Geral
Ministro Carlos Lupi defende
salário mínimo de R$ 560
Por: Roberto Carvalho - 27/12/2010
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Confirmado pela presidente eleita Dilma Rousseff para permanecer no cargo no próximo governo, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, defendeu, em entrevista à Folha, o salário mínimo em R$ 560 no ano que vem, acima dos R$ 540 pregados pela equipe econômica da Dilma. Ele afirma ter saído vencedor de todas as disputas com a Fazenda e o Planejamento em torno do mínimo.Lupi atacou a polêmica, que considerou "hipocrisia", provocada por ele ter sido indicado ministro enquanto era presidente do PDT. Mesmo licenciado, diz, segue participando de todas as decisões internas do partido. Assim como o presidente Lula, no PT, e o futuro vice-presidente, Michel Temer, no PMDB, acrescenta.Ao assumir o ministério, Carlos Lupi afirmou que o fato de ser o presidente do PDT muita polêmica foi gerada, o que não teria acontecido com membros de outros partidos. "Nunca ninguém perguntou por que tantos outros já foram presidentes de partido e ministros, nunca ninguém questionou. Só com o PDT e o "pobrinho" do Lupi, o jornaleiro aqui. Pedi para sair [da presidência do PDT], mas não mudou nada partidariamente. Tudo o que acontece no partido eu participo", diz.À frente do ministério, ele acredita que fez um trabalho de reestruturação, incluindo aí a realização de concurso público para preenchimento de 3 mil vagas admistrativas. "No combate ao trabalho escravo, ganhamos todas as ações na Justiça", ressaltou. Sobre a relação com os demais ministros, Carlos Lupi afirmou que nunca houve "briga". "A opinião de um ministro é essa, a de outro é aquela, e quem decide é o Lula. Se achar que uma decisão do presidente é algo que eu não posso aceitar, peço demissão e vou para casa. Mas isso nunca ocorreu. Toda vez que tem conflito, o Lula entra, via de regra, para o lado do trabalhador. Toda discussão de salário mínimo que a gente participou a gente venceu o Planejamento e a Fazenda. Como é que o Lula poderia ser favorável a flexibilizar a legislação [trabalhista], se foi ele o maior beneficiário? Como é que ele não ia fazer uma política regionalizada priorizando o Nordeste, se ele veio dali?", questionou.O ministro acredita que o grande diferencial do governo Lula é o emprego e o ganho real de salário. "A geração de emprego e o ganho real de salário é que fez a diferença. É o ciclo virtuoso da economia. E por isso sou defensor de que o aumento do salário mínimo tem de ser de R$ 560, porque R$ 580, nesse momento, é uma puxada que não dá para suportar. Mas R$ 540 é muito pouco", concluiu.