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Geral

Políticos fazem do Legislativo um bom "negócio de família''

Veja,

Por: Roberto Carvalho - 28/06/2010

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O pleito eleitoral deste ano vai reacender as discussões em relação às candidaturas de familiares de políticos. Para uns a indicação de irmãos, filhos, maridos e mulheres de ocupantes de cargos eletivos soa como uma maneira de perpetuação de poder, já que na maioria dos casos, o grau de parentesco vale muito mais que a sigla partidária. Para outros, uma tentativa legítima de lançar novos nomes na disputa eleitoral. O certo é que as oligarquias familiares do Piauí continuam mantendo viva a tradição de indicar herdeiros para continuar no Poder. E para isso, não há regras: é uma tradição que passa de pai para filho, marido para esposa ou entre irmãos. Um verdadeiro “negócio de família”. A prática, não vem de agora, mas é, a cada eleição, acentuada. Segundo o cientista político Vitor Sandes, apesar de não ter dados científicos sobre o tema, essa é uma prática comum, não só no Piauí, mas também em outros Estados. “É comum que os políticos tradicionais direcionem seus parentes de forma a garantir a perpetuação do poder da família nos cargos eletivos e também, não-eletivos”,  conta. De acordo com ele, os políticos tradicionais, através da influência, conseguem indicar parentes para ocupação de cargos político-administrativos. Esse seria o pontapé inicial para fortalecer os nomes perante à população para os mesmos pleitearem  uma vaga. “Com estes cargos, os novos ingressantes conseguem alavancar capital político para concorrer cargos eletivos”, argumenta. Em sua dissertação de mestrado, intitulada “A lógica da Formação de Governos no Estado do Piauí de 1987 a 2007”, Vitor Sandes faz um mapeamento de todos os eleitos durante esse período. “Pude verificar a clara indicação de parentes para cargos político-administrativos, em que os eleitos indicam parentes para compor os quadros do  Governo”, relata. Para Vitor Sandes, o aparato institucional legal engendrado (eleições diretas e livres e multipartidarismo num contexto federalista), em meados da década de 1980, no Brasil, possibilitou a inserção de novos atores no cenário político estadual, mas a herança política permitiu que os atores tradicionais ainda permanecessem à frente da máquina estadual, mesmo no novo contexto democrático. O destaque vai principalmente para aqueles que lançam novos nomes, mas em disputas para cargos divergentes. É assim com o deputado federal Themistocles Sampaio, que lançou o filho Themistocles Sampaio Filho (PMDB) como deputado estadual. Nessas eleições, Themístocles Filho lançará o irmão, o delegado Marllos Sampaio (PMDB) para uma disputa a Câmara Federal. “Isso ajuda porque eles podem trabalhar as campanhas de forma conjunta”, pondera. Foi assim também com o governador Wilson Martins (PSB) que lançou a esposa, Lilian Martins (PSB) para  disputar uma vaga na Assembléia Legislativa em 2006 e, nas últimas eleições municipais, lançou o sobrinho, vereador Rodrigo Martins (PSB), para a Câmara Municipal de Teresina. O vereador faz questão de afirmar que a política entrou em sua vida de forma natural. “Já tenho exemplos na família e desde criança sempre fui eleito líder de classe e era integrante de movimentos estudantil”, conta.  Rodrigo faz questão de afirmar que não se arrepende de ter entrado na política e que, acha legítimo colocar seu nome para apreciação da população, independente de ter parentes na política. “Todos tem um direito ao Sol. As regras valem para todos. Eleições é um pleito democrático onde o povo analisa e escolhe”, assinala. Para o cientista político Vitor Sandes, pela história, a população não tem a dimensão dessas indicações quando se refere a cargos eletivos e não chega a considerar “falta de ética” ou perpetuação de poder. “Em cargos eletivos, não há muito que reclamar. O problema é quando há a indicação de parentes pra compor cargos político-administrativos porque vira nepotismo”, ressalva, destacando que “há limites expressos pela legislação, inclusive, bastante debatido pelos juristas em relação à nomeação trocada”. “E isso é crime. Se configurado como tal os políticos podem se complicar porque é como se ele tivesse direcionando recursos públicos para fins privados. É uma maneira de evitar a concentração do poder em poucas famílias”, alerta. Esposas são destaques nas campanhas,mas elas dizem ter méritos próprios Um fenômeno que marcará as eleições deste ano, mas que já iniciou ainda em pleitos anteriores, é