Por: Roberto - 07/06/2025
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Um grupo formado por 27 pessoas foi formalmente denunciado pelo Ministério Público do Estado do Piauí (MPPI) por envolvimento em um esquema de fraudes bancárias que teria causado um prejuízo de pelo menos R$ 12 milhões a instituições financeiras. A ação está ligada à Operação Personagens, desencadeada pela Polícia Civil no mês de abril, com foco nos municípios de Parnaíba e Luís Correia.
A denúncia, protocolada no dia 19 de maio pelo promotor Marcelo de Jesus Monteiro Araújo, também solicita o bloqueio de bens dos investigados no valor correspondente ao montante desviado. Entre os denunciados estão Rafael Rodrigues dos Santos, apontado como um dos líderes do grupo, além de outros residentes no Piauí, Maranhão, Ceará e até uma envolvida localizada na Itália.
FOTO: REPRODUÇÃO
Segundo o MP, a organização criminosa atuava desde 2019, com foco em fraudes relacionadas a empréstimos consignados obtidos por meio de documentos falsos. Os criminosos usavam celulares, notebooks e aplicativos bancários para operacionalizar os golpes, fazendo com que o dinheiro fosse desviado para contas em nome de terceiros — muitas vezes sem o conhecimento das vítimas.
O esquema veio à tona após a apreensão de um celular de um dos envolvidos, preso ao tentar abrir uma conta bancária com identidade falsa. A análise do aparelho revelou a estrutura do grupo, que se dividia em três frentes:
Núcleo técnico, encarregado da execução digital das fraudes;
Núcleo financeiro, que lavava o dinheiro movimentado ilegalmente;
Núcleo operacional, que recrutava “personagens” para viabilizar os golpes — inclusive pessoas em situação de rua.
Em um dos casos identificados, um morador de rua teve R$ 8.300,00 creditados em sua conta, quantia imediatamente transferida para outra integrante da quadrilha.
A quebra de sigilo bancário dos denunciados revelou movimentações financeiras incompatíveis com as rendas declaradas. O maior volume foi atribuído a Rafael Rodrigues dos Santos, que movimentou R$ 3,78 milhões entre 2021 e 2024.
Com base nas provas reunidas, o MPPI acusa os envolvidos de estelionato, lavagem de dinheiro e organização criminosa, além de requerer a indisponibilidade dos bens para possível ressarcimento.
No último 21 de maio, o juiz Caio Emanuel Severiano determinou a redistribuição do caso para a Vara de Delitos de Organização Criminosa, em conformidade com decisão do STF, que estabelece que o juiz de garantias atue apenas na fase investigativa. A partir da denúncia, o processo passa a tramitar com o juiz responsável pela instrução criminal.
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