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Geral

Pólo da UAB de Pio IX é construído com verba para reforma de escola

Prédio do Pólo da UAB. A madeira foi colocada no período chuvoso e ainda está sem cobertura

Por: Roberto Carvalho - 06/05/2010

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Desde o dia 04 de dezembro de 2008 o Diário Oficial publicou o edital de licitação para o uso do recurso de mais de R$ 1 milhão advindo do Tesouro Estadual para a construção de três pólos universitários de ensino a distância. Pio IX, Avelino Lopes e Redenção do Gurguéia seriam os municípios piauienses beneficiados com o recurso.Destinou-se a Pio IX a quantia de R$ 346.935,96. Na verdade, o recurso deveria ser designado para a Unidade Escolar Francisco Suassuna de Melo, conforme informa no Diário Oficial, no site da Engerpi (Empresa de Gestão de Recursos do Estado do Piauí) e na placa da obra: “Mais Educação – ampliação e adequação da Unidade Escolar Francisco Suassuna de Melo”. Porém, ao invés disso, está sendo construído um Pólo da Universidade Aberta (UAB), em um terreno afastado do prédio onde a escola funciona.Além disso, a construção está paralisada. A contratação da empresa responsável pela obra data do dia 23 de janeiro de 2009, com um prazo de cinco meses para entregar tudo pronto. Até agora ainda não foi finalizada. A ENGERPI, responsável pela contratação das empresas de engenharia, justificou ano passado, no Diário Oficial, que o atraso na obra é devido negligência da construtora contratada, a Fênix LTDA. Mas, continua até hoje sem rescindir o contrato com a empresa.Em setembro de 2009, o Engenheiro Vagner Mendes afirma que a obra está em andamento com toda parte de fundação e alvenaria 100% concluída. No entanto, a madeira foi colocada em março de 2010, em pleno período de chuva, e ainda se encontra sem cobertura, conforme mostram as fotos. Dessa forma, perde a comunidade da Educação Básica, que teve seus escassos recursos desviados para outro fim. Como também saem prejudicadas as turmas matriculadas no ensino superior, que esperam a conclusão da construção do pólo da UAB. Já somam o número de cinco turmas do ensino a distância em Pio IX, duas de pedagogia e duas de química, pela UFPI e uma de Língua Espanhola, pela UESPI, sem espaço e instalações para iniciar suas graduações. Os alunos matriculados estão recolhendo assinaturas em abaixo-assinado para exigir a retomada das obras. De acordo com a coordenadora do pólo da UAB em Pio IX, Rosilândia Melo, os alunos pretendem entregar o documento para o governador Wilson Martis, com aproximadamente 2.000 assinaturas. De acordo com Rosilândia, ele anunciou uma visita ao município no dia 11 deste mês.Amanhã, terá uma seção na câmara dos vereadores, na qual, a coordenadora, mais uma aluna do curso de Letras Espanhol, pretendem sensibilizar as autoridades locais. Durante todo o dia um carro de som percorrerá pela cidade para convidar as pessoas à participar da seção, assim como para explicar à população o que está acontecendo.A estrutura física do pólo é de responsabilidade da Secretaria Estadual de Educação do Piauí (SEDUC-PI). Mas, existe um convênio entre a SEDUC e a ENGERPI, em que a empresa assume a responsabilidade pelas obras.A superintendente de Ensino Superior do Estado, Eliana Sampaio, diz que a Engerpi não cumpriu os prazos determinados no contrato. “Como eles não cumpriram os prazos, o governador determinou que a Secretaria de Educação, a partir de agora, assumisse as obras, inclusive, fazendo o contrato com outras construtoras”, explica.Quanto ao desvio do recurso da obra para a construção do pólo da UAB, Eliane não tinha conhecimento disso, portanto não sabe explicar o que aconteceu. Ela disse que isso é responsabilidade de quem assinou o convênio, nesse caso, o secretário de educação anterior, Antônio José Medeiros. “Se foi encaminhado pra uma unidade e foi destinado pra outra, pode ser que tenha um termo aditivo”, supõe. Amanhã a Secretaria de Educação se reunirá com a ENGERPI para discutir sobre esse problema.A escola foi prejudicadaNa placa, o recurso do FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento na Educação) é para a Unidade Escolar Francisco Suassuna de Melo. Mas o dinheiro que era para a ampliação da escola foi para a construção de um pólo da UAB.De acordo com a diretora da unidade, Raimunda Gonçalves, por causa disso a escola está prejudicada, sem nenhuma estrutura, com as paredes todas remendadas e a estrutura elétrica e hidráulica completamente comprometida. “Foi prejudicada a escola e a universidade”.A última reforma feita no prédio aconteceu no primeiro mandato do governo Mão Santa, há aproximadamente 12 anos atrás. Mesmo assim, nessa época, só arrumaram a estrutura externa, paredes, portas e janelas. “A escola já vai fazer 50 anos e está toda em pedaços. Não sabemos mais nem se vai ser feita a reforma”, lamenta a diretora.“O espaço que era destinado para a construção de um laboratório de informática, foram construídos quatro cubículos, na gestão anterior”. Raimunda conta que essa obra, além de ter alterado a estrutura do prédio, nunca foi concluída e inviabilizou a instalação do laboratório. A escola foi contemplada com computadores pelo Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE), mas antes precisaria se adequar estruturalmente para receber as máquinas. “Não temos nenhuma notícia com relação a reforma. Em março veio um engenheiro da SEDUC aqui, disse que ia fazer um novo projeto, mas a gente nunca viu. Conseguimos um recurso de R$ 200 mil através de emenda do deputado Nazareno, mas ainda não foi liberada. Aqui é tudo muito antigo. Começamos as aulas sem a estrutura mínima para receber os alunos. Com carteiras remendadas, ventiladores sem funcionar, sanitário quebrado”.
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