Por: Roberto Carvalho - 26/07/2011
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O Projeto Água para Todos, lançado nesta segunda-feira pela presidente Dilma Rousseff, em Arapiraca (AL), prevê a construção de cisternas em todo o Piauí, principalmente na região do semiárido.
A construção de cisternas foi anunciada na reunião de governadores do Nordeste, coim a participação do governador do Piauí, Wilson Martins (PSB).
Wilson Martins afirmou que também devem ser construídas barraginhas, com o vem sendo no Piauí com êxito porque são mais coletivas.
Martins defendeu que a construção de barraginhas seja incluído no Projeto Água para Todos.
A questão do abastecimento é crucial no Piauí.
Milhares de famílias percorrem mais de cinco quilômetros à procura de água para o consumo de seus integrantes, principalmente crianças, para cozinhar os alimentos e para o banho e asseio.
As viúvas Francisca de Sousa Silva e Cleusa Sousa da Silva, de 60 anos, todos os dias saem de suas casas no assentamento Salitre Chileno I, que fica nas margens da rodovia BR-316, na entrada da Fazenda Bacuri, em Elesbão Veloso, a 30 quilômetro de Teresina, pela manhã e caminham cinco quilômetros de ida e cinco quilômetros de volta para pegar água potável em uma chácara, cujo proprietário cede gratuitamente a água.
Elas vão acompanhadas de seus netos pequenos e se reversam empurrando o carrinho de mão com cinco tambores de plástico de água.
“Quando chego em casa as minhas pernas doem, mas não temos outra alternativa porque no assentamento, onde moram 130 famílias não tem água. A gente tem que pegar essa água para beber, cozinhas e banhar as crianças. Muitas vezes a água acaba antes de terminar o dia, é muita agonia”, falou Francisca de Sousa Silva, que saiu de sua cidade natal, Assunção do Piauí, porque o empresário de ônibus expulsou seu pai agricultor das terras que morava há décadas.
“A gente carrega água porque é obrigado, mas é muito perigoso porque os caminhões e carros passam pela a gente tirando fino. Nós e nossas crianças podemos morrer a qualquer momento na hora de ir pagar água para beber”, falou.
“Se nós quisermos que o Brasil se desenvolva, precisamos fazer com que esse salto comece aqui, no Nordeste. Começando por Arapiraca, aqui em Alagoas”. Com essa fala a presidente Dilma Roussef abriu o discurso de assinatura do pacto com os governadores do Nordeste para a erradicação da pobreza, que aconteceu no início da tarde desta segunda-feira, em Arapiraca.
Ao lançar o pacto que dá lastro ao plano Brasil Sem Miséria, que será lançado em todas as regiões do país e que começou pelo Estado de Alagoas, Dilma lembrou que a grande alteração que aconteceu no Brasil, a partir da chegada do presidente Lula, foi priorização do combate à miséria como política pública. Ela ressaltou que essa estratégia é o que vai levar o país a se desenvolver de foma sustentável e que a prova disso é a redução da pobreza extrema nos últimos oito anos. “Conseguimos a elevação de 39,5 milhões de pessoas que deixaram a miséria e entraram na classe média. Isso equivale a retirar dessa condição uma Argentina”, disse a presidente na sede da AABB.
O programa lançado nesta tarde em Alagoas tem como meta retirar mais 16 milhões de nordestinos que ainda estão abaixo da linha da pobreza com foco na inclusão produtiva. “Quero abrir essa reunião, colocando que, para nós, a inclusão produtiva, na renda, faz parte dessa estratégia, que é mais correta, que é de levar desenvolvimento ao Brasil. Não haverá desenvolvimento se não houver desconcentração econômica logística, de registros hídricos e energéticos e, sobretudo,se isso não gerar melhor distribuição das rendas nas sociedades mais pobres”, disse a presidente aos governadores nordestinos, ressaltando que a meta é “dar um salto” e acabar com esses indicadores até 2014.
Mais uma vez, como já vinha falando desde o lançamento do Brasil Sem Miséria, em 02 de junho, Dilma pediu a parceria e os esforços de todos, tanto na esfera estadual quanto na municipal. “Peço a parceria dos senhores prefeitos. Nós temos nos prefeitos os grande protagonistas do programa”, disse.
Durante o encontro com os governadores, a presidente lançou o programa Água Para Todos, como uma das ferramentas de combater a miséria rural e citou o bom desempenho do Luz Para Todos. A iniciativa prevê a implantação de 750 mil cisternas em toda a região até o ano que vem com o apoio dos bancos oficiais, o do Brasil e o do Nordeste.
Além disso, a outra linha para minimizar a pobreza no campo é a aquisição de alimentos para a merenda escolar, que contará com R$ 1 bilhão para absorver a produção dos agricultores familiares. “Isso significa que, de fato, queremos encarar o desafio de conseguirmos quiser ajudar, eles poderão contribuir escolhendo esses produtos, usando o seu poder de compra e privilegiando essa agricultura”, afirmou Dilma.
O governador Wilson Martins apresentou à presidente Dilma Rousseff o Plano Estadual de Combate à Miséria no Piauí, denominado Mais Viver. O plano mantém sintonia com o Brasil sem Miséria, projeto federal lançado pela presidente em Arapiraca, Alagoas.
