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Entretenimento

Elizangela Oliveira: Na Educação ou na Música, uma transformadora de realidades

Por: Roberto - 17/07/2021

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Elizangela Oliveira, mais que um nome de uma das mais conhecidas professoras de Jaicós, é um símbolo de luta e de transformação social através da Educação. Mulher guerreira e determinada, tem uma história cheia de luta e de superação. Uma história dividida entre a música e a educação.

Em meados dos anos 90, Elizangela da Costa Oliveira deixou Jaicós para entrar na carreira musical, cantou em diferentes bandas e, entre idas e vindas a Jaicós, morou em algumas cidades. Ela se apresentou em várias cidades, incluindo a capital, Teresina, mostrando seu talento e batalhando para construir seu futuro, com muita dignidade e garra.

“Em meados dos anos 90, eu trabalhei na Banda MP (Meninos do Padre), que era composta por irmãos. O que lembro mais era dos vocais que eles faziam que me deixavam boquiaberta. Lembro-me bastante do Varton, do Assis. Era um lugar onde eu me sentia acolhida. Eu trabalhava na CNEC, como professora. E tinha que viver esses dois mundos paralelos. Eu dava aula na semana e nos finais de semana viajava com eles. A gente ia para vários municípios”.

A garota tímida passou a enfrentar o desafio dos palcos, se apresentando para pessoas desconhecidas e lugares onde nunca esteve. As poucos ela foi se tornando extrovertida e tomando conta dos palcos.

“Os pais deles me tratavam como uma filha. Eu ia de Jaicós pra lá e ficava hospedada na casa dos pais deles. O meu maior desafio foi ter que deixar para trás o meu grande amor, que foi o meu filho e a minha cidade. Quem me conhece sabe o quanto eu sou apaixonada por Jaicós”, conta.

Algum tempo depois, surgiu uma outra oportunidade, desta vez em outro estado. Um amigo de Fortaleza, chamado Carlos Alberto (Cacá), vendo o talento e a vontade de Elizangela, conhecia o pessoal da banda Sabor de Mel e propôs a ela que tentasse uma vaga. Ela gravou 4 músicas e enviou a Carlos, que intermediou as conversas com a banda. Deu tudo certo. Para vivenciar essa carreira de cantora naquele lugar, ela precisou deixar o emprego na CNEC, onde tinha carteira assinada. Teve que ir, precisava arriscar.  Ela mudou-se para Fortaleza, onde ficou por alguns meses, até que a banda se desfez.

Com o fim da banda, passou por um momento muito difícil em sua vida. Voltou a Jaicós e ficou desempregada, dependendo da mãe para se sustentar.

“Uma mãe de família, uma mãe solteira que não recebe ajuda nenhuma ter que ficar vendo seu filho precisando de uma coisa e você não ter trabalho pra dar, essa foi uma barra muito pesada. Era bem desesperador esse período e eu me policiava para evitar sair, porque sair significava gastar, como ir no barzinho, ir no calçadão, que a gente costumava ir bastante, que era o auge da época”, relembra.

Elizangela conta que nesse período não queria sair de casa, mas contava com a solidariedade dos amigos, como Otávio e Leila, que a convidavam para sair.

“Eles diziam ‘o que a gente consumir, você consome e a gente vai segurando sua barra durante esse tempo’, e assim foi”, relata.

Até que com alguns meses ela conheceu o pessoal de Roberta e Banda, realizou um teste e passou. Foi outro desafio, pois passou anos longe do filho, que ficou aos cuidados de sua mãe.

“Nesse período, meu filho teve prejuízos no ensino e aprendizagem, teve reprovação na escola. Eu fiquei muito entristecida ao ponto de tê-los levado para morar lá comigo no ano de 2003 lá em Floriano. E aí entre ser uma cantora de possível sucesso e uma mãe ausente, eu preferi ser uma mãe presente, deixei a banda e voltei pra casa”, afirma.

Elizangela nos contou que, nas viagens das bandas, passou por vários momentos de perrengue, frequentemente os veículos tinham quebras ou pneus furados. Conta que nos momentos de perrengue sempre contava com uma ajuda e solidariedade de moradores pelas estradas.

