhos e partem, muitas vezes, para nunca mais voltar; portas se abrem com facilidade para o inescrupuloso tráfico humano e o abominável trabalho escravo; comprometimento dos valores éticos, permitindo o uso da situação de extrema vulnerabilidade das pessoas para fins eleitoreiros, limitando o livre exercício da cidadania, facilitando a compra de votos e a corrupção eleitoral; agravamento da situação econômica relegando muitas famílias à extrema pobreza, expondo-as a situações degradantes, em que desfiguradas em sua humanidade, muitos não são mais reconhecidos sequer como pessoas humanas portadoras de direitos e dignidade” e pede medidas promovam a vida.
Segundo a senhora Ana da Silva Sousa, da Comunidade Esquisito, é grande a procura dos pais que desejam batizar os seus filhos, ou que perguntam pela data da “Primeira Eucaristia”, pois muitos estão indo embora e não desejam levar os filhos sem que antes recebam estes sacramentos.

Ana da Silva Sousa
“Se a gente não arrumar um meio de manter essas pessoas aqui, elas vão continuar indo embora, até a nossa celebração já está ficando vazia, pois as nossas famílias da região estão todas se deslocando para Matão – SP”, afirma.
De acordo com a senhora Andrelina da Conceição Batista, o seu esposo foi embora para Matão, deixando-a com os três filhos. Ela afirma que este ano não houve nenhuma colheita, e por viverem da agricultura, o seu marido precisou buscar novas alternativas para que a família não passasse fome.
“Todas as famílias estão indo embora, só ficou quem não dá para trabalhar, são velhinhos e algumas mães que precisaram ficar com seus filhos”. Dona Andrelina acrescenta que até o momento a comunidade não recebeu nenhuma das ajudas que foram garantidas pelo Governo para o enfrentamento da seca.

Andrelina da Conceição Batista
Para Cirlene Silva, que é conselheira tutelar em Jaicós, o êxodo para outras regiões já acontecia em outros anos, no entanto, destaca que este número cresceu. “Meu pai já está em lá, meus irmãos também e outros estão indo trabalhar com a colheita de laranja, toda quinta-feira saem dois ou três ônibus cheios de pessoas que vão para Matão-SP”.
A conselheira tutelar também chama atenção para a realidade enfrentada em Jaicós que passa uma grande crise com a ausência de água potável, e pede que o açude Tiririca, responsável pelo abastecimento da cidade e atualmente seco, seja restaurado, que novos poços sejam perfurados e haja a construção de adutoras levando água para o município.

“Parabenizo a Igreja, a Rádio Cultura FM que está fazendo esse belo trabalho a serviço dos mais pobres, assim como fez Jesus em ver a realidade do povo, e depois estar cobrando de nossas autoridades providencias cabíveis. A seca é uma questão que a gente precisa aprender a conviver, mas nós precisamos cobrar de nossos representantes políticas públicas de convivência, para que nosso povo não precise sair para outras terras sendo mão de obra barata”, acrescenta.
Diante desta realidade a Diocese de Picos através do Bispo Diocesano conclama as autoridades competentes a olharem com solidariedade para os mais afligidos pela seca, agindo de forma humana e urgente, pois a fome e a sede não podem esperar.
DP15