As linhas gerais do plano de ação desenhado por Wilson Martins incluem estratégias para combate à miséria nas áreas urbanas e, principalmente, rural, onde estão dois terços dos piauienses que vivem na extrema pobreza. As ações mesclam programas de proteção social e iniciativas que visam colocar essas pessoas no mercado de trabalho.
O plano está dividido em três eixos centrais de atuação, em torno dos quais se desenvolvem as ações. Um desses eixos refere-se ao acesso a serviços públicos, como abastecimento d’água (que não alcança metade das residências piauienses) e saneamento (mais de 70%). Nesse eixo estão emissão de documentos, a atenção à saúde, educação e acesso a terra.
Outro eixo é o que se preocupa com a garantia de renda. Aí estão os programas de proteção social como o Bolsa Família, que não chega para mais de 600 mil piauienses que estariam dentro das exigências do programa federal. A intenção é ampliá-lo para esse segmento não atendido, mas também estimular a profissionalização para que os beneficiários tenham alternativas ao programa.
A perspectiva de garantir a capacidade produtiva e geração de renda norteia o terceiro eixo, denominado Inclusão Produtiva. Uma das vertentes será qualificar os beneficiários do Bolsa Família, para que participem do mercado de trabalho, como caminho de saída dos programas de proteção social. Mas o foco desse eixo vai bem mais adiante, estimulando atividades produtivas no campo e na cidade, incluindo o empreendedorismo.
Entre essas iniciativas programadas estão o desenvolvimento de microssistemas de irrigação e criação de pequenos animais, como galinha caipira. Setores como apicultura, piscicultura e cajucultura também são fortalecidos, já que fazem parte do universo dos piauienses, como grande potencial de crescimento.
No documento entregue por Wilson Martins à presidente Dilma, há um leque de pequenos projetos voltados para as pessoas extremamente pobres. Entre eles se inclui a formação de pessoas no campo e na cidade, dando competitividade para que possam disputar o mercado de trabalho.
OBrasil Sem Miséria - Nordeste, plano do Governo Federal coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome destinado a erradicar a pobreza extrema na região.
Como parte do Plano Brasil Sem Miséria, lançado em junho, o MDA desenvolve iniciativas no meio rural direcionadas a famílias de agricultores familiares com renda mensal de até R$ 70,00 por pessoa. Estas ações têm como foco estimular a estruturação produtiva e a geração de renda no campo. O objetivo é consolidar e ampliar projetos como o de estruturação da produção de mandioca no Território da Cidadania Agreste, onde está localizado o município de Arapiraca.
Com a ação articulada do governo federal, do governo do estado, prefeituras e organizações da sociedade civil e apoio à organização dos produtores e à comercialização, crédito, assistência técnica e investimentos nas unidades industriais, a área cultivada com mandioca cresceu de 9 mil para mais de 15 mil hectares entre 2006 e 2009 e a produção, de 125 mil para 236 mil toneladas.
O lançamento regional do Brasil Sem Miséria - Nordeste também consolida outro objetivo nacional do Plano: ampliar a comercialização de produtos da agricultura familiar e de povos e comunidades tradicionais nos mercados privados e na rede varejista. Em Arapiraca, o ministro do Desenvolvimento Agrário, Afonso Florence, e a ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, assinam acordo que levará às gôndolas do Grupo Pão de Açúcar produtos de quatro cooperativas (Coopercuc - BA; Cooperagrepa - MT; Coopaflora – PR; e Cooperúnica) e uma associação (Pequenos Agrossilvicultores do Projeto Reca de Rondônia).
O acordo, que será assinado na tarde desta segunda-feira, em solenidade na Associação Atlética Banco do Brasil (AABB) de Arapiraca, beneficia mais de 3 mil famílias que produzem palmito de pupunha, doces, compotas e geleias de frutas da Caatinga, ervas aromáticas, condimentares e medicinais, melado de cana-de-açúcar e artesanato. O primeiro pedido, que envolve dez tipos de produtos, vai gerar uma receita de aproximadamente R$ 65 mil para os agricultores familiares destas organizações.
Assistência Técnica
Em Arapiraca também será anunciada a segunda chamada pública do Plano Brasil Sem Miséria destinada à prestação de serviços de Assistência Técnica e Extensão Rural (ATER) para agricultores e agricultoras familiares em situação de pobreza extrema. A ação vai atender 15.040 famílias em 131 municípios do Maranhão, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas e Sergipe. O valor da chamada pública, que será publicada nesta terça-feira (26) no Diário Oficial da União, é de R$ 16,5 milhões.
As ações serão desenvolvidas pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), por meio da Secretaria da Agricultura Familiar (SAF). Elas vão beneficiar famílias com renda mensal inferior a R$ 70,00 por pessoa nos Territórios da Cidadania Baixo Parnaíba (MA), Cocais (MA), Vale do Guaribas, no Piauí , Cariri (CE), Inhamuns Crateús (CE), Alto Oeste (RN), Borborema (PB), Sertão do Araripe (PE), Agreste (AL) e Alto Sertão (SE).
A primeira chamada pública do Plano Brasil Sem Miséria para a prestação de serviços de ATER a famílias de agricultores e agricultoras familiares em situação de pobreza extrema foi lançada pelo MDA no dia 6 de junho e beneficiará 10 mil famílias em municípios do Semiárido localizados nos Territórios da Cidadania Irecê (BA), Velho Chico (BA) e Serra Geral (MG) Com a segunda chamada pública, o número de famílias atendidas chega 25.040.