Justiça
Superintendente afirma que 50% dos processos na PF são por corrupção
Por: Roberto Carvalho - 05/08/2011
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O superintendente regional da Polícia Federal (PF) do Piauí, delegado Nivaldo Farias de Almeida, disse ontem em entrevista exclusiva ao Jornal Meio Norte, que a instituição tem abertos R$ 1.500 inquéritos policiais, sendo que 50% são de investigação de casos de corrupção e desvio de recursos públicos federais por gestores; 30% são de crimes previdenciários; e 15% são de crimes eleitorais.Ele já se considera um piauiense por opção e promete que a Polícia Federal está desenvolvendo ações na área de combate ao treáfico de e drogas e brevemente a sociedade terá boas notícias na área de repressão ao entorpecentes.O superintendente Nivaldo Farias de Almeida disse que vai enfatizar a qualidade das provas em sua gestão.“Não basta você investigar um fato, tem que investigar com qualidade e no Estado democrático de direito em que nós vivemos há a necessidade de que a prova tenha a clareza do sol do meio-dia para que a Justiça possa ter informações da melhor maneira possível”, definiu Nivaldo Farias.Meio Norte – Qual a marca que o senhor quer implementar em sua gestão na Superintendência Regional da Polícia Federal do Piauí?Nivaldo Farias de Almeida - A gente dá a toda autoridade policial e a toda equipe que conduzem as investigações a independência e a liberdade suficientes para que faça um bom trabalho. Da nossa parte há também uma cobrança de resultados. Um grande esforço que está sendo feito desde a nossa chegada, mas que era almejada pelo superintendente (Marcos) Farias e , naturalmente, pelos nossos antecessores é o de melhorar a qualidade da prova. Não basta você investigar um fato, tem que investigar com qualidade e no Estado democrático de direito em que nós vivemos há a necessidade de que a prova tenha a clareza do sol do meio-dia para que a Justiça possa ter informações da melhor maneira possível. O Ministério Público, que é o consumir imediato de nosso trabalho, ele também tem que ter subsídios, tem que ter elementos para fazer a denúncia sedimentada, uma denúncia com suporte em provas. A nossa grande preocupação é com a qualidade da prova porque nós temos uma equipe pequena, mas com excelentes profissionais, temos um ou outro colega que pelo trabalho que fez ganhou destaque, mas isso não quer dizer que ele seja melhor do que os demais. Todos nós temos a preocupação de fazer o nosso trabalho. O trabalho que for feito no Piauí, enquanto eu estiver nessa unidade, é um trabalho impessoal, é um trabalho da Polícia Federal e não do superintendente, do delegado executivo, é um trabalho da instituição. Não atuamos de forma pessoal, dando privilégios a determinados profissionais, nem elegendo algos pelo fato de não gostar dos alvos, das pessoas que devem ser investigadas. A notícia vem à polícia e vamos investigar da melhor maneira possível.Meio Norte – A sociedade piauiense está assustada com o avanço das drogas no Estado. Como a Polícia Federal vai atuar nesta área? Piauí?Nivaldo Farias de Almeida - Vamos investigar também. A sociedade já pode observar porque nos últimas semanas que nós fizemos dois flagrantes de drogas. Vamos implementar, vamos melhorar a atuação na área de repressão a entorpecentes porque sabemos que o Estado, como os demais do país, sofrem com o tráfico. O crime de tráfico de drogas, que eu chamo de crime pivô, são ligados a muitos outros que são cometidos porque o consumidor, muitas vezes, não tem o dinheiro para comprar as drogas,. Tira dos parentes, de casa e quando não tem mais em casa vai ampliando essa ação e passa a praticar pequenos furtos, roubos e outras coisas. Para a gente é prioritário o combate, o enfrentamento ao narcotráfico, ao tráfico de drogas.Meio Norte – A Polícia Civil descobriu um laboratório de refino de cocaína em Teresina. Isso pode ser uma mudança no perfil do tráfico de drogas no Piauí?Nivaldo Farias de Almeida – Não é um fato isolado, uma ocorrência que pode determinar uma mudança de rumo. Na verdade o refino, eu não conheço detalhes dessa