Saúde
Teresina possui quase 100 mil obesos, revela pesquisa
Por: Roberto Carvalho - 22/06/2010
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O Ministério da Saúde divulgou ontem uma pesquisa com resultados alarmantes sobre Teresina. Segundo o estudo, 12,1% dos 800 mil habitantes da capital piauienses são obesos, o que dá 96 mil pessoas. Se for levada em consideração as que estão acima do peso, o índice chega a quase 40% da população, atingindo 320 mil pessoas. O MS alerta que o excesso de peso facilita o aparecimento de doenças crônicas.A pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel) entrevistou 54 mil adultos em todo o Brasil e constatou que tanto o índice de sobrepeso como de obesidade da população brasileira avançou nos últimos quatro anos. De 2006 a 2009, a proporção de pessoas com excesso de peso subiu de 42,7% para 46,6%. O percentual de obesos cresceu de 11,4% para 13,9% no mesmo período. A Vigitel 2009 aponta que 51% dos homens e 42,3% das mulheres, no Brasil, têm excesso de peso. A ocorrência do problema está relacionada a fatores genéticos, mas há uma influência significativa do sedentarismo e de padrões alimentares inadequados no decorrer da vida. Entre os homens, a situação é mais comum a partir dos 35 anos, mas chega a 59,6% de 55-64. Na população feminina, o índice mais que dobra na faixa etária dos 45 aos 54 anos (52,9%) em relação a 18-24 anos (24,9%).A pesquisa aponta que a prevalência da obesidade entre homens quase triplica do grupo etário de 18 a 24 anos (7,7%) para 55 a 64 anos (19,9%). Quando se leva em consideração só as mulheres, o índice aumenta mais de três vezes na comparação das duas faixas etárias: de 6,2% para 21,3%. A coordenadora de Vigilância de Agravos e Doenças Não Transmissíveis do Ministério da Saúde, Deborah Malta, analisa que o expressivo crescimento no número de pessoas com sobrepeso e obesas, em um curto período, é uma tendência mundial. “O Brasil não está isolado nessas estimativas. É mais um reflexo da queda no consumo de alimentos saudáveis e a substituição deles por produtos industrializados e refeições pré-prontas”, comenta.Um em cada quatro brasileiros têm hipertensão arterialAlém do excesso de peso, uma alimentação pouco balanceada aliada ao sedentarismo pode contribuir com o aparecimento de doenças crônicas. De acordo com a Vigitel 2009, 24,4% da população brasileira foi diagnosticada com hipertensão arterial e 5,8% afirma sofrer de diabetes. O consumo excessivo de sal e gordura é apontado como fator de risco para a pressão alta, enquanto a incidência de diabetes pode estar relacionada à ingestão de grande quantidade de açúcar, massas e alimentos calóricos.Para reduzir o número de obesos, hipertensos e diabéticos, o Ministério da Saúde busca prevenir os problemas que começam na mesa e nos hábitos do brasileiro. As equipes da Estratégia Saúde da Família, que alcançam cerca de 100 milhões de pessoas, orientam as famílias a ter padrões alimentares saudáveis. Desde 2006, a Política Nacional de Promoção da Saúde estimula a realização de atividades físicas em 1,5 mil municípios.Somente no período de 2006 a 2009, foram repassados R$ 122,4 milhões a todas essas cidades que integram a Rede Nacional de Promoção da Saúde com essa finalidade. Em 2010, serão outros cerca de 50 milhões para a sustentabilidade da Rede de Promoção.O Ministério da Saúde também lançou em 2006 o Guia Alimentar para a População Brasileira e inseriu nutricionistas no apoio às equipes de saúde da família, com a criação do Núcleo de Apoio ao Saúde da Família (Nasf), que tem 1.132 unidades em todo o país. Além disso, por meio do Saúde na Escola, leva orientação à estudantes.