“Lembro que uma senhora nos colocou dentro da casa dela, da cozinha dela, forneceu os mantimentos pra que a gente cozinhasse e preparasse nosso café, enquanto o socorro mecânico chegasse. Atitudes como a daquela senhora me fizeram pensar que a gente nunca deve negar um socorro a ninguém. Sempre que você puder ajudar, seja de que maneira for, é importante. Hoje é essa pessoa que está precisando de você, amanhã será você que precisará dela ou de outro alguém. Quem nega ajuda, correrá o risco de também receber uma negativa em um momento de necessidade. Esse foi o maior ensinamento que essas viagens das bandas me deu, o de nunca nega socorro a quem precisa. De uma conversa a um prato de comida ou uma dormida. Tudo aquilo que você puder fazer, faça!”, afirma.

No início de 2004, Elizangela volta a Jaicós. Mais uma vez sem trabalho e com a vontade de continuar sua carreira de professora. Conta que nesse período havia uma necessidade de professor para a Escola Municipal Líria Alencar. Ela então conversou com o prefeito da época, Dr. Crisanto Neto, que a direcionou à secretária de Educação, Ducildes Deusdará, e então conseguiu a oportunidade.

Em 2008 surgiram os testes seletivos da rede estadual. Ela seguiu carreira em colégios públicos e particulares até hoje.

“A maior felicidade que tenho no tocante à carreira de professora, à minha experiência na educação é quando eu estou num ambiente e vejo tantas pessoas que fizeram parte da minha vida. E pouquíssimos deles, embora tenha algo do tipo ‘Ela era briguenta, ‘Ela gritava’ ou ‘Ela era exigente demais’, mas mesmo com esses meus defeitos, grande parte dos meus alunos hoje enxergam que foi importante para que eles se tornassem pessoas melhores. Embora eu acho que tenha sido bem rígida, mas essa rigidez valeu à pena. Melhor que isso é vê-los fazendo sucesso em suas vidas profissionais, de carreira, e enxergar de mim dentro deles, daquilo ali e encontrar cada um deles com um sorriso e chamar de tia, professora, minha melhor professora de português, ainda hoje. Eu fico muito orgulhosa. Meu maior orgulho no ofício da educação é saber que eu contribuí com o que essas pessoas se tornaram”, nos conta emocionada.

“Depois que cheguei de Floriano, eu não trabalhei só na Educação, sempre as duas carreiras estiveram lado a lado. Eu trabalhei por algum tempo numa banda que o Téo montou, “Téo e as Magnetes”. E posteriormente eu e Nilo formamos um grupo de seresta chamado Grupo Acordes. Fizemos muitos shows, muitas serestas, aqui, no Massapê. Até hoje as pessoas imploram para a gente continuar a fazer umas festas.”, relembra.

Com relação uma realização em sua carreira de cantora, ela nos conta um sonho muito importante que planeja realizar este ano. Com muita alegria por tudo que viveu e pelos bons momentos que passou, ela nos contou detalhes do seu plano.

“Eu tenho um sonho que quero realizar esse ano, que é registrar a minha carreira musical, porque eu passei por essas bandas, mas a única que gravei algo foi em Roberta e Banda. Nem eu sequer tenho algo guardado, a não ser a internet. Então eu tenho um sonho e eu vou realizar. Começar a colocar em prática agora, pois requer participação de pessoas e também recurso financeiro, que é uma gravação, uma live talvez ou não. É uma apresentação ou um show onde eu possa passear por todos esses momentos musicais. Ter um momento Roberto e Banda, Banda MP, Jota Nilo Seresteiro, um pouco de cada”, relata Elizangela.

“Dia 28 de outubro eu faço 48 anos. Não sei se exatamente esse dia, mas em qualquer dia do mês de outubro eu quero colocar em prática e contar com o apoio dos amigos, dos comerciantes locais, dos amigos músicos para fazerem as participações. Eu sei que vai ser lindo, lindo como minha vida foi e continuará sendo”, conta.

Na Educação ou na Música, de fato, Elizangela é uma transformadora de realidades. Como seu ex-aluno, posso afirmar que ela tem grande importância na minha vida e na de todos que fizeram parte de suas turmas.

“Eu posso dizer que juntei bons amigos, agreguei muitos admiradores. Que me aplaudem e gostam de mim”, conclui.

POR: Daniel Gomes / Portal Noticiei

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