Por: Roberto Carvalho - 02/07/2010
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Com o final do prazo para convenções partidárias, na última quarta-feira (01/07), as candidaturas ao Governo do Estado foram homologadas juntamente com seus companheiros de chapa. Nestas eleições a escolha dos partidos que ocupariam o grupo majoritário foi conturbada, principalmente em relação ao nome do vice de Sílvio Mendes, Wilson Martins e João Vicente Claudino. Após discussões intra-partidárias e disputas por espaços políticos, os vices têm adquirido relevância entre oposição e governistas.
Mesmo na tentativa de ocupar um cargo sem muita visibilidade, mas que deveria ter a mesma importância de um gestor público, o vice é tido como aquela figura à espera de assumir o cargo do colega na primeira oportunidade. Por conta disso, ao chegar à cadeira o companheiro apresenta um desconhecimento de como funciona a máquina pública, o que acarreta em perca de tempo e até mesmo deficiência na execução de uma ação. Porém, o cenário tem mudado a cada eleição, quando se pensa em agregar votos, equilibrar chapa, captar recursos e tempo de televisão.
Desde segunda-feira (28), os grandes partidos realizam grandiosas convenções como forma de estimular a militância e apresentar o seu time. Foi o caso das coligações encabeçadas pelo PSB, PTB e PSDB. Todas aconteceram nos espaços do Atlantic City com a média de participantes de 10 mil pessoas. O governador Wilson Martins apresentou como vice o deputado estadual Moraes Filho, João Vicente Claudino escolheu o deputado estadual Flávio Nogueira e o ex-prefeito de Teresina, Sílvio Mendes, anunciou o empresário R. Sá.
MORAIS FILHO: WILSÃO BATE DE FRENTE COM O PT
Wilsão com Zé Filho no dia da convenção Talvez essa tenha sido a escolha do vice mais conturbada. O antigo blocão governista contava com uma série de partidos que, sob o discurso de unidade em torno do projeto de Lula, resolveram caminhar juntos na tentativa de reeleger Wilson Martins. Entre os aliados, PSB, PT, PMDB, PCdoB, PTB e PDT; estes dois últimos resolveram abandonar a frente governista por conta de atritos com os petistas, que adotaram uma postura considerada mais radical no processo.
E foi por conta do Partido dos Trabalhadores e a sua exigência em ocupar a vaga de vice do governador que as discussões ficaram cada vez mais intensas. O processo de formação de chapa trouxe dores de cabeça a Wilson Martins. O chefe do executivo estadual se via pressionado com a imposição do partido do amigo Wellington Dias, que já tinha assegurado a 1ª senatória. O comando da estrela vermelha colocou que se não ocupassem o cargo, a candidatura própria seria lançada.
Wilsão não cedeu. Para ele, os petistas já tinham sido contemplados com W. Dias na chapa. Por conta disso, anunciou que o vice sairia do PMDB, que também apontava a “ganância” da sigla presidida pelo deputado Fábio Novo. Sendo assim, os socialistas foram buscar nomes de influência, como Marcelo Castro e Themístocles Filho.
Após o deputado federal descartar a possibilidade, o presidente da Assembleia Legislativa, o deputado estadual Themístocles Filho, era o mais cotado. Porém, o mesmo desistiu porque alegou ter sido vetado pelo PT, na pessoa de Wellington Dias e Antônio José Medeiros, por conta de algumas declarações que deu em emissoras de televisão.
Em meio a esse cenário confuso, os peemedebistas apresentam, então, Moraes Filho, nome forte na região Norte. Wilson acredita que ele deve ganhar votos nos municípios próximos à cidade natal do companheiro de chapa, Parnaíba, onde provavelmente teria pouca densidade de eleitores.
FLÁVIO NOGUEIRA: PTB DE BRAÇOS ABERTOS AOS DESCONTENTES
JVc com Flávio Nogueira na convenção Pouca gente vislumbrava a candidatura do senador João Vicente Claudino (PTB) ao governo do Estado na oposição. É que o petebista acreditava ser o candidato de Wellington Dias, já que o mesmo já tinha feito tal declaração. Ledo engano. O ex-governador voltou atrás na decisão e resolveu apoiar o sucessor natural, o socialista Wilson Martins.
A quebra do compromisso foi suficiente para causar desconforto e atrito com os Claudinos. Completamente descontente, JVC resolveu lançar candidatura própria e conseguiu abraçar os descontentes em torno da sua ideia: fazer frente àqueles que, de certa forma, atrapalharam seus planos de ser o próximo governador do Piauí.
JVC correu atrás do tempo perdido. Primeiro trabalhou a candidatura junto aos militantes, por meio de seminários realizados no Complexo Joca Claudino, que pertence à família. Em seguida, foi buscar no interior do estado o apoio de prefeitos e lideranças políticas, muitos deles também descontentes com o já extinto blocão governista.
Enquanto isso, o PDT já sinalizava uma saída do arco encabeçado por W. Dias porque queriam um espaço na chapa majoritária. Porém, ao perceber que todas as vagas estavam ocupadas, a maioria pelo Partido dos Trabalhadores, o deputado estadual Flávio Nogueira resolveu buscar apoio do outro lado. E conseguiu. Tornou-se o companheiro de chapa do empresário João Vicente Claudino, ao lado do candidato ao senado, o deputado federal Ciro Nogueira (PP).
