Por: Roberto - 01/01/2025
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O alerta acima sobre os impactos da atitude individual para o planeta está em um dos argumentos do projeto de lei que foi aprovado no município de Riacho Frio ( a 865 km de Teresina), que institui na grade curricular das escolas municipais a educação climática. Com a medida, Riacho Frio é a 1ª cidade piauiense a editar uma legislação para prevenir e refletir sobre a crise climática que vivemos.
O município tem cerca de 4,3 mil habitantes, fica no semiárido, possui quase que 100% o bioma Cerrado e está na lista de emergência, devido a seca.
A lei que discute as mudanças do clima completa dois anos em Riacho Frio e os idealizadores creem em um processo a longo prazo, mas colhe frutos com a consciência ecológica.
“O ponto de partida para sancionar essa lei, foi o reconhecimento da necessidade de haver um trabalho direcionado à consciência ecológica. Por esse motivo, optamos por um tipo de processo que não necessita de graus de escolaridade. Já que pode ser desenvolvido com crianças, jovens e adultos (mesmo sem serem alfabetizados)”, disse o prefeito de Riacho Frio, Jabes Júnior ao apresentar o projeto aos vereadores.
“Costumo dizer que é uma educação comportamental, pois desenvolve no aluno os sentimentos e uma cidadania ambiental nunca antes cogitados nos municípios piauienses, pois esta cidadania vai além da guarda material do ambiente em que vivemos, ultrapassa o estudo “livresco” e se projeta para a realidade (crise climática)”, ressaltou o prefeito.
Atuando na área humanitária há mais de 12 anos com o projeto Voz – ativismo social - o secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos de Riacho Frio (Semmar), Aurino Gonçalves Dias Filho, é um dos idealizadores do projeto.
Ele disse que percebeu uma enorme dificuldade que o público em geral, sobretudo nas escolas, sente para obter informações objetivas que o oriente e facilite na abordagem, tanto prática como técnica de questões relacionadas ao meio ambiente.
“No desenvolvimento de minhas atividades à frente da Semarh deparei com um desconhecimento muitas vezes absoluto, dos estudantes em geral, sobre conceitos básicos e necessários a um melhor entendimento da crise climática, por isso a necessidade da lei”, disse Aurino Dias, que também é presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Gurgueia e conselheiro Estadual de Recursos Hídricos.
Ele explicou que a lei de educação climática determina que as escolas municipais tenham na grade curricular a respectiva disciplina. No entanto, ao mesmo tempo em que obriga os professores do município de Riacho Frio a incluir disciplina que pode ser aplicada de forma transversal com concurso de desenhos, de redação, participação dos alunos em campanhas, entre outros.
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“...o que se faz no Cerrado tem reflexos no todo, como podemos ver no caso da floresta Amazônica, que provoca escassez de chuva no Sudeste, e assim por diante...”.

Diferença entre educação ambiental X educação climática
Aurino explicou que existe diferença entre educação ambiental , que está relacionada aos “valores sociais”, “legislação, conhecimentos e competências” voltadas para conservação do meio ambiente, ou seja, o lado teórico. Já a educação climática, segundo ele, consiste em apresentar as consequências da degradação ambiental e a urgência na solução desses problemas.
Aurino ressaltou que um dos temas que aborda com os mais de 1 mil alunos nas escolas do município é a desertificação em Gilbués, cidade que fica cerca de 100 km de Riacho Frio.
Eixo da educação é fundamental, diz Daniel Oliveira
O secretário Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh), Daniel Oliveira, elogiou a iniciativa de Riacho Frio e ressaltou a importância do eixo educação para enfrentamento sobre a questão climática e a definição de um plano de ação climática municipal.
“Dentro do plano de ação climática, existe um eixo fundamental que é o da educação e passa por iniciativas como essa de Riacho Frio, pioneira, de incluir a temática das mudanças climáticas na rede e no ensino da educação local”, disse Daniel Oliveira.
Veja temas definidos na lei para ser abordados em sala de aula:
- Mudanças do clima local; - Sustentabilidade; - Aquecimento global, geopolítica e clima; - Biodiversidade; - História dos movimentos climáticos.

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