Por: Roberto Carvalho - 10/07/2010
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Lucely Souza, avó do goleiro Bruno, preso acusado de participação no assassinato da ex-amante Elza Samudio, concedeu entrevista exclusiva ao 180graus e fez novas revelações sobre a família que morou no Piauí. Ela falou sobre a informação dada pelo seu outro neto, Rodrigo, único irmão legitimo de Bruno, que mora no estado.
Dona Lucelly, como é mais conhecida, tem 65 anos e mora na cidade de Alcobaças, Sul da Bahia. Mora com dois netos. Tinha como companhia apenas a mãe de Bruno e Rodrigo, que é Sandra Cássia Souza de Oliveira Santos. Ela explicou que há cerca de dois meses esta retornou à cidade de Belo Horizonte, capital de Minas Gerais, para um tratamento que fazia.
“Sandra mora comigo, mas voltou para Minas (Gerais) onde faz um tratamento do coração. Quando soube agora desse caso do Bruno, aí que ela se sentiu mal mesmo. A última vez que eu falei com ela (por telefone) ela disse que precisava ser internada. Tinha um pessoal da Rede Globo me procurando, perguntando por ela também. Eu dei entrevista, mas expliquei que tudo que a gente quer é a sua soltura. O Bruno é um menino bom”, comentou dona Lucely.
Dona Lucely, avo materna, concedeu entrevista ao 180graus
FAMÍLIA NO PIAUÍ Avó materna, dona Lucely conta que acompanhou praticamente todos os problemas que passou a sua família. Ela fez novas revelações e explicou alguns pontos relatados por Rodrigo na entrevista exclusiva que deu ao 180graus. “Na verdade, o pai de Bruno (Maurílio Fernandes das Dores de Souza) e a mãe (Sandra) saíram muito cedo de Minas e levaram apenas o Rodrigo, que era recém nascido. Deixaram o Bruno com a outra avó, a paterna (Estela Santana Trigueiro de Souza), em uma favela de Belo Horizonte (Ribeirão das Neves). Foram bater no Piauí e aí começou a confusão”.
Ela não quis entrar em detalhes, mas revelou que o pai de Bruno era “de fazer muita confusão” e por isso a mãe do goleiro e de Rodrigo abandonou tudo e voltou para Belo Horizonte. “Eu que dei toda a assistência para a minha filha. Ela veio me procurar e eu atendi. Ela tinha muito medo dele (Maurílio), mas eu não vou dizer muito não, porque é meio complicado, sei que vocês da reportagem gravam o que a gente diz. Mas ele era meio envolvido com gente ruim. Morreu assassinado em 2002. Minha filha abandonou o Rodrigo e nunca mais teve noticia dele e nem do Bruno. Só quando (em 2006) aparece uma equipe da (Rede) Record querendo uma entrevista, saiu eu e a mãe do Bruno com ele na televisão”.
Dona Estela Santana, avó paterna, foi quem criou Bruno
MÃE ABANDONADA POR SER LÉSBICA? Não procede a informação de que Sandra, mãe de Bruno, foi abandonada por ele porque ela teria admitido ser lésbica e ter abandonado a família para morar com uma mulher. “Ela (Sandra) saiu com medo do marido. Ele era agressivo. Deixou o Rodrigo com o pai, porque ele podia até fazer outra coisa com ela. Não fez por mal. Tanto é que ele (Maurílio) fez o Rodrigo mudar de nome (virou Willians) e o entregou para uma outra família (a mãe adotiva Antonia Alves, residente na Vila Bandeirantes, zona leste de Teresina). De tanto viajar, morreu assassinado. Mas sei que o Bruno e o Rodrigo, únicos irmãos legítimos de pai e mãe, tem irmãos no Piauí (Yasmin e Pâmela). A Cássia tem ainda dois filhos aqui (Luís e Alberto). Essas coisas aí (de ser lésbica) é tudo fofoca. Ela faz o que ela quer da vida dela, não tem nada a ver o Bruno abandonar ela no Piauí por causa disso não".
