Por: Roberto Carvalho - 26/01/2010
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“A candidatura do Ciro está mantida”, afirmou o líder do PSB na Câmara,Rodrigo Rollemberg (DF). “A decisão sobre o futuro do PSB toma o PSB. Os outros partidos devem respeitar as decisões que cabem ao PSB. Nossas decisões não serão tomadas por dirigentes de outras legendas. Nossas decisões serão tomadas pela nossa direção”, reforçou o presidente da sigla e governador de Pernambuco, Eduardo Campos. “É natural que o PT queira que Ciro desista. O partido pressiona de forma legítima porque considera melhor ele não ser candidato. Mas o PSB deve continuar insistindo para viabilizá-la”, afirmou o senador Renato Casagrande (ES), secretário-geral da legenda, para quem os socialistas, com a desistência de Ciro, teriam um “papel secundário” na chapa a presidente costurada entre o PT e o PMDB.
IntervençãoO PT espera que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva peça ao presidente do PSB a saída do deputado cearense do páreo. Lula visita o estado governado por Eduardo Campos amanhã. Se bem-sucedida, a intervenção de Lula cumpriria três objetivos. Primeiro, o de unificar a base governista em torno de uma única candidatura a presidente, a da petista Dilma Rousseff. Segundo, os aliados teriam um nome competitivo para disputar o governo do maior colégio eleitoral do país contra os tucanos, no poder desde 1995 — pesquisas mostram que o socialista alcança melhores intenções de voto do que candidatos do próprio PT. De quebra, o PSB poderia se integrar formalmente à chapa PT-PMDB, o que acarreta dois minutos e meio a mais de tempo de TV nas eleições. De volta das férias, Ciro pode participar da conversa com Eduardo Campos e Lula que deverá selar seu futuro.
Os socialistas, porém, estão cientes das dificuldades encontradas para o segundo projeto presidencial de Ciro decolar — ele foi candidato em 2002, pelo PPS. Em setembro passado, o deputado mudou o domicílio eleitoral para São Paulo, alimentando a esperança petista de que concorrerá ao Palácio dos Bandeirantes. Dois meses depois, o partido aclamou-o candidato a presidente, mas, desde então, Ciro não articulou qualquer aliança partidária. Num movimento que diminuiu o raio de ação do PSB, o PT de Dilma obteve, nesse período, o apoio formal de praticamente todos os partidos da base aliada para a candidatura de Dilma.
Para demonstrar publicamente que o projeto nacional de Ciro está em pé, o presidente do PSB encontrou-se ontem em Recife com Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e recém-filiado ao partido. Eduardo Campos pediu-lhe que mantivesse a pré-candidatura ao governo paulista. “Eu acho que a candidatura de Paulo Skaf é uma candidatura que amplia (o palanque em São Paulo). Nós somos um partido, o PT é outro partido. Nós queremos é construir uma ampla aliança no campo de oposição em São Paulo”, disse.