Por: Roberto - 27/07/2018
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Com a pauta da flexibilização do uso de agrotóxicos em alta, devido ao projeto de lei que tramita em Brasília, o Piauí traz dados que mostram que a produção agropecuária do estado está, em sua maioria, livre do uso de agrotóxicos. O censo agropecuário 2017, feito pelo IBGE, mostra que dos 245.623 estabelecimentos agropecuários do estado, 189.766 não utilizam agrotóxicos em sua produção. Apenas 19,44% aplicam as substâncias químicas.
No entanto, mesmo com os dados mostrando que a produção piauiense está em sua maioria livre do risco de envenenamento, é possível ver que a utilização de técnicas para melhorar a produção e o setor também é negligenciada por produtores. A correção do solo para ajudar na produção é deixada de lado por 240.238 dos estabelecimentos agropecuários, ao passo que 218.407 também não utilizam a adubação para produzir, seja ela química ou orgânica.
Tal realidade pode ser explicada pela falta de assistência técnica procurada pelos produtores. Das 245.623 unidades agropecuárias piauienses, apenas 3,44% deles contam com a assistência técnica, correspondendo a 8.465 unidades. O número de estabelecimentos que aplicam a irrigação na produção também preocupa, apenas 14.885 estabelecimentos irrigam suas áreas, correspondendo a apenas 1,35% da área, em hectares, do estado onde a agropecuária é feita.
O Censo mostra ainda que houve mudança nas principais categorias de animais criados no setor agropecuário piauiense. Os animais de grande porte, como bovinos, que antes eram destaques no setor e estavam atrás apenas das aves no efetivo, abriram espaço para animais menores como caprinos e ovinos. Pedro Andrade de Oliveira, coordenador operacional do censo agropecuário 2017, fala que essa mudança ocorre devido ao retorno que cada classe de animal dá ao produtor.
“Os animais de grande porte demoram por volta de 30 meses ou um pouco menos para dar retorno a economia do produtor, e muitos deles não podem se dar ao luxo de aguardar tanto tempo para ter esse retorno. Os animais de pequeno porte como os caprinos conseguem dar esse retorno mais rapidamente, por isso ganharam espaço no setor”, fala Pedro Andrade, que também citou a seca como fator que ajudou a causar essa mudança.
Perfil do produtor piauiense
O censo do IBGE trouxe ainda o perfil dos produtores piauienses. Em sua maioria, a classe ainda é composta por homens, que correspondem a 190.893 produtores, o Piauí conta com 54.334 mulheres produtoras, 22,16% do total.
A idade também foi abordada e a faixa etária que mais está presente no setor agropecuário do estado é a de 30 a 59 anos, correspondendo a 60,84% dos produtores. Apenas 7,02%, ou seja, 17.224 produtores estão o grupo abaixo dos 30 anos. Os dados apontam que a renovação dos trabalhadores da agropecuária não está acontecendo plenamente. Pedro Andrade fala que a realidade está assim porque muitos filhos não estão dando continuidade ao trabalho dos pais no setor. 78.806 produtores estão acima dos 60 anos.
O dado mais alarmante é percebido ao se analisar a escolaridade dos produtores, 41,85% deles não sabem ainda ler ou escrever, o que aponta uma falta de escolaridade até mesmo entre as pessoas mais velhas, que compõem a maior parte dos produtores do Piauí.
Os dados completos do censo podem ser verificados no site do IBGE, o www.ibge.gov.br. Os dados apresentados são as primeiras informações do censo, que deve ser finalizado no final de 2018.
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