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Famílias recorrem ao "disque-água" para não morrer de sede no sertão do PI
Por: Roberto Carvalho - 06/09/2010
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Para não morrer de sede no sertão do Piauí, milhares de famílias estão sendo obrigadas a recorrer ao “Disque-água”, sistema criado por pequenos comerciantes e pipeiros para vender água. O carregamento com cinco mil litros está sendo vendido por R$ 90,00. “A gente é obrigado a deixar de comprar o que comer, para comprar água”, disse o agricultor Manoel Rosa dos Santos.A situação é mais grave nas regiões de Picos, Paulistana, Marcolândia, Simplício Mendes, São João do Piauí e São Raimundo Nonato, onde não chove há mais de seis meses. As plantações de milho, arroz e feijão foram devastadas. Em muitas cidades, falta água para o consumo da população e dos animais.O quadro se agravou nas últimas semanas, quando focos de incêndio se espalharam pela região do semi-árido. Muitos reservatórios de água secaram. Nem as cisternas resistiram a escassez de chuva. “A situação ficou insustentável. Só depois pode mandar chuva, para as coisas melhorarem”, disse o agricultor Luís Antônio da Rocha.Segundo Paulo Carvalho, secretário de políticas agrícolas da FETAG, a situação da falta de água no sul do Piauí ainda é grave e a maioria permanece em estado de emergência. “Dos municípios que tenho visitado o pior está em Curral Novo, onde a água está da cor de fanta, amarela”, disse o secretário.O município de Araripina, em Pernambuco, estado que faz divisa com o Piauí, está sendo vendido água até R$ 150,00. Os piauienses que residem em Marcolândia no PI, que fica a 30 km de Araripina, e possuem uma melhor condição, vão até a cidade comprar água potável para consumir.