Saúde
Desnutrição e mortalidade infantil caem no Piauí
Índice no Piauí ainda está acima do número aceitável pela OMS
Por: Roberto Carvalho - 15/12/2010
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A desnutrição e mortalidade infantil, indicadores utilizados pela Organização Mundial de Saúde para medir o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) dos países em todo o mundo, apresentou redução significativa no Piauí nos últimos anos.
Segundo informações da Secretaria de Saúde do Piauí (Sesapi), a mortalidade de crianças de zero a cinco anos no estado caiu de 33,10 para cada 1.000 nascidos vivos, em 2002, para 23,90 em 2008, índice abaixo da média da região Nordeste (32,8) e próximo da média brasileira (22,8). O número aceitável pela OMS é de 19 mortes para cada 1000 nascimentos vivos.
A superintendente de Atenção a Saúde da Sesapi, Cristiane Moura Fé, disse que a redução da mortalidade no Piauí foi e está sendo possível graças a diversas ações, como capacitação dos profissionais de saúde, ampliação do Programa Saúde da Família, melhoria na qualidade do atendimento às mães e qualificação das informações.
“O pré-natal e o peri-natal foram ampliados, além do acompanhamento mais intenso para o pós-parto. Também a equipe de saúde ficou de olho nas gravidez com mais risco, para evitar, por exemplo, que gestantes nessa situação tivessem em porto em locais que não há hospitais de média ou alta complexidade”, comentou Cristiane.
Também foram instalados comitês de mortalidade materna e infantil, para que técnicos de saúde investigassem cada óbito ocorrido no estado, de forma a descobrir o que levou o fato a ocorrer e como evitar que o erro se repetisse.
Com relação à desnutrição, o Piauí apresentou melhorias significativas, ajudando o Brasil a atingir a meta da Organização das Nações Unidas (ONU) para desnutrição infantil, que estava prevista somente para 2015, com a adesão do País ao primeiro Objetivo de Desenvolvimento do Milênio (ODM) – Erradicar a Extrema Pobreza e a Fome.
No período entre 1989 e 2006, a proporção de crianças menores de cinco anos com baixo peso para idade caiu, em nível nacional, de 7,1% para 1,8% e a de crianças com baixa altura, de 19,6% para 6,8%. No Piauí, os dados em 2008 eram os seguintes: crianças com peso baixo para a idade eram 6,6%. Em 2010, 6,3%.
Segundo Cassandra Muniz, supervisora de Nutrição da Sesapi, a redução da desnutrição no Estado deve-se ao aumento da cobertura de vacinação, incentivo ao aleitamento materno exclusivo nos seis primeiros meses de vida e ainda ao Bolsa Família, que permitiu famílias poderem adquirir alimentos.
Os dados estão no "Saúde Brasil 2009", publicação anual da Secretaria de Vigilância em Saúde (SVS). Entre os principais destaques do documento, estão dados sobre mortalidade infantil e materna, além de números gerais sobre nascimentos e mortes no país.
No Brasil, a taxa da mortalidade na infância, entre menores de cinco anos, caiu 58% entre 1990 e 2008 – de 53,7 óbitos a cada mil nascidos vivos para 22,8. Nesse ritmo, o governo acredita que o país pode antecipar em três anos o cumprimento do quarto ODM – reduzir a mortalidade na infância para 17,9 óbitos por mil nascidos vivos, previsto para 2015. Desde 1990, de acordo com o ministério, a taxa de mortalidade na infância diminui entre 4,7% e 5,2% ao ano.
Ainda com taxa acima dos índices do país, o Nordeste puxou a queda nacional e conseguiu reduzir em 65% o índice regional de mortalidade na infância, entre 1990 e 2008 – uma redução média de 5,3% ao ano. No período, a taxa da região caiu de 87,3 por mil nascidos vivos para 32,8.