Por: Roberto - 05/02/2026
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A segunda fase da Operação Macondo teve seus resultados apresentados nesta quinta-feira (05/02), com destaque para o relato do superintendente de Operações Integradas da Secretaria de Segurança Pública do Piauí, delegado Matheus Zanatta, que descreveu a estrutura e o grau de violência adotados por uma organização criminosa investigada no estado.
Segundo Zanatta, o grupo, composto majoritariamente por colombianos, atuava de forma contínua na concessão de empréstimos ilegais a pequenos comerciantes e trabalhadores informais, sempre com juros elevados. “Além do empréstimo com juros abusivos, eles utilizam violência física e moral contra quem contrai a dívida e também contra os familiares dessas pessoas”, afirmou o delegado.
O superintendente destacou que a pressão exercida pelos criminosos ultrapassava o campo financeiro e se transformava em perseguição constante. De acordo com ele, em pelo menos um dos casos apurados, um comerciante tirou a própria vida após não suportar as ameaças e cobranças recorrentes. “Esse é o nível de sofrimento que esse tipo de prática criminosa tem causado”, pontuou.
Zanatta explicou ainda que a organização funcionava de maneira semelhante a um sistema de franquias, com divisão territorial bem definida. “Cada estrangeiro tinha uma área específica para atuar. Um cuidava da zona sul, outro da zona norte, e todos integravam uma estrutura criminosa organizada, com funções bem estabelecidas”, detalhou.
Durante a operação, foram cumpridos 23 mandados de busca e apreensão, com 26 pessoas identificadas como alvos. A Justiça decretou 23 prisões, das quais 14 foram executadas até o momento. As ações ocorreram em municípios do Norte e do Sul do Piauí, em Teresina e também em Petrolina, no estado de Pernambuco.
De acordo com o delegado, o material apreendido, incluindo cerca de R$ 6 mil em dinheiro e diversos objetos, reforça as provas reunidas ao longo da investigação. “Já iniciamos os interrogatórios e muitos dos investigados contribuíram com informações. Essa fase não encerra o trabalho. Novos desdobramentos e novas prisões devem ocorrer”, afirmou.
Ao final, Zanatta ressaltou o impacto social do esquema criminoso. Segundo ele, a organização se aproveitava da dificuldade de acesso ao crédito formal para explorar financeiramente pequenos comerciantes, utilizando extorsão e violência como método de controle. “Estamos lidando com uma organização criminosa estruturada, que causou danos profundos à população piauiense”, concluiu.