Por: Roberto - 29/12/2014
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O radialista, jornalista, poeta, escritor, compositor, cantor e politico Jurdan Gomes, que em março de 2014 lançou mais um CD, intitulado Um Balaio de Cantigas, prova que vive sempre inspirado e despertando a via poética, ao escrever mais um poema, recheado de imaginação. Jurdan Gomes, o ‘Poeta Cantador’ ou o ‘Cantador do Sertão’, como ele se autodenomina, mora em Belém do Piauí há bastante tempo, município onde já foi eleito prefeito, postou no Facebooko poema MINHA TERRA ANTIGAMENTE, relembrando sua infância na cidade de Fronteiras, localizada na mesorregião sudeste do Piauí, distante 406 quilômetros de Teresina.
Imagem: Reprodução
BR-230/PI (Rodovia Transamazônica) na cidade de Fronteiras, onde o poeta Jurdan Gomes viveu quando era criança
No post em rede social, Jurdan Gomes conta: “A minha amiga Maristela Magalhães, comentou uma foto minha, quando ví o comentário dela, lembrei nossa juventude em Fronteiras, fiz uma equiparação dos dois tempos, ontem e hoje, resolví escrever o seguinte: MINHA TERRA ANTIGAMENTE . Uma galinha ciscando No terreiro de Maria Uns ovos numa bacia Pra Chica vender na feira O pretume da chaleira Da fumação do fogão Uma esteira no chão Pra um pançudim se sentar Depois comer o fubar ficar alegre e contente Agradecer se benzendo Isso é mesmo que tá vendo Minha terra antigamente Um pote numa furquilha Na boca um pano bordado Um caximbo bem guardado Nas brechas de um caritó O retrato de vovó Desbotado na parede Uns tornos de armar rede No alpendre do oitão Uma cangai no chão Um jumento já demente Escute o que tô dizendo Isso é mesmo que eu tá vendo Minha terra antigamente Um porco fuçando as fezes Na cintina de padim Maria de Joaquim Rodando um fuso no dedo A carreira de Zé Pedo Atraz dum garrote manso Nas grotas corre o remanso No coice da enxorrada Gangila dando risada Sem ter um dente na frente Simplesmente eu tô dizendo Isso é mesmo que tá vendo Minha terra antigamente Dona Guidé com bravura Implantando educação As quadrilhas de são João Valdir Pereira gritando Amélia se perfumando Zeca Galo de bituca Teresinha mais Patuca No cafezim da esquina Mariano e Rosalina Fazendo mala e refresco Raimunda com bolo fresco Pão de ló com café quente Cara de sapo comendo Isso é mesmo que tá vendo Minha terra antigamente Os fogos embusca do céu Nas festas da padroeira Cantado Santa Nogueira Os benditos de Maria Quando o padre se benzia Começava a procisão Na frente da multidão Zé Paulino com uma cruz Era amigo de Jesus Católico muito decente E os festejos acontecendo Isso é mesmo que eu tá vendo Minha terra antigamente Nossa mera juventude No futebol, serenata Querendo iludir as gata Dedilhando um violão Quase morro de paixão foi um grande desafio Do outro lado do rio morava a loura singela Inda existe a casa dela Mas ela hoje vive ausente Eu só estou lhe dizendo Isso é mesmo que tá vendo Minha terra antigamente. Hoje... hoje o tinido assombrador Das balas de trinta e oito Os pipocos dando açoito Nos buracos dos ouvido O clamor o alarido De quem só deseja paz Isso acontece demais Desrespeito e rebeldia Falo isso é hoje em dia Falta sossego pra gente Isso nos faz sentir dó Sendo assim foi bem melhó Minha terra antigamente ... AUTOR: JURDAN GOMES (27.12.214)"