Por: Roberto - 12/03/2026
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A decisão do MDB de encerrar a estratégia de chapas proporcionais cruzadas com o PSD no Piauí abriu um novo capítulo nas tensões dentro da base governista e reacendeu dúvidas sobre a estabilidade da própria chapa majoritária que apoia o governador Rafael Fonteles.
Rafael reafirma Júlio César e Marcelo Castro como nomes de Lula ao Senado - Foto: ASCOM
Até então, MDB e PSD atuavam de forma coordenada nas disputas proporcionais, distribuindo candidaturas e bases eleitorais em duas chapas que funcionavam quase como uma única estrutura política. Com o fim desse arranjo, cada partido passa agora a montar sua própria chapa, o que aumenta a competição direta entre aliados e mexe no delicado equilíbrio de forças dentro da base.
O movimento ocorre em um contexto de desconfianças que já vinham sendo ventiladas nos bastidores. Nos últimos meses, tanto o senador Marcelo Castro quanto o deputado federal Júlio César chegaram a questionar agendas públicas em que ambos apareceram ao lado do senador Ciro Nogueira, principal liderança da oposição no estado. As críticas sugeriam falta de alinhamento pleno ao projeto político conduzido pelo Palácio de Karnak.
Apesar do ruído, MDB e PSD continuam oficialmente aliados na disputa majoritária, com cada partido apresentando um nome para uma das duas vagas ao Senado. Marcelo Castro é o pré-candidato do MDB, enquanto Júlio César é apontado como o nome do PSD para compor a chapa.
A ruptura no campo proporcional, porém, reabre uma discussão sensível: até que ponto será possível sustentar a aliança no plano majoritário enquanto os partidos passam a disputar espaço diretamente nas chapas de deputados.
A situação se torna ainda mais delicada por causa de conflitos políticos que se acumulam no interior da base. Deputados e lideranças do MDB vinham manifestando incômodo com o avanço político do deputado estadual Georgiano Neto, pré-candidato a deputado federal pelo PSD. Nos bastidores, emedebistas acusam o parlamentar de avançar sobre bases eleitorais historicamente vinculadas ao partido.
MDB decidiu encerrar cruzamento de chapa dom o PSD
Diante desse cenário, a candidatura de Júlio César ao Senado passou a ser tratada por setores do MDB como uma espécie de contrapartida política para manter a convivência entre as siglas e conter atritos nas bases municipais.
Agora, com o rompimento na disputa proporcional, essa equação política começa a ser questionada.
Georgiano reagiu
Em reação ao episódio, Georgiano Neto afirmou que, apesar de ser filiado ao MDB, não foi convidado para a reunião em que o partido decidiu encerrar a parceria com o PSD. A um canal de televisão, em tom de recado político, o deputado indicou que, caso a ruptura se confirme, o PSD poderá reavaliar seu apoio à candidatura de Marcelo Castro ao Senado.
“O MDB poderia ter comunicado essa decisão há algum tempo atrás. Mas mesmo buscando deixar o PSD sem alternativas, vamos nos reunir e buscarmos o melhor caminho” Disse Georgiano ao reagir decisão do MDB
Deputado estadual Georgiano Neto (MDB) - Foto: Fernanda Duarte/ Lupa1
A declaração elevou a temperatura do debate e reforçou a percepção de que a decisão do MDB pode produzir efeitos além da disputa proporcional.
Por enquanto, lideranças da base governista evitam falar em rompimento na chapa majoritária. A avaliação predominante é que a disputa pelas vagas ao Senado envolve um cálculo político mais amplo e dificilmente será desfeita de forma abrupta.
Ainda assim, o episódio evidencia que o equilíbrio da aliança governista passa por um momento delicado. E, em um cenário onde cada movimento altera o peso das forças políticas, a separação entre MDB e PSD nas chapas proporcionais pode acabar sendo apenas o primeiro capítulo de uma reorganização maior no tabuleiro eleitoral do Piauí.
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