Por: Roberto - 23/10/2015
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O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, em entrevista exclusiva concedida para a jornalista Cínthia Lages, para o programa “Notícias da Boa”, da emissora de rádio Boa FM, e para o programa “Agora”, da Rede Meio Norte, que qualquer piauiense se lembra do que era o Piauí antes do governador Wellington Dias (PT) e o do próprio Lula chegarem ao Governo e sabe o que é o Estado hoje.
“Qualquer piauiense sabe o que era o Piauí antes do Wellington e do Lula chegarem ao governo e o que é agora, qualquer um sabe. O pior inimigo nosso sabe o que mudou. Governar esse país e cuidar do pobre não tem que ter diploma de honoris causa, nem mestrado, você tem que ter paixão, para cuidar de pobre você tem que ter amor, é uma opção de vida que você faz”, declarou Lula, que recebeu, na Assembleia Legislativa do Piauí, na última quarta-feira, dia 21, os títulos de Cidadão Piauiense e Cidadão Teresinense.
Sobre sua disposição para disputar a Presidência da República nas eleições gerais de 2018, Lula afirmou que “está na área”, sentado no banco de reservas, bem preparado fisicamente e observando o jogo. “Eu estou na área, estou no banco de reserva, olhando o jogo, bem preparado fisicamente. Deus queira que apareça alguém”, declarou Lula.
Jornal Meio Norte – Qual a perspectiva o senhor tem em relação à educação do Brasil nos encontros que o senhor está tendo para discutir esse tema?
Luiz Inácio Lula da Silva – Nós aprovamos em 2014 o Plano Nacional da Educação, que estabelece um plano para a educação até 2024. Conseguimos aprovar depois de quatro anos tramitando na Câmara e no Senado. Foi aprovado, foi um projeto que eu enviei ao Congresso em 2010 e a presidente Dilma sancionou em julho de 2014. Ele tem uma meta a ser cumprida, de universalizar o atendimento e a educação a portadores de deficiência, tem meta de universalizar a educação, de colocar todas as crianças em creches, de colocar 95% das crianças em idade escolar nas escolas, o que vai exigir uma repactuação entre os entes federados, com prefeitos, governadores e a Presidência da República para que a gente possa cumprir as metas a cada ano, 2016, 2017. É uma coisa que se você não envolver a sociedade, se você não envolver os sindicatos, se você não envolver as escolas e as igrejas termina não cumprindo e esse plano só vai dar certo se envolvermos a sociedade. Por muito tempo o Brasil ficou atrás do mundo em termos de educação. Quando nós criamos o Bolsa Família, nós condicionamos que as mães só iriam receber o Bolsa Família se os filhos delas em idade escolar estivessem na escola. É quase uma obrigação da mãe colocar os filhos nas escolas.
JMN - O Programa Bolsa Família está fazendo 12 anos e é considerado no mundo inteiro como o maior programa que retirou milhões de pessoas da linha de pobreza e já são 35 milhões de pessoas beneficiadas. Tem muito preconceito em relação ao Bolsa Família e a outros programas sociais. Por isso acontece, qual a raiz disso?
Lula – Porque durante todo o século XX e antes do século XX, parte da elite política que governava o país entendia que o Brasil deveria ser governado apenas para 30%, 35% da população e o restante deveria ser pobre. Para eles era apenas números de dados e pesquisas
. Ou seja, não era preciso ser tratado. Então, não se pensava em educação, não se pensava em saúde e em distribuição de renda. Quando nós criamos o Bolsa Família, o discurso que eu fiz no dia da vitória em 2002, eu disse que se ao terminar o meu mandato, cada brasileiro ou brasileira estivesse tomando café da manhã, almoçando e jantando todos os dias, eu já teria cumprido a missão de minha vida. Eu disse aquilo porque sabia o que era fome. Eu sabia o que era uma criança ficar dois, três dias sem comer, eu sabia o que era um pai, uma mãe deitar e o filho chorar por um bocado de leite, por um bocado de feijão e não ter o que comer. E o que era aquilo? Era dar prioridade a essas crianças. Na cidade de Souza, na Paraíba, eu vi uma mulher na feira com uma criança morta no colo pedindo para enterrar a criança. Aquilo não era possível. Eu fiz esse desafio e fiquei muito feliz quando no mês passado, a ONU tirou o Brasil do Mapa da Fome. Ou seja, significando que é possível. Os preconceituosos diziam que o programa era assistencialista, pela direita, diziam que eu estava criando um bando de vagabundos, que ninguém queria trabalhar e as famílias só queriam viver do Bolsa Família. Essas pessoas que falam essas coisas não conhecem nada de pobre. Você tirar 35 milhões de pessoas da miséria absoluta é um milagre, que nem algumas revoluções fizeram o que nós fizemos em tempo de paz, de democracia, liberdade, com uma imprensa, muitas vezes, criticando todos o santo dia o Bolsa Família. Chegou um dia que um ministro disse que era para acabar com o programa porque não aguentava mais apanhar. Eu disse: deixa bater. Eu não estou preocupado com a chibatada que eu recebo da imprensa, eu estou preocupado em saber se as crianças estão consumindo as calorias necessárias. Eu digo para a presidenta Dilma que toda vez que aparece uma crise os pobres são a solução. Na hora que o pobre tem R$ 20, R$ 10, sabe o que acontece? Ele vai direto no supermercado e o dinheiro começa a circular e se milhões estão recebendo milhões estão comprando, o comércio vai funcionar, a indústria vai produzir, as indústrias vão pedir para as empresas que produzem matéria-prima, daqui a pouco a roda gigante da economia está girando e, daqui a pouco, todo mundo está ganhando um pouquinho. É por isso que eu digo que muito dinheiro nas mãos de pouco é concentração de renda. Pouco dinheiro na mão de muitos é distribuição de renda e nós precisamos promover uma nova revolução. Nós precisamos fazer uma nova política de incentivos para as pessoas e a primeira delas é recuperar a confiança das pessoas. Eu não acredito que a sociedade possa ir para a frente de mau humor.
JMN – Parece que é mais do que mau humor, é ódio, muito desrespeito não só ao Bolsa Família, mas a