Por: Roberto Carvalho - 22/04/2011
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Sexta-Feira Santa é, por tradição, o dia de não comer carne vermelha. Mesmo aqueles menos apegados à religião católica trocam o bife por um peixe. Mas se comer um bom prato de bacalhau não é exatamente uma penitência, como sugere a Igreja Católica, alguns cristãos mantém tradições ainda mais antigas e se privam de prazeres durante toda a Quaresma. Além da carne vermelha, há quem renuncie a doces, refrigerantes, álcool e até a conversa com os amigos durante parte do dia.
Escolhi me abster de doces e refrigerantes, porque eles não fazem falta na alimentação, apenas me dão prazer" Eliana SilvaEliana Maria Silva, de 34 anos, membro da comunidade Canção Nova em Cachoeira Paulista (SP), escolheu diferentes tipos de sacrifícios para a Páscoa. “Nesse tempo, a gente faz memória aos 40 dias que Jesus passou no deserto jejuando, como preparação para a Páscoa. Cada um escolhe livremente o que faz. Eu escolhi me abster de doces e refrigerantes, justamente porque eles não fazem falta na alimentação, apenas me dão prazer”, explica.
Nas quartas e sextas-feiras da Quaresma, Eliana deixa ainda de comer carne. E, neste ano, ela incluiu outro tipo de “jejum” neste período. “Moro com oito mulheres. Começamos a pensar em um jejum coletivo, aí uma sugeriu ficarmos em silêncio”, conta.
A partir das 22h, na Quaresma, nenhuma delas fala sequer uma palavra na casa. Além do veto à conversa, elas também deixam de assistir à televisão e ouvir música a partir desse horário.
Eliana (terceira da esquerda para a direita) e suas colegas de casa não conversam depois das 22h durante todos os dias da Queresma (Foto: Arquivo/Canção Nova)