descoberta da parceira Polícia Civil, acontece que o sujeito consegue importar a pasta base e nele quer aumentá-la, batizar essa pasta base ou transformar em crack colocando alguns insumos. Eles fazem isso, mas não quer dizer que mude o rumo das investigações ou que a entrada de drogas no Piauí tenha sido reduzida e agora produza porque matéria-prima nós não temos no Piauí. Deva estar sendo importada a pasta base esteja sendo batizada, passando por um processo de transformação para aumentar os lucros. É um refino feito adicionando outros produtos como o cal. Nós fizemos apreensão de drogas em Timon, no Maranhão, e em Teresina. A Delegacia de Repressão ao Entorpecentes está motivada e grandes trabalhos estão sendo gestados, realizados, de maneira que, em breve, vamos ter boas notícias. A Polícia Federal vai ampliar o raio de atuação na repressão ao tráfico porque não é justo ver crianças se envolvendo com o crack. Nós vamos atuar irmanados com as outras instituições policiais sem qualquer tipo de discriminação, sem passar em qualquer momento que a Polícia Federal é melhor que nenhuma outra. Somos policiais e vamos trabalhar em conjunto com a Polícia Rodoviária Federal, com a Polícia Civil, com a Polícia Militar do Estado do Piauí e com qualquer cidadão que traga à Polícia Federal informação que seja importante.Meio Norte – Os órgãos federais de controle externo têm descoberto muitos desvios de recursos públicos federais no Piauí e como a Polícia Federal se integra a esse trabalho?Nivaldo Farias de Almeida - Como também é prioridade combater, reprimir os crimes de gestores públicos à frente dessas administrações municipais e em outras searas. É uma orientação de nosso diretor geral e nós abraçamos aqui com muita tranquilidade, com muito empenho. Acreditamos que toda a equipe está sintonizada buscando realizar da melhor forma esse tipo de realização, além do que, não podemos esquecer dos outros crimes que são praticados como os crimes ambientais, pelas carvoarias que atuam. Queremos reprimir os delitos ambientais e no Piauí ocorrem muitos crimes ambientais, como na Serra da Capivara, onde se demanda uma presença maior e passar a ter essa preocupação. Já temos essa preocupação, principalmente com a atuação das carvoarias. Nos temos um Estado muito grande, que de ponta a ponta tem mais de 1,3 mil de quilômetros. Nós temos um Estado de dimensões continentais, com mais de um quarto de milhão de quilômetros quadrados. Nossa equipe é pequena, não temos capilaridade suficiente, mas procuramos atuar nos 224 municípios do Estado do Piauí. Nós vamos passar a ter uma atuação mais efetiva na repressão aos delitos ambientais, aos crimes eleitorais, muito comuns em nossa região, não só no Piauí, mas em todo o Nordeste e no Brasil, é um crime muito frequente. Eu falei de prioridade à repressão ao tráfico e aos desvios de recursos públicos, sem embargo de atuar em outras searas. A Polícia Federal ficará atenta. Evidentemente, eu não falo de perfeição, não somos perfeitos, mas a vontade de acertar e o empenho da equipe para fazer o melhor poderão ser constatados com o tempo. Não tenho nenhuma pretensão não é ser melhor do que os outros que passaram por aqui, mas nós vamos procurar incentivar à equipe para fazer o melhor que pudermos fazer.Meio Norte – Quais são os objetos dessas demandas dos órgãos de controle?Nivaldo Farias de Almeida -A Polícia Federal recebeu, está recebendo e com toda certeza estará recendo demandas de outros órgãos como o Ministério Público Federal, Controladoria Geral União, Tribunal de Contas da União, Tribunal de Contas do Estado em algumas situação em que as verbas são estaduais e são encaminhadas para outros entes federativos. Cada caso é um caso, mas posso dizer que em parceria com essas instituições vai continuar atuando em situações graves que realmente devem ser objeto de investigação. Esses casos estão sendo tratados pela Polícia Federal, que instaurou 1.500 inquéritos policiais, sendo que 50% são de apuração de casos de corrupção e de desvio de recursos federais; 30% são de crimes previdenciários e 15% são de crimes eleitorais.