Por: Roberto - 31/01/2022
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O reajuste de 33,24% no piso salarial de professores da educação básica pode pressionar os cofres públicos de cidades pequenas e, por consequência, sobrecarregar profissionais efetivos, apontam especialistas. Como solução, um caminho apontado para possibilitar a medida seria a criação de um regime de colaboração que envolve, além da esfera municipal, os governos federal e estadual. No Piauí os menores municípios devem enfrentar dificuldades para honrar o reajuste aprovado. As estimativas é que até 90% de recursos do Fundeb sejam empregados para o pagamento dos salários, algo que difcultaria a manutenção da educação nas cidades. A APPM foi consultada porém não se manifestou.
“A Lei do Piso (de 2008) estabelecia uma revisão do salário com base no custo aluno/ano e o custo aluno/ano passou de R$ 4 mil, isso que gerou esse aumento”, explica a diretora do Centro de Políticas Educacionais da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Cláudia Costin. “Faz sentido, e o Brasil vai ter de fazer um esforço para melhorar a educação pública.” Segundo Cláudia, embora desafiador, o reajuste de professores da educação básica é o correto neste momento. A diretora da FGV reforça que, segundo dados do Censo Escolar, 81,4% dos alunos em nível básico estão em escolas públicas no Brasil, o que aumenta a necessidade de reconhecer o trabalho dos professores. “O que mais garante aprendizagem para todos em Educação é a qualidade do professor ”
Procuradora do Ministério Público de Contas do Estado de São Paulo, Élida Graziane reconhece que, entre os impactos advindos de uma implementação do novo piso, pode haver uma dispensa mais ampla de professores temporários – o que obrigaria os efetivos a assumirem maior carga horária e a serem cobrados por uma maior produtividade. Além disso, a procuradora entende que o reajuste de 33,24% pode acarretar ainda em um achatamento na carreira dos professores, pois, para que os municípios consigam fechar as contas, a remuneração ao longo de toda a carreira ficaria muito próxima do piso. “Então, não teria uma evolução remuneratória tão adequada, (o que) já é inclusive uma medida adotada em muitos municípios e Estados”, alerta.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil
Em nota a CNM criticou a falta de critérios e ressaltou que as cidades do Brasil sofrerão um impacto de mais de R$30 bilhões com as mudanças aprovadas. Veja a Nota.
Diante de anu?ncio do governo federal sobre o reajuste do piso do magiste?rio para 2022, a Confederac?a?o Nacional de Munici?pios (CNM) alerta para a grave inseguranc?a juri?dica que se po?e em decorre?ncia do crite?rio a ser utilizado. A entidade destaca que o crite?rio de reajuste anual do piso do magiste?rio foi revogado com a Lei 14.113/2020, que regulamentou o novo Fundo de Manutenc?a?o e Desenvolvimento da Educac?a?o Ba?sica e de Valorizac?a?o dos Profissionais da Educac?a?o (Fundeb), entendimento que foi confirmado pelo pro?prio Ministe?rio da Educac?a?o, no dia 14 de janeiro, com base em parecer juri?dico da Advocacia-Geral da Unia?o (AGU). Afinal, o que deve ser de fato levado em considerac?a?o: parecer da AGU, Nota de Esclarecimento do MEC ou Twitter do presidente da Repu?blica?
Ao colocar em primeiro lugar uma disputa eleitoral, o Brasil caminha para jogar a educac?a?o pelo ralo. A CNM lamenta que recorrentemente ambic?o?es poli?ticas se sobressaiam aos interesses e ao desenvolvimento do pai?s. Cabe ressaltar, ainda, que, caso confirmado o reajuste anunciado pelo governo federal, de 33,24%, os Munici?pios tera?o um impacto de R$ 30,46 bilho?es, colocando os Entes locais em uma difi?cil situac?a?o fiscal e inviabilizando a gesta?o da educac?a?o no Brasil. Para se ter ideia do impacto, o repasse do Fundeb para este ano sera? de R$ 226 milho?es. Com esse reajuste, estima-se que 90% dos recursos do Fundo sejam utilizados para cobrir gastos com pessoal.
Durante todo o ano de 2021 a CNM atuou junto ao Legislativo e ao Executivo para mostrar que o crite?rio de reajuste do piso nacional do magiste?rio, fixado na Lei 11.738/2008, perderia a efica?cia com a entrada em vigor do novo Fundeb. Desde 2010, o piso nacional do magiste?rio passou a ser atualizado, anualmente, em janeiro, pelo mesmo percentual de crescimento, nos dois anos anteriores, do valor anual mi?nimo por aluno dos anos iniciais do ensino fundamental urbano, definido nacionalmente, nos termos da Lei 11.494/2007. Um novo crite?rio de reajuste tem sido uma bandeira defendida pela CNM ha? mais de 13 anos, que luta pela aprovac?a?o do texto original do Projeto de Lei (PL) 3.776/2008, com a adoc?a?o do I?ndice Nacional de Prec?os ao Consumidor (INPC) nos doze meses anteriores para reajuste do piso.
Isso porque ha? um aumento real muito acima da inflac?a?o e do pro?prio Fundeb. O piso do magiste?rio cresceu 204% entre 2009 e 2021, superando o crescimento de 104% da inflac?a?o mensurada pelo INPC e de 143% do Fundo, recurso que serve para o financiamento de todos os ni?veis da Educac?a?o Ba?sica. Esse mesmo cena?rio, em menor magnitude, ocorreu com o sala?rio-mi?nimo (137%). Importante ressaltar que o piso hoje na?o serve apenas como remunerac?a?o mi?nima, mas como valor abaixo do qual na?o pode ser fixado o vencimento inicial, ou seja, repercute em todos os vencimentos do plano de carreira dos professores. Enta?o o impacto e? enorme e prejudica diretamente os investimentos em educac?a?o no pai?s, na medida em que grande parte dos repasses para a Educac?a?o esta?o sendo gastos com folha de pagamento.
Diante do cena?rio de incertezas quanto ao crite?rio e do impacto previsto, a CNM, apo?s reunia?o da diretoria e do Conselho Poli?tico, recomenda que os gestores municipais realizem o reajuste com base no i?ndice inflaciona?rio ate? que novas informac?o?es sejam fornecidas pelo governo federal. A entidade vai continuar acompanhando a discussa?o do tema no a?mbito juri?dico a fim de garantir que haja clareza diante da indefinic?a?o criada.
Cabe destacar, por fim, que o movimento municipalista na?o questiona o papel e a importa?ncia desses profissionais, mas contesta sim a falta de responsabilidade com a gesta?o da educac?a?o no Brasil. A CNM esta? olhando para a educac?a?o. E? dever do Estado garantir a manutenc?a?o do ensino e da pro?pria prestac?a?o de servic?os ao cidada?o pela administrac?a?o pu?blica, mas, em ano eleitoral, para fazer palanque poli?tico, quem paga a conta novamente e? o cidada?o.
FONTE: Portal O Dia