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Terça-Feira - 22 de Setembro de 2026
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Justiça

É possível inibir a corrupção eleitoral?

Por: Roberto Carvalho - 14/09/2010

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Botar a mão em quem compra e vende voto não é tarefa fácil para a justiça eleitoral. Esta só age na maioria das vezes quando acionada por quem registra e faz denúncia formal de um flagrante que geralmente é feito com provas confirmadas através de fotografias, vídeos ou documentos.A maior dificuldade está em provar acordos feitos debaixo do pano, onde quem compra age via intermediário que mantem contato na surdina com o possível vendedor de votos. Afinal, a pobreza material, baixa escolaridade e, sobretudo, a pouca consciência política, a esperteza, a troca de favores, do levar vantagem em tudo influi para que muita gente comercialize seu voto, da família ou de parentes. Os intermediários, geralmente chefes de comitês eleitorais são os testas de ferro. São eles que na maioria das vezes firmam contatos com pessoas que são remuneradas para que façam volume nas caminhadas e bandeiraços, coloquem cartazes e ou coloquem cavaletes em frente as suas residências. Contratam donos de veículos para que participem das carreatas ou mesmo façam plotagem em troca de combustíveis. A média nestas eleições é distribuir 30 litros por semana para plotagem de carro, o que corresponde R$ 71,70.Infelizmente cada vez mais fazer política transforma-se em negócio onde o interesse pessoal, a esperteza e o desemprego falam mais alto. As ideologias e os programas partidários são cada vez mais rebaixados. Nem o projeto da ficha limpa vem conseguindo barrar esta lógica perversa que leva o aumento do desencanto e descrédito com o fazer político. As eleições deste ano transformaram-se numa salada cujo sabor está difícil de degustar. As alianças e coligações estão misturadas, muitos candidatos agem de forma promíscua, apenas aperfeiçoaram tendo mais cuidados nos métodos de comprar votos. Esta lógica reforça o personalismo, e a eleição de políticos conservadores financiados por grandes grupos econômicos. A Justiça Eleitoral este ano vem fazendo uma campanha publicitária na tv muito boa, onde apela para o senso crítico do eleitor na hora de votar. Contudo só isto não é suficiente. Aos partidos políticos e as organizações da sociedade civil cabe exigir mais rigor na aplicação da Lei da Ficha Lima e, do próximo Congresso Nacional, a aprovação de uma reforma política capaz de fortalecer os partidos, dar mais transparência ao financiamento das campanhas e, principalmente, cobrar mais e mais investimentos em educação.Faz-se também necessário fazer mais campanhas educativas nas escolas sobre política para fomentar com maior intensidade no meio social a valorização da democracia participativa e direta, procurando ainda ressaltar valores coletivos e comunitários frente ao individualismo e da concorrência exacerbada.
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