a proposta dos líderes políticos que lançam suas esposas como candidatas a cargos eletivos. No Piauí os casos são muitos e envolvem principalmente o lançamento  de candidaturas entre aquelesque também disputarão cargos eletivos. Nesses casos, além das mulheres, os próprios homens permanecem na disputa, porém pleiteando cargos diferentes. Para exemplificar, temos o caso do ex-governador Wellington Dias (PT). Dias vem de uma longa carreira política que inclui os mandatos de vereador, deputado estadual, deputado federal, governador e que agora disputará uma vaga para o Senado Federal. Neste ano, o petista lançou a mulher, Rejane Dias (PT), para uma disputa na Assembléia Legislativa. Rejane Dias foi secretária estadual para Inclusão da Pessoa com Deficiência e ocupa as primeiras colocações nas pesquisas de opinião divulgadas até agora. Wellington Dias explica que a idéia de lançar a esposa partiu do próprio Partido dos Trabalhadores (PT) e de alguns segmentos da sociedade que foram alvo da principal bandeira defendida pela ex-primeira-dama: os deficientes.“As pessoas cobravamque ela fosse candidata para fortalecer no legislativo as bandeiras desse segmento. Ela tem legitimidade, não por ser minha esposa, mas pelos méritos dela”, defende. Rejane Dias foi mais além. Segundo ela, o conhecimento e a experiência adquirida ao longo dos sete anos de Governo lhe credenciam a disputar um cargo eletivo. “Sabemos onde queremos chegar”, diz. Para ela, há um preconceito em relação às pessoas que, mesmo tendo um parente político, colocam seus nomes à disposição da população. “È preciso olhar a história de cada um. Tem que olhar as ações, o trabalho que as pessoas fizeram para melhorar a vida das pessoas. Cada caso é um caso”, frisa. Assim como eles, há também o caso da deputada estadual Lilian Martins (PSB), que é casada com o governador Wilson Martins (PSB) e iniciou a vida política junto com o esposo. “Trabalhamos desde a juventude na política participativa”, conta,  lembrando que Wilson foi deputado estadual e deixou o cargo para ser candidato a vice-governador. “Nessa época fui intimada pelos amigos e correligionários partidários para me candidatar e aceitei esse desafio”, diz. Lilian Martins acrescenta que não tem histórico político na família e que não se deve condenar as pessoas que lançam parentes para disputar uma eleição. “Não é uma nomeação. Estamos colocando o nome para a população e ela aprecia se serve ou não como representante dos seus interesses”,  argumenta,  acrescentando que não pretende se “profissionalizar” na política. Lilian disputará este ano novamente uma vaga na Alepi. “Agora, tenho meu trabalho na Assembléia que me credencia a disputar as eleições e não mais serei vista apenas como a esposa do governador”, pontua. No tabuleiro da continuidade política, há ainda os nomes de Adalgisa Moraes Sousa (PMDB), esposa do senador Mão Santa (PSC) que já disputou a Prefeitura de Teresina e de Parnaíba. Além deles tem ainda o pré-candidato a vice-governador na chapa de Martins, deputado estadual Moraes Sousa Filho (PMDB), que lançou o nomede sua esposa, Juliana Falcão (PMDB) para uma disputa na Assembléia e ainda o do  deputado federal Ciro Nogueira Filho (PP), que disputará o Senado, mas lançou o nome de sua esposa, Iracema Portela(PP) para disputar as eleições. Parlamentares deixam Assembleia,mas colocam filhos para disputar vagas Mesmo aqueles políticos tradicionais que não irão disputar um cargo eletivo nas eleições deste ano, não pretendem acabar com os laços familiares no meio político. É o caso do ex-deputado estadual Xavier Neto. O ex-parlamentar era presidente regional do Partido Republicano (PR), mas foi eleito recentemente para o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), e teve que abandonar a carreira política em cumprimento a uma exigência do Tribunal para assumir a função. O ex-deputado saiu da cena política, mas pretende lançar o filho, Fábio Xavier (PR) para ser candidato a deputado estadual. O filho assumiu também a presidência regional do PR no Piauí. O mesmo caso aconteceu com o também ex-deputado e conselheiro do TCE, Luciano Nunes, que deixou a Assembléia Legislativa, mas lançou, em 2002, o filho, deputado estadual Luciano Nunes Filho (PSDB). Um outro exemplo também vivenciado no Estado foi o do ex-deputado e conselheiro aposentado do TCE, Sabino Paulo. Sabino Paulo é irmão do deputado estadual Roncalli Paulo (PSDB), que foi lançado na política com a eleição do irmão para a vaga de conselheiro do Tribunal de Contas.
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