Por: Roberto - 11/01/2021
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As noivas Cindy e Ludmilla viram uma corrente de apoio se formar em torno delas depois que tiveram recusado o pedido para o registro de casamento das duas, por serem um casal homoafetivo. A empresa procurada pelo casal se recusou a fazer o registro da festa e, com a repercussão, elas ganharam o apoio de empresas e profissionais que ofereceram ensaios fotográficos, buffet e até as alianças.

Cindy Andrade e Ludmila Chaves se conheceram na escola onde estudavam e namoram há 10 anos. As duas estavam começando a organização para a união, prevista para o fim de novembro de 2021, e faziam pesquisas de orçamento com diversas empresas, quando buscaram alguém que pudesse fazer o registro em vídeo da cerimônia.
“ELES FORAM A PRIMEIRA EMPRESA QUE EU ENTREI EM CONTATO PARA A FILMAGEM. VI PELO INSTAGRAM, ENTREI EM CONTATO E ELES LOGO PERGUNTARAM SE EU ERA A NOIVA E QUEM ERA O NOIVO. FALEI QUE ERA UMA NOIVA TAMBÉM. A RESPOSTA QUE RECEBI É DE QUE NÃO FAZIAM CASAMENTOS HOMOAFETIVOS”, CONTOU CINDY.
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Empresa informou que não registra casamentos homoafetivos — Foto: Reprodução

Segundo decisão do Supremo Tribunal Federal de junho de 2019, discriminar alguém por sua orientação sexual pode ser considerado crime de homofobia. Segundo Cindy, diante da situação, a sensação foi de tristeza e revolta.
“Principalmente fiquei muito revoltada. Foi a primeira vez que senti na pele esse preconceito, mesmo com tanto tempo juntas. Me senti totalmente desmotivada de continuar procurando e receber a mesma resposta”, disse Cindy.
Logo depois do ocorrido, o casal contatou uma advogada e compartilhou os prints das mensagens trocadas. As imagens correram as redes sociais e o caso ganhou grande repercussão.
No Twitter, um dos tweets sobre o assunto teve mais de 78 mil curtidas e mais de 12 mil compartilhamentos. Diante da repercussão, várias empresas se ofereceram para ajudar o casal de alguma forma. O fotógrafo Régis Falcão ofereceu um ensaio em estúdio com as duas e disse ao G1 que, diante de situações de preconceito, todos devem se pronunciar.
“Eu acho que nessas situações a gente tem obrigação de se posicionar. Empresas que adotam esse tipo de comportamento têm se sentido legitimadas pela crescente de discursos nesse sentido. É preciso que a gente se manifeste contra, porque manda um recado pra que profissionais e empresas que têm esse tipo de comportamento entendam que isso é criminoso, ofensivo e eles devem ser expostos e penalizados. Não dá pra simplesmente deixar passar. É assim que essas pessoas se sentem cada vez mais à vontade de manifestar esse pensamento horrível”, declarou.
Com as mensagens de apoio recebidas, Cindy disse que ela e a namorada voltaram a acreditar que aqueles que ainda têm preconceito são exceção;
“VENDO A REPERCUSSÃO, AS MENSAGENS, VEJO QUE ESSAS PESSOAS SÃO MINORIA, E CADA VEZ MAIS FICAM ENCLAUSURADAS EM SEUS PRECONCEITOS. O MUNDO TEM GENTE MUITO BOA E MESMO COM SUAS CRENÇAS PARTICULARES RESPEITAM A DECISÃO DE OUTRAS PESSOAS”, DECLAROU.
ELA INFORMOU QUE O CASAL PRETENDE JUDICIALIZAR O CASO E REGISTRAR UM BOLETIM DE OCORRÊNCIA. O G1 PROCUROU A EMPRESA EU & VOCÊ FILMES, QUE INFORMOU QUE NÃO VAI SE PRONUNCIAR SOBRE O CASO. PERFIS DA EMPRESA NAS REDES SOCIAIS FORAM DESATIVADOS APÓS A REPERCUSSÃO DO CASO.


Fonte: G1-PI