Por: Roberto - 04/02/2026
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Após os dois recentes registros de tremores de terra em cidades do Piauí, o geógrafo Francisco Wellington explicou que o fenômeno sempre ocorreu no estado, mas que esses episódios passaram a ser registrados de forma mais frequente e precisa devido à ampliação do monitoramento sismológico.
Em entrevista ao Jornal do Piauí, nesta quarta-feira (4), o especialista afirmou que esses abalos sísmicos de baixa magnitude fazem parte da dinâmica natural da crosta terrestre e, na maioria das vezes, passam despercebidos pela população devido à sua menor intensidade.
“Esses tremores de baixa magnitude sempre aconteceram. O que ocorre agora é que, com a implantação dos laboratórios, a gente está tendo esse registro direto desses eventos, porque esses tremores sempre existiram”, ressaltou o geógrafo.
Foto: Reprodução / Labsis

De acordo com Francisco Wellington, esses tremores de terra estão relacionados a ondas liberadas a partir da acomodação de falhas geológicas existentes no território piauiense. Um dos exemplos citados é a região de Bocaina, onde foi registrado um tremor de magnitude 2,1 na escala Richter.
“É uma região que tem um lineamento, como é considerado na geologia e na ciência. Trata-se do lineamento Picos–Santa Inês, que é uma falha geológica de grande extensão. Justamente devido à acomodação dela e também de outras menores, acaba ocasionando um tremor”, explicou o especialista.

O mesmo se aplica ao abalo de magnitude 1,5 registrado na região de Castelo do Piauí. “Existem muitas falhas geológicas, originadas a partir da movimentação das placas tectônicas há milhões de anos. Quando elas vão se acomodando, liberam essa energia do interior da Terra, criando ondas”, disse.
Por outro lado, o geógrafo pontuou que ainda não há comprovação científica de relação entre os registros sísmicos e a perfuração de poços. “Hoje fazemos muitos poços, há muita retirada de água, mas até o momento não há documento científico que comprove que isso esteja causando tremores”, concluiu.
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