Por: Roberto - 21/05/2026
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A influenciadora digital e advogada Deolane Bezerra foi presa nesta quinta-feira (21) durante uma operação do Ministério Público de São Paulo (MP-SP) e da Polícia Civil de São Paulo que investiga um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A ação também teve como alvo Marco Herbas Camacho, conhecido como Marcola, que já cumpre pena no sistema prisional. Familiares do líder da facção também estão entre os investigados.
Segundo informações, a investigação teve início em 2019, após a apreensão de bilhetes e manuscritos dentro da Penitenciária II de Presidente Venceslau, em posse de dois detentos. O material detalhava a estrutura interna da facção, a atuação de lideranças encarceradas e possíveis articulações para ataques contra agentes públicos.
Com base nessas informações, a Polícia Civil instaurou três inquéritos que aprofundaram as investigações sobre a organização criminosa e seus mecanismos financeiros.
Ao todo, a Justiça expediu seis mandados de prisão preventiva, além de diversas ordens de busca e apreensão, incluindo na residência de Deolane. Nos últimos dias, a influenciadora esteve em Roma, na Itália, e chegou a ter o nome incluído na lista de Difusão Vermelha da Interpol. Ela retornou ao Brasil nessa quarta-feira (20).
A operação também cumpriu mandados em outros endereços ligados à advogada e empresária.
Transportadora e esquema de lavagem
O primeiro inquérito apontou referências internas da facção e mencionava a atuação de uma “mulher da transportadora”, suspeita de levantar informações e endereços de agentes públicos.
As investigações avançaram até uma empresa sediada em Presidente Venceslau, identificada posteriormente como possível instrumento de lavagem de dinheiro do crime organizado. A apuração resultou na chamada “Operação Lado a Lado”, que identificou movimentações financeiras incompatíveis com a atividade econômica declarada pela empresa, além de crescimento patrimonial sem comprovação de origem lícita.
Operação Vérnix
Durante o cumprimento de mandados da Operação Lado a Lado, a apreensão de um celular revelou conversas com integrantes da cúpula da facção, indícios de movimentações financeiras suspeitas e conexões com uma influenciadora digital de grande alcance nacional.
A partir desse material, surgiu a “Operação Vérnix”, que aprofundou as investigações sobre um suposto esquema de lavagem de capitais envolvendo empresas, patrimônio e transações milionárias.
De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público, foram identificados indícios de incompatibilidade patrimonial, uso de pessoas jurídicas para movimentação financeira e operações sem justificativa econômica comprovada.
Deolane passou a ser investigada por suspeita de integrar um sistema de circulação de recursos milionários, com aquisição de bens de alto padrão e utilização de estruturas empresariais para ocultação da origem dos valores.
Bloqueio milionário e apreensões
Com base nas provas reunidas, a Justiça autorizou:
6 prisões preventivas; Bloqueio de mais de R$ 327 milhões; Sequestro de 17 veículos de luxo, avaliados em mais de R$ 8 milhões; Apreensão e restrição de quatro imóveis.Segundo a investigação, três dos alvos estariam fora do Brasil, em países como Itália, Espanha e Bolívia. Por isso, foi solicitada a inclusão dos nomes na Lista Vermelha da Interpol para localização e eventual prisão internacional.
De acordo com a Polícia Civil e o Ministério Público, o objetivo da operação é enfraquecer a estrutura financeira da organização criminosa por meio do bloqueio e da apreensão de ativos de origem ilícita.