R. SÁ: DEMORA PARA ESCOLHER CHAPA PURA
R.Sá com Silvio Mendes na convenção Paciência. Essa foi a palavra que o ex-prefeito Sílvio Mendes e candidato ao governo do Estado pela oposição pedia em seus discursos quando surgiu a possibilidade de deixar a prefeitura de Teresina. Mesmo quando até os colegas tucanos davam como certa a sua candidatura, Sílvio preferiu a cautela. Esperou inaugurar obras importantes, como a ponte do Sesquicentenário e o Shopping da Cidade, para admitir o desejo em representar uma alternativa ao projeto governista.
Após algumas semanas da entrega do cargo municipal a Elmano Férrer (PTB), que apóia o adversário JVC, Sílvio confirmou aquilo que já não era novidade. Fez viagens ao interior e montou comitê. Apontou as principais falhas da administração estadual e buscou apresentar alternativas para estes problemas. Na pauta, porto de Luís Correia, aeroportos internacionais, produção no Cerrado, educação e saúde.
Com a mesma intensidade da cobrança em cima de sua saída da prefeitura, Sílvio era questionado sobre o seu colega de chapa. Vários nomes surgiram como os dos deputados José Mainha Filho e Edson Ferreira, ambos do DEM, e também do próprio empresário R. Sá, filiado ao PSDB.
José Mainha descartou de imediato, mas mostrava tímido desejo de vê seu partido ocupando mais um lugar na majoritária, além daquela reservada ao senador Heráclito Fortes. Fruto de um pedido dos deputados, Edson Ferreira chegou a ser dado como uma escolha natural da lista dos quinze nomes que Sílvio tinha para escolher.
Com atraso em relação aos outros candidatos, Sílvio resolveu anunciar o R. Sá durante uma entrevista coletiva, realizada na Plug Propaganda, na semana passada. O tucano alegou que precisava de um homem de força na região Sul, com o perfil empreendedor. Negou que estivesse em busca de dinheiro ou barganha política. Mas, certamente, a sua maior intenção é penetrar naquela parte do Estado que é pouco conhecido, um terreno dominado pelos adversários.
SAIBA MAIS SOBRE OS TRÊS PRINCIPAIS CANDIDATOS A VICE Antônio José de Moraes Souza Filho, 40 anos, nasceu em Parnaíba-PI. É empresário e diretor de Desenvolvimento de Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai-PI). Foi vereador por três anos (1993-1996), na cidade de Parnaíba, prefeito da mesma cidade de 1997 a 2000. Deputado estadual (2003 a 2007 / 2007 a 2011)
Flávio Rodrigues Nogueira, 57 anos, é da cidade de Alto Santo, no Ceará. É médico formado pela Universidade Federal do Piauí, com especialização em Cancerologista pelo Instituto Nacional do Cancer - Rio de Janeiro/RJ, especialização em Cirurgia Torácica e Pneumologia pela Sociedade Brasileira de Pneumologista e Tisiologia, Estagiário do Royal Bromptom Hospital - Londres/Inglaterra.
Diretor Clínico do Hospital São Marcos - Teresina/PI, Editor de Revista Médica do Hospital São Marcos - Teresina/PI, Médico Pneumologista e Cirurgião Torácico CRM 837, Professor da Faculdade de Medicina de Valença-RJ.
Foi Superintendente da Fundação Municipal de Saúde - Teresina/PI, membro do Conselho Estadual de Saúde, Presidente do Sindicato dos Médicos do Piauí, Conselheiro do Conselho Regional de Medicina - Teresina/PI, Presidente do Sindicato dos Hospitais de Misericórdia e Entidades Filantrópicas, Secretário de Defesa Civil, Deputado Estadual da 14ª e 15ª Legislatura, 2º Secretário da Mesa Diretora da 15ª Legislatura da Assembleia Legislativa do Piauí, delegado do PDT em Palmeirais-PI, Secretario Estadual das Cidades
Atualmente é deputado Estadual da 16ª Legislatura (2007-2011) e Presidente Regional do PDT
Título de Cidadão Palmeiraisense, título de Cidadão Piauiense, comenda da Ordem do Mérito Renascença do Piauí no grau Comendador, medalha de Honra ao Mérito da Polícia Militar do Piauí, medalha da Ordem do Mérito "Pelicano de Ouro".
Raimundo de Sá Urtiga Filho, mais conhecido como R. Sá Filho, tem 37 anos e é natural de Picos-PI. É formado em Direito pela Universidade de Fortaleza (Unifor) e te atuação empresarial em setores como postos de combustíveis, gás de cozinha, transporte coletivo, faculdade, concessionária de motos, dentre outros. Foi candidato a deputado federal nas eleições de 2006, quando obteve mais de 84 mil votos e ficou na sétima colocação entre os mais votados do Piauí para a Câmara Federal. Porém, por causa do voto de legenda, ficou na 1ª suplência. É membro da Câmara de Dirigentes Lojistas de Picos, da qual foi presidente, e ocupa cargos de direção desde a década de 90. É também membro da Associação Comercial e Industrial de Picos. Amigo a Polícia Militar e do Rotary Clube de Picos.