Por: Roberto - 10/09/2026
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O Piauí tem 38 focos de fogo ativos e 86 focos de calor sob monitoramento, segundo o boletim desta quinta-feira (10) da Sala de Monitoramento e Previsão de Eventos Climáticos Extremos (SAMPCE), da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (SEMARH).
Cinco desses incêndios preocupam mais que os demais: os que estão em Barreiras do Piauí, Piracuruca, Francisco Ayres, Lagoa Alegre e Currais já persistem há mais de sete dias. Pelo boletim, são as ocorrências de maior criticidade operacional, porque quanto mais tempo o fogo se mantém, maior a chance de a área atingida crescer.
A distinção é importante para entender o boletim. O foco de calor é uma anomalia térmica detectada por satélite. Ele indica que existe uma fonte de calor naquele ponto, mas não confirma que há fogo. Já o foco de fogo é a ocorrência com chama ativa confirmada, aquela que precisa de acompanhamento e, se avançar, de combate.
"Nós temos os focos de calor, que é um aumento de temperatura de determinada superfície, que é um indício de fogo a depender do local. E os focos de fogo, que de fato são incêndios que precisam ser debelados, caso eles avancem para florestas, para comunidades", explica Felipe Gomes, diretor de Licenciamento da SEMARH.
O monitoramento é feito com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e, segundo o diretor, o estado passou a contar neste ano com um painel próprio, que permite acompanhar as frentes de fogo e organizar o combate entre as brigadas municipais e o Corpo de Bombeiros.
As detecções desta quinta-feira aparecem em 29 municípios:
Aroazes Baixa Grande do Ribeiro Barras Barreiras do Piauí Bertolínia Bom Jesus Buriti dos Montes Colônia do Piauí Corrente Currais Floriano Francisco Ayres Gilbués Jerumenha Lagoa Alegre Manoel Emídio Monte Alegre do Piauí Nazaré do Piauí Oeiras Paulistana Piracuruca Ribeiro Gonçalves Santa Filomena Santo Inácio do Piauí São Gonçalo do Gurguéia São João da Serra Sebastião Leal Uruçuí Valença do Piauí
Para a SEMARH, a região que exige mais atenção é a do cerrado piauiense, no sudoeste, no eixo de Uruçuí, Bom Jesus e Corrente. É onde está a maior atividade agrícola do estado.
"Não é proibido o uso do fogo, a gente sempre chama a atenção para isso, porém o uso descontrolado nessa época, com condições climáticas desfavoráveis, acaba ocasionando incêndios florestais e de proporções que a gente não quer", afirma Felipe Gomes.
Apesar do calor e do período seco, o número de focos registrados até agora no Piauí é menor que o do ano passado. Segundo o diretor da SEMARH, a redução é de cerca de 38%.
Ele atribui o resultado a dois fatores: o trabalho de educação ambiental nas comunidades onde os incêndios são mais frequentes e a atuação das brigadas municipais. A secretaria informa que conclui nesta semana o treinamento de brigadistas em todos os municípios piauienses.
A avaliação, porém, é de que não há espaço para relaxar. "O pior ainda é outubro. Geralmente, na série histórica, outubro é o período mais crítico", diz Felipe Gomes.
A previsão da SEMARH para os próximos dias reforça o alerta. As máximas devem ficar em torno de 40°C em algumas áreas, e a umidade relativa do ar pode cair abaixo de 15% à tarde, em quase todo o território piauiense.
Segundo o boletim, a combinação de calor, ar seco e persistência das condições atmosféricas favorece a propagação do fogo em áreas de vegetação, principalmente nas regiões onde já existem focos que não se apagaram.
CidadeVerde.com