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Municípios

Seca deixa cidade de Jaicós à beira de um colapso

Por: - 06/09/2012

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Várias cidades do Semiárido do Piauí poderão entrar em colapso nos próximos dias por conta da grande seca que atinge a região desde o início deste ano. Em Jaicós, na região de Picos, apenas dois poços estão abastecendo toda a população de cerca de R$ 18 mil habitantes e já começam a secar. Situação parecida vivem os moradores de Queimada Nova, na região de Paulistana e que faz divisa com Pernambuco e Bahia. Lá, apenas um poço fornece água para 80% dos cerca de 8,5 mil  moradores do município. O pior é que a situação tende a não se resolver por falta de iniciativa do poder político e também porque nos municípios vizinhos a situação é bem parecida. No caso de Jaicós, por exemplo, o açude Tiririca que abastecia a cidade secou por completo, restando apenas a lama. A cidade poderia ser abastecida pela água da barragem de Patos, a poucos quilômetros, mas o governo nunca se preocupou em fazer a adutora para levar o líquido precioso até as casas. "É a única solução para Jaicós", diz o pensionista José Neto, residente na entrada da cidade. Da casa dele, Neto observa um dos dois únicos poços onde a população ainda pega água para matar a sede. O terreno onde fica o poço, por sinal, era da família de Neto, que teve de vender para que o governo pudesse cavar e arranjar uma saída urgente para a população.O problema de Jaicós se torna ainda mais grave porque os carros-pipas pegam a água dos dois poços para levar para a zona rural e abastecer as centenas de famílias que estão em situação ainda mais alarmante do que as que vivem na zona urbana. Há dois meses a água era tirada de seis poços, mas os outros quatro já secaram. Segundo alguns moradores, apesar dos carros-pipas, em muitos povoados a população chega a passar até uma semana sobrevivendo apenas com o que restou da última entrega do carro-pipa. Neste caso, a água é estritamente para o consumo humano, deixando os animais a mercê da sorte e não usando sequer para lavar roupas. Quem tem condições ainda pode comprar o líquido para su-prir a deficiência dos carros-pi-pas originais, mas ele custa caro e nem todo mundo tem condições de comprar. Em Queimada Nova, por exemplo, um caminhão-pipa com cerca de oito mil litros de água não sai por menos de R$ 280,00 para quem tem condições de comprar. Mas até neste caso a pessoa tem que racionar para tentar usar a água por pelo menos dois meses e com isto dividir o prejuízo por dois, o que daria uma média de R$ 140,00 por quatro mil litros de água, muito superior ao que paga o teresinense na sua conta mensal. Queimada Nova, por sinal, não poderia ter recebido um nome mais apropriado. O município queima com a seca que atinge toda a sua extensão. Segundo o comerciante Jânio Dias, como o poço não consegue abastecer todo o município, a maioria da população compra a água que vem da Serra da Umburana, a 40 quilômetros da sede do município, mas nem isto ameniza o sofrimento. O problema é que os carros cadastrados para pegar a água não podem pegar mais do que dois mil litros por dia, mesmo sendo para vender. Com isto, a população é obrigada a programar o dia que vai poder comprar o líquido, porque vai depender da disponibilidade do transporte. "Aqui saímos à procura dos donos dos carros e negociando. Só que geralmente eles já estão com a quota de dois mil litros comprometida por até cinco dias. O interessado deve reservar logo o dia imediatamente disponível, o que às vezes demora", argumenta, acrescentando que a isto se junta o agravante de que a barragem da Serra da Umburana só é aberta cerca de cinco horas por dia.Diário do Povo
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