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Projeto fracassa e Piauí deixa de produzir biodiesel
Petrobras tem interesse em ficar adquirindo a mamona e o girassol
Por: Roberto Carvalho - 11/08/2010
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Seis anos após a implantação do projeto de biodiesel no Piauí, o estado agora somente produz a matéria prima para a transformação no óleo. A fábrica inaugurada no município de Floriano, em 2007, voltada exclusivamente para criar biodiesel através da mamona produzida no assentamento Santa Clara, nos municípios de Canto do Buriti e Eliseu Martins, encerrou as atividades no final do ano passado.
Segundo Manoel Simão, diretor da Federação dos Trabalhadores na Agricultura do Piauí (Fetag), vários fatores contribuíram para o fracasso do projeto iniciado em 2004 por meio de parceria entre o Governo do Estado e a empresa Brasil Ecodiesel. Um deles, para Simão, foi a falta de um planejamento melhor sobre o tipo de cultura a ser utilizado no assentamento.
“A terra não era muito boa para mamona, o que afetou diretamente a produtividade. Além do mais, colocaram 17 hectares para cada família cuidar, o que é muita terra para pouca gente trabalhar. Uma família consegue dar conta de, no máximo, dois hectares”, disse Manoel.
Com o tempo, a empresa, que também era proprietária da fábrica de Floriano, viu que a produção da mamona era muito pequena para gerar lucratividade necessária. Então, a fábrica desistiu de utilizar a mamona para fazer biodiesel.
Como alternativa, as cerca de 700 famílias do assentamento passaram a plantar outras culturas, como feijão, por exemplo, e vendendo a produção para o Governo do Estado e também para a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). No entanto, a produção de mamona e outras culturas voltadas para o biodiesel no Piauí não acabou.
O Governo Federal, através do Ministério do Desenvolvimento Agrário, implantou dois projetos voltados para a agricultura familiar na região de São Raimundo Nonato, no Semiárido e no entorno de Esperantina, na região Norte.
Em São Raimundo Nonato, as 700 famílias plantam mamona com uma produtividade média de 500 kg por hectare. Elas estão lá desde 2007 e atualmente já estão preparando a terceira safra. A produção toda é comprada pela Petrobras, que utiliza a matéria prima para transformar em biodiesel na fábrica que possui na Bahia.
Já em Esperantina, outras 700 famílias começaram a plantar este ano girassol, também com fins para transformação em biodiesel. A Petrobras também é parceira desse projeto e está comprometida a compra da produção e levar para o beneficiamento na mesma fábrica da Bahia.
Segundo o delegado do MDA no Piauí, Adalberto Pereira, a tendência é a produção aumentar, já que a Petrobras tem interesse em ficar adquirindo a mamona e o girassol.