Por: Roberto - 30/08/2017
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O Piauí enfrenta um sério problema relacionado à cardiopatia congênita. Somente no ano de 2017 foram 17 óbitos de crianças acometidas pela doença, que literalmente morreram nas filas de espera aguardando a cirurgia que poderia salvá-las. No momento são 20 crianças na fila de espera da regulação a espera do benefício, que em tese deveria ser provido integralmente pelo Estado.
Alessandra Oliveira Costa e o filho Artur infelizmente entraram para a triste estatística. “A perda de um filho é muito forte. Lutei muito por ele e não deu, porque a cirurgia dele deveria ser feita antes dos seis meses. Só foi realizada com oito, e ele já estava com hipertensão pulmonar e não resistiu à cirurgia. Por isso hoje eu luto por todas as mães, contando minha experiência e ajudando da forma que for possível”, conta emocionada.
Diante deste panorama, Djan Moreira, conselheiro tutelar, provocou o deputado Rubem Martins (PSB) para a realização de uma audiência pública para discutir a questão. “No Brasil nascem 28 mil crianças com esse diagnóstico, deste número 23 mil precisam de intervenção cirúrgica. No entanto, as intervenções cirúrgicas atingem um número muito pequeno. Cerca de 18 mil morrem sem a cirurgia porque não são atendidas em tempo hábil”, explica.
Florentino Neto, secretário de estado da saúde, conta que o Governo do Estado não se furta de realizar o tratamento adequado das crianças, mas que há carência de médicos especialistas na área. “Estamos construindo um grupo de profissionais do Pernambuco para que sejam feitos mutirões de cirurgias a partir de setembro, em um final de semana por mês. Queremos eliminar a fila até dezembro. Não é um problema de estrutura, o Piauí tem bons hospitais e somos referência”, avalia.
A juíza Maria Luiza Freitas, da Vara da Infância e da Juventude, firma a necessidade que o Estado têm de suprir a demanda de cirurgias. “O Estado não possui pessoal e estrutura adequada para solucionar esse problema e as liminares que concedemos não são efetivas em outros estados, pois são liminares de âmbito estadual. O problema precisa ser resolvido aqui”, frisa.
MN