Informações dão conta de que Sandra também responde por processos criminais e sofreu por alcoolismo. A avó explicou ainda que teve contato com Bruno por várias vezes e até já foi ao Rio de Janeiro, quando ele já era goleiro do Flamengo, há cerca de dois anos. Dona Lucely disse inclusive que foi a partir do primeiro contato com Bruno que começou a falar mais com Rodrigo. “A primeira vez que vimos o Bruno, já famoso e rico, foi por conta do programa da televisão. Depois, mantivemos contato, ele sempre tratou a gente muito bem, disse que queria ajudar, mas mudou de uma hora para outra. Não atendeu mais a gente. Eu percebi que tudo era por conta das amizades e principalmente da mulher que ele tem (Dayane Rodrigues). O Rodrigo, coitado, foi viver com ele depois comeu o pão que o diabo amassou”.
Sandra e Maurílio, pai e mãe do goleiro Bruno (preso) e do gari Rodrigo (vive no Piauí)
FAMÍLIA VERSUS DAYANE, MULHER DE BRUNO Quando começou a falar da mulher de Bruno, a modelo Dayane, que também foi presa por possível envolvimento no caso, dona Lucely teve a mesma reação que teve Rodrigo. Se mostrou revoltada com a figura dela, pediu que a Polícia observasse mais os gestos e seus depoimentos sobre o caso da ex-amante do goleiro Eliza Samudio. “Olha, não é por nada não, mas essa mulher do Bruno é ruim. Para você ter uma ideia, o Bruno só conheceu esse tal de Macarrão (Luiz Henrique Ferreira Romão) por causa dela. Eles se apegaram muito. Inclusive aquele outro menino, o de menor que também foi ‘preso’. E tem mais: esse menino é primo do Bruno sabia?! Ele é filho do tio do Bruno e por isso essa mulher dele fez com que o Bruno só gostasse dele, não quis mais nem saber da gente, família dele aqui na Bahia e o Rodrigo e as outras irmãs aí no Piauí. Ela (Dayane) fez a cabeça dele. Dizia que a gente ligava pra ele só pra pedir dinheiro. É por isso que ele começou a virar as costas pra gente.Esse negocio de dizer que ele só atendia a ligação dizendo: ‘O que é tu quer?’, é porque ela dizia que a gente queria só dinheiro. Mas olha, a gente não queria dinheiro não. Claro que não custava nada ele ajudar o irmão (que é gari e vive de forma paupérrima) e cumprir a promessa de mandar dinheiro pra mãe, mas eu culpo ela”.
Para dona Lucely, a principal acusada no assassinato de Eliza Samudio é Dayane. “Eu considero assim: essa Dayane é que deve ser a principal acusada e não o Bruno. Não sei se ele fala assim, ele gosta dela. Mas podem ir atrás dessa moça. Eu disse pro Bruno, estive no apartamento dele, na Barra da Tijuca: ‘Meu filho, essa gente não vale nada. Se afaste deles’. Ele não deu ouvidos. Preferiu acreditar nelas. Olha aí no que deu. Eu acredito que ela é a mais envolvida. O problema é que ele é que o mais famoso, ele era goleiro do Flamengo, rico, ganhava muito dinheiro e tai toda a mídia em cima dele. Eu dei uma entrevista hoje (nesta sexta-feira) para a TV Globo dizendo que estamos todos torcendo pelo Bruno. Rezo para que meu neto seja solto. Lógico que estamos todos horrorizados com tudo que está acontecendo. Ele (Bruno) não merece passar por tudo isso. Estava perto de acertar até om o Milan. Rezo todos os dias, desde que esse negocio começou, para que o Bruno seja solto, seja tudo provado e que ele é inocente. Afinal de contas, ele não chegou aonde chegou a toa. Foi com muito esforço, trabalho e dedicação. O Bruno merece o perdão. Se ele errou, vai pagar por isso. Mas podem ter certeza que ele é um menino bom. Pelo amor de Deus, a torcida do Flamengo, os brasileiros que viam no Bruno um grande goleiro, acreditem nele. Tomara que ele saia disso tudo coma cabeça erguida”.
