Por: Roberto - 18/11/2025
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A dissertação “HOJE O SANTO TE PEGA”: EDUCAÇÃO NO ALDEIA DE CABOCLO”, de autoria do mestre Igor Filipe de Sousa Oliveira, foi selecionada com o 1º lugar na categoria Colégio de Humanidades do Prêmio UFPI de Dissertação e Tese 2025. A cerimônia de premiação, realizada nesta sexta-feira (07) durante a Semana Integrada da UFPI (SIUFPI), premiou o trabalho desenvolvido no Programa de Pós-Graduação em Antropologia sob orientação do Prof. Dr. Raimundo Nonato Ferreira do Nascimento.
A pesquisa de Igor, chegou a uma conclusão fundamental: o terreiro é uma escola viva onde se pratica diariamente a resistência contra o apagamento cultural. "Cada 'baiar', cada canto, cada oferenda é um ato de preservação de uma cultura que tentaram calar por séculos", explica o antropólogo.
A pesquisa mostra como os interlocutores já enfrentaram vários tipos de hostilidades por não entenderem que a religião é herança direta dos ancestrais e que até o ato de acender uma vela para um orixá é manter viva uma chama que veio da África com os avós.
O terreiro desenvolveu estratégias sofisticadas de resistência. Uma delas é o que a "pedagogia do exemplo", onde as crianças aprendem desde cedo a ter orgulho de sua herança.
A pesquisa etnográfica documentou como o terreiro se tornou um espaço de acolhimento para pessoas que sofreram discriminação religiosa, além de um espaço de sociabilidade e de afeto.
A pesquisa foi orientada pelo Prof. Dr. Raimundo Nonato, e revela uma imagem distorcida dos terreiros como lugares que ignora completamente sua função social e educativa. São espaços que preservam línguas, costumes, culinária, medicina tradicional, todo um patrimônio cultural imaterial.
O terreiro é aberto, acolhe todos da comunidade seja com seus projetos sociais, suas atividades artísticas ou mesmo as suas giras. Na etnografia de Igor, fica evidente o cuidado com os rituais, o respeito aos mais velhos e a seriedade com os mais novos.
A pesquisa premiada mostra que o terreiro cumpre um papel que vai além do religioso. Ele é um centro comunitário onde se discute política, se oferece aconselhamento familiar, se preserva conhecimentos sobre plantas medicinais e se mantém viva a memória dos antepassados.
Lutar contra a intolerância é lembrar que nenhum dos interlocutores pede privilégios, apenas respeito. A premiação também revela um dado alarmante, pois segundo o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC), o número de violações sofridas pelas religiões de matriz africana aumentou de 2023 para 2024. Enquanto os tambores continuam ecoando no terreiro e as novas gerações aprendem os cantos e as danças de seus ancestrais, o Aldeia de Caboclo prova que a herança africana no Piauí vide e sobrevive florescendo e educando, acolhendo e transformando vidas, um ritual de cada vez.
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