Por: Roberto - 17/06/2019
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O ministro do Supremo Tribunal Federal ( STF ) Luiz Fuxafirmou, em seminário na Escola de Magistratura do Rio (Emerj) nesta segunda-feira, que uma das qualidades que devem ser mantidas por juízes é a de serem "olimpicamente independentes". A fala ocorreu durante a abertura do evento "A Magistratura que Queremos", que teve como um de seus coordenadores o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Luis Felipe Salomão. Após o evento, Fux evitou comentar o conteúdo vazado dos diálogos entre o atual ministro da Justiça Sergio Moro e o coordenador da Lava-Jato Deltan Dallagnol, publicados pelo site "The Intercept Brasil" .
Em um dos diálogos, Dallagnol afirmou a Moro que havia ouvido de Fux um apoio à Operação Lava-Jato. Moro, então, responde com a frase em inglês "In Fux We Trust" ("Em Fux nós confiamos").
- Esse caso não quero comentar, até porque tenho profundo respeito pelo magistrado (Moro). Não quero me imiscuir na independência dele, assim como não gostaria que ele se imiscuísse na minha - disse Fux aos jornalistas.
No último domingo 9, o ministro da Justiça Sergio Moro foi uma das pessoas que teve conversas vazadas em reportagem publicada pelo "The Intercept Brasil".

Foto: Daniel Marenco / Agência O Globo
Nos registros, Moro aparece em trocas de mensagem com outros nomes associados à operação Lava-Jato, como o promotor Deltan Dallagnol, em conversas sobre os rumos de casos então em andamento.
A origem dos vazamentos não foi identificada, mas procuradores associados à Lava-Jato no Paraná, Rio de Janeiro e Brasília relataram tentativas de invasão de seus aparelhos celulares ao longo do último mês. O próprio telefone de Moro foi alvo de um dos ataques
As mensagens geraram grande repercussão, levantando questões sobre a idoneidade dos processos de casos como o que levou o ex-presidente Lula à prisão, no ano passado
Em uma das mensagens divulgadas, de 2016, Moro aparece questionando o ritmo das prisões e apreensões da Lava-Jato ao perguntar: "Não é muito tempo sem operação?"
Na foto, Moro anuncia que decidiu deixar a magistratura, após 22 anos de carreira, para assumir o cargo de ministro da Justiça no governo de Jair Bolsonaro. Moro era um dos juizes responsáveis pelo julgamento dos casos envolvidos com a Operação Lava Jato
Até o momento, a ação mais notável de Moro no comando da pasta é a proposta do chamado 'pacote anticrime', uma série de medidas para combater a criminalidade no Brasil.
Na foto, Sergio Moro durante viagem ao Rio para se encontrar com Bolsonaro, ao receber o convite para ser ministro da Justiça. Ministro negou irregularidades e denunciou invasão ilegal de suas comunicações como único "fato grave"
Em nota, Moro negou qualquer irregularidade nas conversas. "Quanto ao conteúdo das mensagens que me citam, não se vislumbra qualquer anormalidade ou direcionamento da atuação enquanto magistrado, apesar de terem sido retiradas de contexto e do sensacionalismo das matérias, que ignoram o gigantesco esquema de corrupção revelado pela operação Lava-Jato"
O site "The Intercept" também divulgou que procuradores discutiram como barrar uma entrevista do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva antes das eleições, autorizada por ministro do STF. Um editor executivo do site ainda contou na Bandnews que o procurador Deltan Dallagnol conversou com Moro sobre apoio do ministro Luix Fux à Lava-Jato.
Ainda sem se manifestar diretamente sobre o caso, o presidente Jair Bolsonaro participou de evento na Marinha e assistiu a jogo do Flamengo com o ministro Sergio Moro, em sinal de apoio. No dia seguinte, disse que o legado do ex-juiz da Lava-Jato contra a corrupção "não tinha preço" e questionou os vazamentos.
Em café da manhã com jornalistas, na sexta-feira posterior ao vazamento das conversas, Jair Bolsonaro disse que a saída de Moro do governo não foi cogitada "em nenhum momento". Em entrevista ao "Estado de S. Paulo", o ministro contestou a autenticidade das mensagens e disse que não vai deixar o cargo.
Após o vazamento de conversas do ministro da Justiça Sergio Moro com procuradores da Lava-Jato, a estratégia dos líderes do centrão na Câmara dos Deputados é desencadear uma série de reações no Legislativo.
Fux também defendeu, em sua participação no seminário, que juízes tenham "conhecimento enciclopédico", "nobreza de caráter" e "a arte de fazer uma justiça caridosa se tornar uma caridade justa".
O ministro do STF argumentou ainda que há casos em que juízes precisam levar em conta "valores morais da sociedade" e "razões públicas" na hora de proferir decisões. Em julgamento na última quinta-feira, Fux foi um dos oito ministros da Corte a votar a favor da criminalização da homofobia.
- Em alguns casos, o magistrado julga de acordo com sua consciência. Em outros, estão em jogo valores morais da sociedade, razões públicas - afirmou Fux.
- No meu modo de ver, nesses casos, como descriminalização das drogas, homoafetividade e a idade em que crianças entram na escola, o juiz deve levar em conta como pensa moralmente a sociedade, para verificar se a decisão condiz com o sentimento constitucional do povo - argumentou o ministro.
oglobo