Por: Roberto - 30/01/2023
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A morte da estudante de jornalismo Janaína da Silva Bezerra, de 22 anos, segue gerando diversos debates em torno da Universidade Federal do Piauí, tendo a segurança como a principal pauta. O Departamento de Homicídio e Proteção à Pessoa (DHPP) segue investigando o caso, com o prazo de 10 dias para concluir o inquérito policial.
Em entrevista ao Meionorte.com, Karla Luz, diretora de comunicação do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da UFPI, pontuou que apesar de negar, a instituição de ensino tem total ciências das festas realizadas nas dependências do local e que em reunião realizada no fim do ano passado junto à atual reitoria, foi pedido o reforço por mais segurança na universidade.

Janaína Bezerra da Silva (Foto: Reprodução)
O DCE-UFPI, assim como todos o diretório pelo país, são autogeridos por estudantes e possuem seu espaço físico. Segundo Karla, eles recebem solicitações dos Centros Acadêmicos (C.A’s) e dos estudante para a realização não só de festas nesses espaços, mas também para atividades culturais e artísticas, além de eventos de autofinanciamento. Os pedidos são administrados pela direção do diretório local e liberada em seguida, sob termo de responsabilidade.
“A universidade é totalmente ciente, embora ela dizer que não. Os seguranças passeiam por ali, mas eles não ficam lá. São seguranças patrimoniais. Nem no dia a dia fazem isso. E as festas não acontecem só no DEC, acontece em outros locais do campus também. Embora esse fato tenha acontecido lá. A universidade tem total ciência disso e está tirando sua responsabilidade. São espaços de autofinanciamento, culturais, acontecem saraus; amplos tipos de cultura” disse a integrante do DCE.
Karla Luz destacou que nessa reunião realizada no fim do ano passado entre o DCE e a reitoria, foi pontuado que o ideal seria um posto de segurança em cada centro acadêmico, mas por questões financeiras, a solicitação seria inviável, segundo a UFPI. Foi falado ainda da parceria com o Governo do Estado e Prefeitura de Teresina por um maior policiamento, mas segundo a integrante do diretório, a presença policial foi sendo menos frequente, após os casos diversos arrastões no campus, que se tornaram públicos.
“Nós do DCE conseguimos uma reunião no final do ano com reitoria e uma das pautas foi a segurança. O ideal seria um posto de segurança para cada centro. Eles informaram que cada posto custaria R$ 250 mil, R$ 1 milhão para a UFPI e que não teria verba para aumentar esses postos. Os estudantes não estavam se sentindo mais seguros e tinha que resolver essa situação. Falaram da parceria com o estado, prefeitura; aconteceu na época dos arrastões, problemas que se tornaram públicos, mas depois pararam de frequentar a universidade. Nós dissemos que não era suficiente, dissemos da iluminação”, reitera.
DCE diz que UFPI é ciente de festas e que haviam pedido por mais segurança (Foto: Reprodução/ UFPI)
Alta demanda em casos de assédio
A diretora de comunicação do DCE falou ainda sobre a demanda de assédios registrada na universidade, seja de professores e estudantes. Foi proposto a criação de uma ouvidoria para o assunto, o que também teria sido inviável, pois a construção parte do governo federal. No entanto, uma comissão para tratar do assunto foi viabilizada.
“Infelizmente estamos passando por isso nesse momento e a segurança tem a ver com muitos outros fatores; cortes da educação nos últimos 4 anos. A universidade que devíamos sentir segurança, infelizmente foi o lugar que aconteceu essa tragédia”, completa.
Estudantes de jornalismo divulgam programação de homenagens
Estudantes do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Piauí divulgaram uma programação de homenagens à Janaína da Silva Bezerra. Segundo o Centro Acadêmico, será realizada uma vigília e caminhadas junto à comunidade e amigos, em memória de Janaína.
Nas redes sociais, o Centro Acadêmico de Comunicação Social da UFPI divulgou uma programação em memória à estudante. De acordo com a publicação, a partir das 16h de segunda-feira (30), a comunidade estará realizando uma vigília e em seguida caminhadas com momentos de reflexão, coletividade e celebração à memória de Janaína.
Veja:
Ver essa foto no Instagram Uma publicação compartilhada por CACOS UFPI (@cacosufpi)
“Será um momento de reflexão, coletividade e celebração à sua memória! Celebraremos Janaína, e seguiremos lutando pelo fim da violência de gênero, que nos rouba nossas meninas e mulheres. Em memória aos que queiram trazer velas, cartazes e balões, esse espaço estará aberto para acolher as manifestações e as homenagens”, comunica o Centro Acadêmico.
O caso - A jovem de 22 anos, chegou morta ao Hospital da Primavera, localizado na zona Norte de Teresina. Ela apresentava lesões no rosto e em diversas regiões do corpo.
Segundo a investigação policial, a jovem foi violentada em uma sala do Programa de Pós-Graduação em Matemática, no Centro de Ciências da Natureza (CCN) da UFPI. No local, foram encontrados uma mesa e um colchão com vestígios de sangue.
O estudante Thiago Mayson da Silva Barbosa foi preso preventivamente, suspeito do crime. Um laudo preliminar do Instituto de Medicina Legal de Teresina (IML) confirmou violência sexual contra a jovem. Ela teria sido estuprada e tido o pescoço quebrado.
Em nota, a UFPI informou que a festa estudantil ocorreu sem autorização de qualquer autoridade da Universidade e que tem prestado apoio contínuo à família da vítima, desde as primeiras horas após ocorrência do fato. As atividades acadêmicas a administrativas foram suspensas nessa segunda (30).
Estudante foi preso preventivamente suspeito do crime (Foto: Reprodução)
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