Depois de 20 anos, a Rede Record mostrou o reencontro da mãe com Bruno
GOLEIRO BRUNO: DE HERÓI A VILÃO NACIONAL Bruno Fernandes das Dores de Souza nasceu dia 23 de dezembro de 1984, pertinho do Natal, e viveu pouquíssimo tempo, como bebê na periferia de Belo Horizonte (MG) com os pais. Um dia depois deste mesmo natal, a mãe do menino, Sandra Cássia de Oliveira Santos, e o pai dele, o caminhoneiro Maurílio Fernandes das Dores de Souza, pediram para que a avó paterna, Estela Santana Trigueiro de Souza, tomasse conta do recém-nascido. Com três dias de idade, o menino Bruno Fernandes das Dores Souza começava a viver um conto de fadas típico do Brasil: o do menino pobre que vence na vida através do talento para jogar futebol. Em 2010, 26 anos depois, o conto de fadas virou tragédia. Maurilio e Sandra Cássia continuaram casados por quatro anos. Em 1986, dois anos depois do nascimento do futuro goleiro, o casal se mudou para Teresina, no Piauí. Segundo depoimento de Sandra, em entrevista à Rede Record em 2006, Dona Estela não deixou que Bruno fosse com o casal. Eles levaram, porém, o outro filho, Rodrigo, então com um ano e oito meses. Quando os pais se separaram em 1988, Sandra foi morar com a mãe em Alcobaça, no sul da Bahia. Maurílio, nômade, encontrou uma família piauiense para criar Rodrigo -que virou willians.
Bruno foi criado pela avó Estela em Minaslândia, bairro pobre de Ribeirão das Neves, cidade de 340 mil habitantes na periferia de Belo Horizonte. Foi ali que Estela e o avô Roberto se fixaram quando o menino Bruno tinha sete anos. O pai, Maurílio, só veio a conhecê-lo de perto quando o goleiro completou 18 anos e já jogava futebol. Em 2002, pouco antes de morrer, Maurílio reencontrou também Rodrigo, o irmão que vive no Piauí, e disse: "Seu irmão virou jogador de futebol. Está no Atlético-MG". Maurílio, porém, não viu o sucesso de Bruno. Pouco depois de reencontrar os filhos que deixou para trás, ele faleceu em São Paulo, assassinado em 2002. E deixou para trás suspeitas de envolvimento criminal. A mãe, Sandra, voltou à vida de Bruno em 2006. O goleiro foi procurado e aceitou conhecê-la no programa Domingo Espetacular. Ficou emocionado. Mas não a ponto de mudar sua vida: "Minha mãe é a dona Estela (78 anos). É minha velhinha e a quem eu devo tudo". A falta de pai e mãe fez Bruno criar uma família particular. Seus amigos mais próximos sempre foram três: Luciano, o Lulu; Luiz Henrique Romão, o Macarrão; e o primo Sérgio Rosa Sales. Os dois últimos são suspeitos de envolvimento na morte de Eliza. De herói do Flamengo a vilão nacional, o goleiro Bruno conheceu a ira de quem o aplaudira. Saiu e entrou escoltado de delegacias nos últimos dias sob protesto de populares. Com os irmãos do jogador acontece situação parecida. Pedro, de 11 anos, e Luis Alberto, de 13, começaram a sofrer constrangimentos na escola onde estudam em Alcobaça, cidade do interior da Bahia, em consequência de tudo o que o jogador está sendo acusado de ter feito.
Bruno fichado na Polícia de MG acusado no assassinato de Eliza
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