Por: Roberto Carvalho - 26/10/2010
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No primeiro bloco do debate da TV Record com presidenciáveis, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) centraram seus comentários mais duros em escândalos que envolveram ex-assessores de ambos. A petista teve de falar sobre a ex-ministra Erenice Guerra e o tucano comentou sobre Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. O encontro desta segunda-feira (25) é o penúltimo da disputa.
Erenice é acusada de ter feito tráfico de influência na Casa Civil e de ter admitido seu filho, Israel, e amigos dele na pasta. Souza é suspeito de ter arrecadado ilegalmente R$ 4 milhões que seriam destinados a campanhas tucanas. Ambos os personagens apareceram nos programas de Dilma e de Serra no horário eleitoral obrigatório.
Atrás nas pesquisas, Serra trouxe para o debate as acusações de tráfico de influência na Casa Civil durante o período em que Erenice, ex-assessora de Dilma, esteve à frente da pasta. Para o tucano, a adversária levanta acusações contra ele para que os eleitores tenham a impressão de que os candidatos são iguais. “Foi ela que teve como braço direito uma mulher que montou um esquema amplo de corrupção”, disse.
Dilma respondeu lembrando que Erenice deu depoimento à Polícia Federal poucas horas atrás. “E que dizer do Paulo Preto que não depõe?”, questionou ela, citando o ex-diretor da empresa de estradas paulistas, a Dersa. “O candidato Serra quando está pressionado, usa essa história de trololó. [Paulo Preto] é braço direito, esquerdo e se duvidar é a cabeça também”, disse a líder nas pesquisas.
“Logo que ele chegou na Dersa, mudou os termos de um contrato. A parte sul do Rodoanel de São Paulo teve três vigas que caíram e um dos motivos levantados é material de baixa qualidade”, afirmou ela. “Nunca viga cair e ser um exemplo de gestão primorosa do candidato Serra”, disse, em referência a um incidente ocorrido na obra que foi vitrine do tucano no governo de São Paulo.
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Serra chamou as acusações de Dilma de “rosário de mentiras”. “Vocês inventaram uma coisa de que teria havido uma contribuição para a campanha que eu não teria recebido e que ele teria recebido. Ele está citado numa operação que a Policia Federal fez e está investigando. Quem tem de investigar é a Polícia Federal”, disse o tucano. “A Dilma está enrolada nessa história toda e aí fica procurando pretexto para atacar os outros.”
A Petrobras foi tema das discussões do segundo bloco do debate entre presidenciáveis promovido pela Rede Record nesta segunda-feira (25). Ao formular a primeira questão, o candidato tucano José Serra questionou a petista Dilma Rousseff sobre as acusações que faz em sua campanha de que ele privatizaria o pré-sal. "A candidata Dilma, em seus comerciais, tem dito mentirosamente que eu vou privatizar o petróleo e o pré-sal. Ela entregou exploração de petróleo para 108 empresas privadas, metade estrangeira e metade nacional. Não é coerente a acusação que ela me faz", afirmou.
Em resposta, Dilma chamou o pré-sal de "bilhete premiado", e disse que após sua descoberta, os leilões foram suspensos e o modelo de concessão foi mudado. "Nós podemos dividir a história do pré-sal em dois momentos: antes do pré-sal e depois do pré-sal", disse a candidata. "Eu acho estranho que você negue que não queira privatizar o pré-sal, e hoje mesmo, uma pessoa importante do PSDB declarou que está errado o modo como operamos a Petrobras", afirmou a petista. Dilma disse que acredita que a Petrobras tem competência suficiente para investir no pré-sal.
O segundo bloco seguiu com os candidatos trazendo a tona o assunto "Petrobras" a todo o momento. Serra afirmou que Fernando Collor de Mello, ex-presidente da República, comanda operações da BR Distribuidora, da Petrobras. "O Collor de Mello, que foi presidente do Brasil deposto por corrupção, que hoje apoia Dilma fanaticamente, comanda operações da BR distribuidora, da Petrobras", afirmou o candidato do PSDB. Dilma não chegou a comentar a afirmação do tucano.