Por: Roberto - 04/10/2017
89
O Piauí tem, na região da Chapada do Araripe, seis das maiores empresas de produção de energia eólica, a pioneira Casa dos Ventos, a Global Control, Votorantim, a Queiroz Galvão e a Cúbico, formada por um consórcio de dois bancos do Canadá e um espanhol, o Santander, que juntas estão produzindo 1,2 gigawatts de energia, suficiente para abastecer 1 milhão de residências e cerca de 5 milhões de pessoas.
Uma das últimas usinas a ser implantada no Piauí foi a Ventos do Araripe III, da empresa Casa dos Ventos, um dos maiores complexos eólicos da América Latina, de acordo com o supervisor do parque, o piauiense de Alegrete do Piauí Evandro Carvalho, que chegou a trabalhar no setor de energia da TV Globo de São Paulo.

As empresas planejam implantar mais 80 usinas de produção de energia eólica no Piauí e estão esperando o novo leilão do Governo Federal, marcado para o mês de novembro.
Evandro Carvalho afirmou que o Parque Ventos do Araripe III, implantado nos municípios piauienses de Simões e Curral Novo e em Araripina (PE), possui 156 turbinas, com capacidade de 359 megawatts (MW) espalhadas em uma área de 30 quilômetros.
“A nossa produção é de 359 megawatts, 100 megawatts a mais do que a produção da Barragem de Boa Esperança (hidrelétrica de Guadalupe)”, afirmou Evandro Carvalho.
A produção da usina Ventos dos Araripe é suficiente para fornecer energia para 400 mil residências, equivalente a cerca de 2 milhões pessoas, mais da metade da população do Piauí, que é de R$ 3,2 milhões de habitantes.
“Esse complexo não é chamado de gigante por acaso, é enorme, grande com geração absurda de energia. Na América Latina, em um único complexo, eu não tenho informações de que exista maior do que o Ventos do Araripe III”, falou Carvalho.

Casa prioriza mão de obra local
Atualmente, a Casa dos Ventos está empregando 45 pessoas, mas durante a implantação do parque eólico foram empregados 1,5 mil pessoas. “Sempre priorizamos a mão de obra local”, falou Evandro Carvalho, lembrando que o impacto da implantação do complexo eólico foi muito grande, principalmente na cidade de Simões com a construção de novas residências, aberturas de novos restaurantes e escolas, além de uma adutora para levar água para a sede do município.
O presidente e fundador da Casa dos Ventos, Mário Araripe, afirmou que foram investidos R$ 1,8 bilhão para a implantação do Complexo Eólico Ventos Araripe III, composto por 14 parques, nove no Piauí.
“A entrada em operação do Complexo Ventos do Araripe III não só consolida a Chapada do Araripe como um dos maiores polos de geração eólica do mundo, como celebra um ciclo de investimentos de 1GW em dois Estados muito importantes para a companhia”, declarou Mário Araripe.
Segundo ele, o Complexo Eólico Ventos do Araripe III tem capacidade instalada maior do que todos os parques eólicos inaugurados em 2016 em países como a África do Sul, Grã-Bretanha e México. (E.R.)
“Identificamos um recurso eólico singular na Chapada do Araripe, que nos permitiu gerar energia renovável a baixo custo, com impactos ambientais mitigados e ganhos sociais para as comunidades envolvidas”, adiantou Mário Araripe.
Evandro Carvalho afirmou que na Chapada do Araripe os ventos são de 11 metros a 12 metros por segundo.

Energia limpa, renovável e sustentável
A energia produzida pelo Complexo Ventos do Araripe III é distribuída por uma linha de transmissão de 35 quilômetros, conectada em uma subestação de energia elétrica, ligada ao Sistema Interligado Nacional (SIN).
Com o início da operação do complexo eólico Ventos do Araripe III, cerca de 500 mil toneladas de dióxido de carbono deixarão de ser emitidas anualmente na atmosfera, contribuindo para um desenvolvimento sustentável, a partir da geração de energia limpa e renovável.
A Casa dos Ventos informou que 70 famílias de Simões e Araripina tornaram-se parceiras da empresa arrendando suas propriedades para a implantação dos aerogeradores, em um modelo que permite que recebam uma quantia calculada a partir de energia gerada, somando R$ 5 milhões, que serão pagos anualmente aos moradores locais com propriedades arrendadas para o complexo eólico.
Dependendo da quantidade de aerogeradores implantados , cada família recebe de R$ 900,00 a R$ 6 mil por ano.
MN